Constelações Contemporâneas: o que ver na mostra inédita do Metrópoles

A mostra Constelações Contemporâneas é uma iniciativa do Metrópoles Arte e está em cartaz no Teatro Nacional

atualizado

metropoles.com

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Gustavo Lucena/Metrópoles
Brasília-DF (19/05/2026) Abertura da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília Fotos: Gustavo Lucena/METRÓPOLES
1 de 1 Brasília-DF (19/05/2026) Abertura da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília Fotos: Gustavo Lucena/METRÓPOLES - Foto: Gustavo Lucena/Metrópoles

A exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, mais nova iniciativa do Metrópoles Arte, transformou a capital federal em um efervescente polo cultural. Um sucesso de público, a iniciativa totalmente gratuita acontece no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, de 19 de maio a 17 de julho. Os ingressos estão disponíveis. Retire o seu neste link.

Com curadoria da especialista em arte Mônica Tachotte e apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), a exposição conta com a participação de aproximadamente 40 artistas do Distrito Federal. Trata-se de uma celebração da criação contemporânea do Distrito Federal, reunindo figuras renomadas e novos talentos em experiência cultural única.

O grande diferencial da mostra está na diversidade de nomes e de formatos que a compõem. Personalidades de diferentes gerações e que apostam em múltiplas plataformas foram eleitas para demonstrar que a arte do DF pulsa e vibra em confluência com o que há de mais contemporâneo no mundo.

Alunos do CEF 01 Planalto visitam a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
Alunos do CEF 01 Planalto visitam a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

Conheça os artistas que integram a mostra

Confira os nomes dos artistas participantes:

Andre Santangelo, Antônio Obá, Bruna Zanatta, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Patricia Monteiro, Patrícia Bagniewski, Paula Calderon, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki e Virgílio Neto

O evento dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026, e que marcou a bem-sucedida estreia do Metrópoles Arte.

Curadoria aposta na diversidade

A curadoria, por Monica Tachotte, partiu de um olhar atento para a trajetória dos artistas e para a potência poética de suas produções.

Mais do que selecionar nomes, a proposta foi identificar pesquisas que dialogam com questões contemporâneas, considerando não apenas as linguagens utilizadas, como também as reflexões que atravessam cada trabalho.

“A escolha partiu de um olhar atento para a consistência da trajetória dos artistas e para a potência poética de suas pesquisas, considerando não apenas a linguagem, mas a forma como cada prática se relaciona com questões contemporâneas”, explica a curadora.

Monica Tachotte é a curadora da mostra Constelações Contemporâneas

Mesmo com a pluralidade de técnicas e abordagens, há pontos de convergência que orientam a exposição.

Temas como território, memória, corpo e paisagem aparecem como fios condutores, criando conexões possíveis entre obras distintas. “Busquei reunir artistas que, embora trabalhem com diferentes linguagens, compartilham investigações que atravessam temas como território, memória, corpo e paisagem, criando pontos de contato possíveis dentro da diversidade”, afirma.

Valéria Pena-Costa
Artistas visual, fotógrafa e designer de moda, Thamires investiga memória, afeto e paisagem como territórios simbólico. Para Constelações Contemporâneas, trouxe a série Serra Dentro
Mestre em Artes Visuais pela Universidade de Brasília, Taigo Meireles dialoga com a tradição da pintura histórica, cenografia clássica e cinema
Rogério Roseo desenvolve a pintura centrada na experiência humana e na introspecção
Sobre a obra apresentada, Raylton Praga explicou que sua pesquisa é baseada em formas geométricas e na liberdade de interpretação do público

A proposta, no entanto, não é uniformizar a produção artística, e sim valorizar as diferenças.

A curadoria aposta na ideia de que os contrastes podem gerar novas leituras e ampliar o entendimento do conjunto, ou seja, “construir uma exposição em que as diferenças não se anulassem, mas se ativassem mutuamente”.

O ciclo da matéria orgânica e inorgânica e o papel dos processos de contaminação, transformação são o ponto central do trabalho da artista, que tensiona a natureza e os resíduos nas obras que compõem a exposição
A artista visual brasiliense desenvolve a pintura como investigação da paisagem do cerrado e construção de Brasília — uma forma de explorar a memória da cidade e as camadas que moldam o território
Formada pela Universidade de Brasília, Patrícia investiga o vidro como matéria orgânica e simbólica, explorando luz, transparência e transformação
De sobradinho, Pamella investiga a cultura digital brasileira como campo simbólico e político. 
Patricia Monteiro usa as paisagens do Cerrado para construir imagens como território de memória
Artista plástico e professor aposentado de desenho, pintura e história da arte da Universidade de Brasília, Nelson Maravalhas expõe três pinturas hipnagógicas na mostra
Doutor em Artes Visuais pela Universidade de Brasília, Marcos Antony desenvolve pesquisa a partir da tensão espacial entre centro e periferia, especialmente ao provocar contrastes entre o Plano Piloto e a região do Paranoá/Itapoã, onde cresceu
Radicada em Brasília, usa a paisagem de Brasília como campo de pesquisa para criação de seus acrílicos, bem como fotografias e colagens. Para constelações Contemporâneas, exibe a série Pau-ferro e a obra Rizomas da Alma

Essa lógica dialoga diretamente com o conceito de constelação que orienta a mostra.

Assim como no céu, em que cada estrela mantém sua individualidade, mas passa a compor um desenho maior quando vista em relação às outras, as obras se organizam de forma a preservar sua autonomia enquanto constroem um campo ampliado de significados.

Maria Porto é brasiliense e vê na cidade um potencial de referência nas artes visuais. Para a exposição, traz as obras Primeiro Pedaço, Uma Festa de Adeus e Surpresa, em que explora metáforas e texturas
Natural do Rio Grande do Sul, Léo Tavares revela que acolheu Brasília como lar e que grande parte de seu repertório criativo nasceu no Planalto Central
Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba, Íris Helena investiga criticamente a paisagem urbana de Brasília. Na obra Primeira Pedra, exposta na mostra, ela utiliza impressão sob Pedras Portuguesas coletadas na Praça dos Três poderes
A série Do Chão para o Chão, aposta de Helena em Constelações Contemporâneas, é resultado de uma experiência física e existencial, na qual explora memória, ausências e permanência ao observar e fotografar o chão
Orgulhosamente “cria de Ceilândia”, Gu carrega na arte e no nome o orgulho da região em que nasceu. Para a exposição, explora fotografia, intervenção urbana e audiovisual para refletir a cidade e o pertencimento
Nascido em Ceilândia, mas criado em Minas, Gabriel Matos explora a trajetória de exílio rural por meio de obras que passeiam entre a fotografia, o bordado, a colagem e a escultura
As obras de Desirée Feldmann incorporam técnicas de manufatura, como costura, modelagem e encadernação, reinterpretadas em uma linguagem contemporânea que valoriza saberes manuais transmitidos entre gerações
A obra apresentada na mostra integra a Série Luzes, pesquisa em que o artista retrata a cidade por meio de pontos luminosos, cores e movimentos, sem representar diretamente suas formas
Artista e professor da Universidade de Brasília, Christus expõe a série a Roupa Nova do Rei, inspirada no conto de Hans Christian, feita a partir da técnica milenar chinesa Jianzhi
Reconhecido por seu trabalho de reconfiguração do imaginário, Antonio Obá apresenta obras da série Sonambúlicas — feitas no limiar entre sono e vigília durante a preparação de uma exposição
Bruna Zanatta apresenta quatro obras têxteis, feitas a partir da técnica tufting, em que explora a relação entre textura, cor e movimento como forma de expressão emocional e espacial
Carlos Lin destaca o uso dos materiais in natura nas obras como resgate do seu eu criança, que cresceu em meio à zona rural e contato com a natureza
André Santangelo trouxe para a mostra uma série de fotografias sobrepostas feita a partir de uma técnica própria desenvolvida há 20 anos

Mais do que organização formal, o processo curatorial se deu como exercício de articulação.

O objetivo foi revelar, por meio do conjunto, a força e a complexidade da produção contemporânea da capital. “Foi um processo de articulação  para que o conjunto revelasse a força e a complexidade da cena contemporânea de Brasília”, pondera.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De 19 maio a 17 julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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