Gisel Carriconde Azevedo integra mostra Constelações Contemporâneas
Com trajetória internacional e foco na pesquisa acadêmica, a artista brasiliense integra a mostra Constelações Contemporâneas
atualizado
Compartilhar notícia

A cena artística de Brasília ganha um novo olhar com a participação de Gisel Carriconde Azevedo na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, realizada pelo Metrópoles Arte. Com um percurso que transita entre a pintura, a curadoria e a gestão cultural, Gisel apresenta obras que investigam a relação entre o homem, o espaço urbano e o meio ambiente. Sua produção é marcada por uma inquietação constante, rejeitando estéticas estagnadas em favor de uma experimentação híbrida e conceitual.
Entenda
-
Formação híbrida: deixou a matemática e a música para se dedicar às artes, com mestrado e doutorado realizados na Inglaterra.
-
Foco na expografia: para a artista, o modo como a obra é exibida é parte integrante da poética do trabalho.
-
Diálogo com Brasília: suas obras na mostra exploram a memória afetiva da “cidade-parque” e a natureza do Planalto Central.
-
Gestão independente: é a idealizadora do deCurators, espaço focado na formação de novos artistas e curadores na capital.
Entre o rigor britânico e o Cerrado
A estética de Gisel foi profundamente moldada pelos cinco anos em que viveu na Inglaterra, nos anos 1990. Sob influência dos Young British Artists (YBAs), ela incorporou o uso de materiais cotidianos e do ready-made em seu repertório.
“A eliminação da distinção tradicional entre pintura e escultura encontrou ressonância no meu ateliê”, explica a artista.
Anos depois, sua atuação no Museu de Valores do Banco Central e o doutorado na University of East London consolidaram sua visão da curadoria como arte. Para Gisel, o objeto artístico não existe isolado; ele depende intrinsecamente do espaço e do público.

A natureza como espelho da memória
Na mostra Constelações Contemporâneas, Gisel apresenta trabalhos que refletem sua fase mais recente, voltada para a representação do mundo natural e da autoanálise. A instalação Autorretrato como Árvore – A Natureza do Tempo (2024) utiliza gravuras em madeira e acrílico para mapear as cascas de árvores dos nove endereços onde morou em Brasília desde 1971.
“A escala bucólica de Lúcio Costa faz de Brasília uma floresta urbana única. Os lugares onde habitei hoje não lembram em nada o deserto vermelho da minha adolescência”, reflete.
Já na série Morada do Sol 360º, a artista utiliza a aquarela para capturar a fluidez da água de uma cachoeira na Chapada dos Veadeiros.
Embora a técnica tenha surgido como um exercício de “perda de controle”, o resultado nestas obras demandou um planejamento minucioso para preservar as transparências e reflexos da luz.
Ocupação e coletividade
Atualmente, Gisel subverte sua própria rotina de ateliê. Em 2026, ela lidera o projeto COMUNA, transformando o espaço do deCurators em um ateliê coletivo. A proposta é que a produção individual seja ativada pela convivência e pela troca entre grupos de artistas convidados.
Seja por meio de polímeros sintéticos ou de pigmentos naturais, o trabalho de Gisel Carriconde Azevedo permanece em movimento, desafiando as fronteiras entre a arte, o design e a museologia, sempre com um pé na memória e outro na experimentação técnica.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.
O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026.

Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Davi Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF.
Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
ServiçoConstelações Contemporâneas da Cena Artística de BrasíliaDe 5 de maio a 5 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita








