Descubra a arte de PAM na mostra Constelações Contemporâneas
Com raízes goianas e olhar intuitivo, a artista PAM apresenta pinturas que unem memória e natureza na cena artística de Brasília
atualizado
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A força do Cerrado e a herança de uma linhagem de poetas e aquarelistas ganham vida nas telas de Patrícia Monteiro, a PAM. Integrante da exposição Constelações Contemporâneas, a artista visual traz para a cena artística de Brasília uma produção que transita entre o real e o imaginário. Autodidata, PAM iniciou sua trajetória na pintura em 2017 e, desde então, utiliza a arte como um espaço de escuta e enraizamento, transformando elementos como terra, mato e água em paisagens etéreas que convidam o espectador ao silêncio e à introspecção.
Entenda
- Identidade e mitologia: a assinatura “PAM” une suas iniciais à sonoridade de Pã, o deus grego dos bosques, simbolizando liberdade, instinto e conexão com as florestas.
- Processo Intuitivo: sem roteiros ou rascunhos rígidos, sua pintura nasce do instante, explorando camadas e texturas por meio de um gesto livre que ela define como “perder a consciência”.
- Raízes no Cerrado: de família goiana, a artista carrega a paisagem do Planalto Central como um território de memória, transformando o cenário regional em visões poéticas.
- Espaço para o espectador: suas obras não buscam ser decifradas; o objetivo é que quem observa tenha liberdade para criar sua própria interpretação e descobrir detalhes inéditos na tela.
O despertar do olhar
Para Patrícia Monteiro, a pintura não é apenas uma técnica, mas um retorno. Embora tenha começado oficialmente sua jornada nas artes visuais há sete anos, a sensibilidade artística está no DNA: ela é bisneta de poeta e neta de uma aquarelista. Esse histórico familiar reflete-se em uma obra que não se prende a formas geográficas exatas, mas sim a “fragmentos de tempo que habitam o corpo e a alma”.
“Eu pinto como eu sinto”, afirma a artista.
Em seu ateliê, o Cerrado — com sua luz característica e vegetação resiliente — serve como matéria-prima para um diálogo sensível. As imagens resultantes são “paisagens suspensas”, onde o espectador muitas vezes não sabe se está diante de um horizonte terrestre ou de um devaneio etéreo.

A força do nome e do instinto
A escolha por assinar como PAM vai além da abreviação de Patrícia Araújo Monteiro. Há um reconhecimento no território simbólico do instinto e da espontaneidade. Ao evocar a figura mitológica de Pã, a artista reforça seu compromisso com a plenitude que emana da natureza. Para ela, a arte é o que conduz para dentro, para os territórios da imaginação e do sonho.
Esse estado de “liberdade total” permite que PAM transite entre o abstrato e o intuitivo com fluidez. “Pintar é perder a consciência e encontrá-la entre cores e movimentos”, descreve, ressaltando que cada quadro é, antes de tudo, um convite para o sentir.

Diálogo com o público
Na mostra Constelações Contemporâneas, as obras de PAM funcionam como brechas de deslocamento no cotidiano urbano de Brasília. A pesquisa da artista foca na pausa diante da beleza simples que brota da terra e da água.
Diferente de artes que buscam entregar mensagens fechadas, a produção de PAM é aberta. Ela enfatiza que gosta de abrir espaço para que o público veja coisas que talvez nem ela mesma tenha notado durante o processo criativo. Assim, a pintura se torna um território compartilhado de memórias, onde o real e o imaginário se entrelaçam de forma indissociável.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo até o meio de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, David Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita






