Quem é Camila Courinos, artista da mostra Constelações Contemporâneas
Artista brasiliense une o bruto e o delicado em obras que vão integrar a mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística em Brasília
atualizado
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A artista visual brasiliense Camila Antunes, que assina como Courinos, é um dos nomes que integra a exposição Constelações Contemporâneas, que vai movimentar a cena cultural de Brasília em abril. Com uma produção que transita entre a herança familiar e a experimentação acadêmica, Courinos apresenta pinturas que desafiam a lógica do tempo e do espaço, equilibrando a simplicidade de figuras cotidianas com uma execução densa e, por vezes, visceral.
Entenda
- Dualidade estética: seu trabalho é marcado pelo conceito de “fofura agressiva”, unindo temas delicados a camadas brutas de tinta a óleo.
- Herança e identidade: o nome artístico resgata a ancestralidade grega de seu bisavô, enquanto suas cores evocam uma memória afetiva da Amazônia.
- Processo de repetição: a artista trabalha com múltiplos suportes simultâneos, onde o preparo da tela é tão vital quanto a pintura final.
- Diálogo coletivo: para Courinos, a obra se completa no olhar do público, preferindo o anonimato das mostras coletivas para ouvir percepções reais.

Entre o tempo e o espaço: o universo de Courinos
As telas de Camila Courinos oferecem, à primeira vista, o conforto do reconhecível: uma mulher, um peixe, um par de sapatos. No entanto, o espectador logo percebe que essas figuras habitam um “lugar fora do lugar”. Sem horizonte ou ponto de fuga, suas pinturas operam por elipses, convidando quem observa a mergulhar em um tempo suspenso.
A trajetória da artista é indissociável de sua formação na Universidade de Brasília (UnB), onde desenvolveu o interesse pela arte popular e outsider.
“Sempre me encantei por uma produção mais despretensiosa. Fui caminhando para um pensamento da produção como exercício, como ofício”, explica a artista.

Raízes gregas e o bafo da floresta
O nome Courinos carrega história. É um empréstimo do sobrenome paterno, herdado do bisavô que trocou a Grécia pelas ferrovias de Abunã, em Rondônia. Embora tenha visitado o estado poucas vezes, a memória da floresta — e as cicatrizes deixadas pelo progresso, como cachoeiras que viraram hidrelétricas — reflete-se em sua arte. Há algo de amazônico em suas pinceladas; um calor úmido que se sente na textura, mesmo quando a mata não está explicitamente desenhada.
Essa conexão com o fazer manual também vem das tias bordadeiras de Goiás. Embora admita não ter a disciplina para o padrão do bordado tradicional, Courinos transferiu essa manualidade para a pintura a óleo e para a aquarela em tecido, onde explora o que chama de “encontros” entre o macro e o micro.

O ateliê como organismo vivo
Atualmente, a artista mantém uma casa-ateliê, onde a rotina doméstica e a criação se fundem. Seus materiais muitas vezes vêm do acaso: madeiras coletadas na rua e sobras que formam coleções à espera de uma tela. A repetição é o motor de seu trabalho.
“O preparo e o desenho vêm como um aquecimento. Muitas vezes, eles tomam mais tempo do que a pintura em si”, revela.
Para Courinos, a exposição no Teatro Nacional é uma oportunidade de ver seu “bloco de notas” pictórico ganhar o mundo. Ela valoriza especialmente as reações espontâneas do público, como a definição de que sua arte possui uma “fofura agressiva” — o encontro perfeito entre a delicadeza do assunto e a crueza da matéria.

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meirelles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
