Conheça Marcos Antony, da mostra Constelações Contemporâneas
O artista transforma improvisos da periferia em esculturas que tensionam e exaltam o modernismo de Brasília
atualizado
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O artista visual Marcos Antony é um dos destaques na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz no Teatro Nacional Claudio Santoro. A exposição é uma produção do Metrópoles, que começará em abril.
Para quem ainda não conhece sua produção, o artista define o próprio trabalho como uma investigação sobre a relação entre arte e cidade. Brasília, com seu projeto modernista planejado, e suas periferias, marcadas por improviso e autoconstrução, são o ponto de partida dessa pesquisa estética.

“Eu parto da experiência urbana para pensar a escultura como algo que não está isolado no museu, mas que dialoga diretamente com a arquitetura, com o espaço público e com as desigualdades que estruturam a cidade”, explica.
Os modos construtivos da periferia — a gambiarra, o improviso, as obras inacabadas — são vistos por ele não como ausência, mas como potência estética e política. Muitas de suas criações funcionam como “estruturas parasitárias”, que se infiltram em espaços institucionais e tensionam a rigidez do modernismo brasiliense.
A expectativa para a exposição no Teatro Nacional Claudio Santoro é atravessada por simbolismo. O edifício é um dos grandes ícones do projeto modernista da capital federal, idealizado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

Levar para esse espaço uma produção que nasce da experiência periférica cria, segundo o artista, um confronto direto entre centro e margem. “Minha expectativa é que a obra provoque reflexão sobre como a cidade foi pensada e para quem ela foi pensada”, afirma.
A ideia é que o público perceba as tensões entre ordem e improviso, planejamento e ocupação, projeto e realidade. Mais do que apresentar objetos, a exposição pretende suscitar debate sobre pertencimento e direito à cidade.
O processo criativo começa na observação atenta do cotidiano. Caminhadas pela cidade revelam construções improvisadas, muros, encaixes e sobreposições de materiais que se tornam referências formais. A periferia, em constante transformação, influencia diretamente sua produção.

A partir de uma tensão espacial específica — uma escada, uma fachada, um vazio arquitetônico — ele passa a pensar como a obra pode se relacionar com aquele lugar. Os materiais escolhidos costumam ser simples e ligados à construção civil, reforçando a ideia de precariedade, instabilidade e transitoriedade.
Para o artista, a obra não se encerra como objeto. Ela é, sobretudo, uma situação espacial. Completa-se na relação com o ambiente e com o corpo de quem a atravessa, convidando o espectador a experimentar fisicamente as contradições e potências que moldam a cidade.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meirelles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serednicki e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
ServiçoConstelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
