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Quem é a artista Paula Calderón, da mostra Constelações Contemporâneas

A artista visual brasiliense é um dos destaques da exposição, que estará no Teatro Nacional Claudio Santoro

atualizado

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Lapin fotografia e Jéssica Rodrigues
Paula Calderón, da mostra Constelações Contemporâneas
1 de 1 Paula Calderón, da mostra Constelações Contemporâneas - Foto: Lapin fotografia e Jéssica Rodrigues

A artista visual Paula Calderón apresenta uma série na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz no Teatro Nacional Cláudio Santoro, com obras que partem da paisagem do Cerrado e da memória da construção de Brasília. A partir de pesquisa histórica e observação do território, a artista transforma referências documentais e naturais em pinturas que tensionam realidade e percepção, explorando o que define como o espaço entre o ver e o sentir.

O processo criativo de Paula nasce da observação atenta do mundo ao redor. Caminhadas pelo mato, registros fotográficos, anotações em cadernos e longas pesquisas constroem um arquivo sensível de referências. “Nunca como um registro fiel, o que me interessa de verdade é o que acontece entre o que eu vejo e eu sinto. Gosto de observar as mudanças que acontecem nas cores das paisagens.”

Obra de Paula Calderón

Nas telas, aparecem as manchas de um tronco, a dança das sombras, a terra vermelha que tinge as folhas à beira da estrada — fragmentos que se transformam em cor e gesto.

Recentemente, a artista iniciou uma investigação sobre a construção de Brasília. A partir de documentos, fotografias, relatos e documentários, mergulhou nas histórias das pessoas anônimas que participaram da edificação da capital.

Paula em momento de criação artística
“Quando vejo as pessoas que estão ali registradas nos arquivos, me questiono quem são elas, o que viveram e pelo que passaram. A lembrança dessas pessoas foi o principal combustível para a criação das obras da série da Construção, que estarão na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília”, comenta. 

No ateliê, Paula prepara cuidadosamente a superfície da tela antes de iniciar camadas sucessivas de tinta acrílica. Não trabalha com rascunhos prévios: as composições nascem diretamente na pintura. As cores, sempre misturadas a partir das primárias, são criadas especificamente para cada obra.

Paula, com uma de suas pinturas
A artista imprime o olhar sensível em suas criações

“O processo de mistura é muito gostoso, de ir criando tons que existem na natureza ou que só existiam na minha cabeça”, conta. O resultado são paisagens que parecem familiares e, ao mesmo tempo, reinventadas.

Apesar de manter uma rotina disciplinada, a artista abre espaço para o inesperado. Muitas vezes, é no meio do processo que a pintura segue por um caminho diferente do imaginado — e ela aceita. “Cada obra tem seu processo único”, afirma.

Paula gosta de criar cores no momento em que está pintando

Expor no Teatro Nacional tem um significado especial. A expectativa de Paula é que as pessoas parem diante das telas, observem com calma e se permitam permanecer dentro da pintura por alguns instantes.

Dividir a mostra com artistas que admira também fortalece as trocas e amplia seu olhar. Em Constelações Contemporâneas, sua obra convida o espectador a revisitar a paisagem — e a memória — com novos olhos.

“Expor ao lado de diversos artistas que eu admiro também tem um peso grande, principalmente pelas trocas e pelos encontros. Estar perto de pessoas com pesquisas tão diferentes e também tão similares amplia meu olhar.”
Obras de Paula em exposição

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.

O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.

Confira os nomes dos artistas participantes:

Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meirelles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki e Virgílio Neto.
Teatro Nacional

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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