Quem é Gabriel Matos, artista da mostra Constelações Contemporâneas
Artista visual e diretor de arte, Gabriel Matos transforma memórias do interior em obras que cruzam objeto, afeto e território
atualizado
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Aos 24 anos, Gabriel Matos chega à mostra Constelações Contemporâneas como um dos nomes que traduzem, em linguagem visual, deslocamentos, memórias e afetos ligados ao interior do país. Nascido em Ceilândia (DF) e criado em Bonfinópolis de Minas (MG), o artista visual e diretor de arte constrói uma produção que parte do cotidiano para discutir pertencimento, contrastes e a relação íntima entre matéria e experiência.
Conheça a trajetória de Gabriel Matos
- Origem e formação: nasceu em 2001, em Ceilândia (DF), e é formado em Comunicação Social pelo UniCeub.
- Território como eixo: a vivência no interior mineiro atravessa sua pesquisa artística.
- Linguagens híbridas: transita entre fotografia, escultura, instalação e têxtil.
- Afeto e memória: objetos cotidianos ganham novos sentidos por meio da intervenção artística.

Do interior ao circuito de arte
A relação de Gabriel Matos com a arte não começou como um plano de carreira. O artista conta que o reconhecimento de sua produção como artística surgiu de forma espontânea, especialmente após a mudança do interior para Brasília e o ingresso na graduação em Comunicação Social.
“Na minha realidade, por falta de acesso e informação, isso sequer existia como possibilidade”, relata.
Esse deslocamento — físico e simbólico — foi determinante para o desenvolvimento de sua pesquisa. Experiências como o êxodo rural, a relação com a terra e o universo do lar se tornaram matéria-prima recorrente em seu trabalho. Fora do eixo acadêmico tradicional das artes, Gabriel enfrentou desafios para se inserir no circuito, mas a persistência e a presença constante abriram caminhos. Integrar Constelações Contemporâneas, segundo ele, representa uma conquista e motivo de orgulho.
Artista transita por diferentes linguagens
A produção de Gabriel Matos parte do objeto como ponto central. A partir dele, o artista transita por diferentes linguagens, exploradas de forma expandida. Fotografia, escultura, instalação e têxtil se cruzam em trabalhos marcados pelo contraste — tanto simbólico quanto material.
O artista se interessa especialmente pela ideia de oximoro, aproximando elementos opostos que, em essência, dialogam entre si. Muitos dos materiais utilizados vêm do cotidiano e do universo interiorano, ressignificados para expressar sentimentos, memórias e afetos por meio da intervenção.
Processo criativo atravessado pelo cotidiano
Mais do que um método fechado, o processo criativo de Gabriel é guiado pelos atravessamentos do mundo exterior. As idas e vindas entre Bonfinópolis de Minas e Brasília, os objetos encontrados pelo caminho e as trocas com outros artistas alimentam sua produção.
Essa relação íntima com o entorno cria um universo particular, no qual experiências pessoais se transformam em obras abertas à interpretação, mantendo uma forte conexão com o sensível e o vivido.
A obra e o encontro com o público
Ao trabalhar com materiais corriqueiros, Gabriel Matos acredita que suas obras estabelecem uma relação direta com o público. A familiaridade dos objetos desperta memórias, provoca associações e convida o visitante a projetar seu próprio repertório sobre a obra.
Mesmo com uma pesquisa conceitual consistente, o artista prefere não limitar as leituras possíveis. Para ele, quanto mais polissêmica a obra, mais viva ela se torna. Entre memória, intimidade e afeto, sua produção também propõe inquietações técnicas, questionando fronteiras entre arte, artesanato, bordado e os limites — ou dissoluções — dessas definições.

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
André Santangelo, Antonio Obá, Bruna Zanatta, Carlos Lin, Capra Maia, Camila Soato, Celso Junior, Courinos, Christus Nobrega, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, DuplaPlus, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Léo Tavares, Luisa Gunther, Maria Porto, Marina Fontana, Marcos Anthony, Nelson Maravalhas, Patricia Monteiro (Pam), Pamela Anderson, Patricia Bagniewski, Paula Calderón, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victória Serednicki e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita








