Conheça Helena Lopes, artista da mostra Constelações Contemporâneas
Helena Lopes está na mostra que reunirá cerca de 40 artistas para celebrar a diversidade da produção contemporânea desenvolvida em Brasília
atualizado
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Helena Lopes é um dos nomes mais sólidos e respeitados da cena artística de Brasília. A artista é uma das participantes da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília que ocupará o Foyer da Sala Villa Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro. A mostra, uma produção do Metrópoles, reunirá cerca de 40 artistas para celebrar a diversidade da produção contemporânea desenvolvida em Brasília.
Formada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília (UnB), Helena destacou-se nos anos 1980 como gravadora em metal — técnica exigente e fisicamente rigorosa — e como professora dedicada à formação de novos artistas. Ao lado da também artista Stella Maris Figueiredo Bertinazzo, ela fundou o Ateliê de Gravura da UnB, que mais tarde evoluiu para o Núcleo de Gravura do Instituto de Artes da universidade, um espaço que influenciou gerações de gravuristas.
A partir de 1998, Helena escolheu expandir seu repertório para além da gravura, dedicando-se à pintura e às interfaces entre imagem, impressão e tecnologia. Em exposições recentes, como Do chão para o chão, no Museu Nacional da República, ela tem explorado narrativas visuais que misturam fotografia, vídeo, manuscritos e arte digital, refletindo sobre memória, experiência e identidade.
“Meu trabalho nasce da memória — memória dos lugares por onde passei, das experiências que vivi, das coisas que me atravessaram e deixaram marcas”, comenta ao Metrópoles. “Não trabalho a partir de uma ideia de cidade, paisagem ou arquitetura como tema, mas a partir daquilo que permanece em mim depois do encontro com esses espaços.”

Para ela, a pintura é um momento de revisitar: cada obra é uma tentativa de compreender, reorganizar e renovar essas memórias. “Não há um sentido dramático, mas um movimento de escuta e transformação. O que foi vivido retorna como gesto, como camada, como matéria — sempre abrindo caminho para uma nova pesquisa.”
“Meu processo é profundamente orgânico e corporal. Trabalho com o movimento da mão, do braço, com o amassar, espalhar, apagar, revelar. Sou mais do corpo do que da razão; mais do fluxo do que do projeto”, destaca.
Reconhecida tanto no Brasil quanto internacionalmente, Helena Lopes continua ativa não apenas como artista mas também como agente cultural, organizando eventos e mantendo diálogos com artistas de diferentes gerações — como mostrou sua participação na mostra Órbitas Abstratas, no Sesc Niterói, que reuniu gravuristas contemporâneas em uma investigação sobre a abstração na gravura.
Para Helena, a exposição vai além da ideia de apresentar obras ao público: trata-se de criar um espaço de escuta e presença. “Minha expectativa é que essa exposição seja um lugar de encontro sensível entre o trabalho e o público, onde cada pessoa possa se aproximar não a partir de explicações, mas de sensações e memórias próprias”, afirma.

A escolha do Teatro Nacional também tem peso simbólico nesse diálogo. Segundo a artista, o edifício não funciona apenas como cenário, mas como parte viva da experiência. “O Teatro Nacional Claudio Santoro, com sua história e sua presença na cidade, também carrega camadas de tempo e experiência”, diz.
Na visão de Helena, as obras devem se inserir no espaço como vestígios — provocando pausas e abrindo caminhos íntimos para quem visita. “Desejo que as obras possam habitar esse espaço como quem deixa rastros, abrindo frestas para que o visitante se reconheça, se demore, se escute”, completa.
Ela resume o objetivo com delicadeza: “Mais do que mostrar um conjunto de pinturas, espero criar um campo de ressonância, onde a matéria, o gesto e o silêncio possam provocar pequenas pausas — e, quem sabe, novos começos”.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.

Confira os nomes dos artistas participantes:
André Santangelo, Antonio Obá, Bruna Zanatta, Carlos Lin, Capra Maia, Camila Soato, Celso Junior, Courinos, Christus Nobrega, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, DuplaPlus, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Léo Tavares, Luisa Gunther, Maria Porto, Marina Fontana, Marcos Anthony, Nelson Maravalhas, Patricia Monteiro (Pam), Pamela Anderson, Patricia Bagniewski, Paula Calderón, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victória Serednicki e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
