Conheça Maria Porto, que estará na mostra Constelações Contemporâneas

A artista brasiliense é um dos destaques da exposição, que estará no Teatro Nacional Claudio Santoro

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Maria Porto / Constelações Contemporâneas
1 de 1 Maria Porto / Constelações Contemporâneas - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A pintura, para Maria Porto, é menos um objeto fixo e mais um campo de atravessamentos. A artista visual constrói uma trajetória marcada pela investigação constante dos limites — do suporte, da imagem, da memória e da própria experiência estética. Ela é uma das participantes da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que ocupará o Foyer da Sala Villa Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro. A mostra, uma produção do Metrópoles, reunirá cerca de 40 artistas para celebrar a diversidade da produção contemporânea desenvolvida em Brasília.

Mestre em Educação em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade de Brasília (PPGAV/UnB), Maria Porto desenvolve uma produção que caminha em sintonia com sua pesquisa teórica. Seu trabalho parte do questionamento sobre onde começa e onde termina uma obra. Em Contínua, as pinturas não se encerram em uma única superfície: elas se desdobram pelo espaço expositivo, começando em um ponto e “terminando” em outro.

Obra de Maria Porto

“Me interesso pelas investigações acerca dos rastros do recordar, permeando os limites do real e do ficcional, também como os limites da obra em si, sugerindo deslocamentos a partir do objeto pictórico”, afirma ao Metrópoles.

A partir dessa perspectiva, ela passou a investigar o limite físico da obra de arte. “Me comunico através da pintura, com cores fortes e texturas voluptuosas, porém, o que em um primeiro momento transparece vivacidade, mistura a ludicidade à melancolia, através de apagamentos e cisões, físicas e imaginárias.”

Essa inquietação ganha forma na série Contínua, apresentada na exposição Constelações Contemporâneas.

Obra de Maria Porto

O espectador, diante desse arranjo, não consegue apreender a totalidade da imagem de uma só vez. É preciso deslocar-se, caminhar, olhar de diferentes ângulos. A experiência deixa de ser frontal e passa a ser corporal.

Ao propor essa dinâmica, Maria Porto desloca também a ideia de contemplação passiva. O público é convidado a participar ativamente, tornando-se elemento fundamental na construção de sentido. “O trabalho não precisaria respeitar o limite físico, status usual de uma pintura. Com isso, dei início à minha pesquisa acerca da continuidade da obra, pensando em como trazer o deslocamento espacial para a mesma.”

O espaço expositivo deixa de ser mero suporte e se transforma em extensão da obra. A pintura, tradicionalmente associada à bidimensionalidade, adquire uma dimensão expandida, quase arquitetônica.

Maria Porto

Entre os recursos utilizados, está o tecido pelúcia, que introduz uma camada tátil e inesperada à superfície pictórica. Em alguns casos, uma obra se apresenta como negativa da outra, criando um jogo de espelhamentos e ausências. Ao romper o limite físico convencional da tela, a artista imprime ao trabalho uma qualidade “objetual”, aproximando a pintura de uma escultura ou instalação.

A memória é outro eixo central em sua poética. Maria Porto investiga os “rastros do recordar”, explorando os limites entre o real e o ficcional. Suas obras sugerem que lembrar não é reproduzir fielmente um acontecimento, mas reconstruí-lo por meio de lacunas, apagamentos e sobreposições. As fissuras — físicas e imaginárias — presentes em suas pinturas ecoam essa ideia. O que se vê é, ao mesmo tempo, presença e ausência, permanência e ruptura.

Obra de Maria Porto

“Minha produção atual está voltada à pintura de dípticos, contendo a mesma ‘imagem’ retratada, porém com cisões feitas a partir de outros materiais, como o tecido pelúcia, onde uma pintura tornasse negativa da outra, rompendo com o limite físico, trazendo assim uma qualidade ‘objetual’ para o trabalho pictórico”, comenta.

Com cores fortes e texturas marcantes, Maria Porto mistura vivacidade e tensão. Suas obras exploram os rastros da memória e transitam entre o real e o ficcional, combinando elementos lúdicos com apagamentos e rupturas visuais.

Maria Porto

Participar da exposição Constelações Contemporâneas carrega um significado especial para a artista. “Enquanto artista visual, nascida e criada em Brasília, me sinto imensamente honrada com o convite para participar dessa exposição que reúne tantos outros artistas importantes da arte contemporânea do Distrito Federal, espero poder agregar a essa mostra e apresentar meu trabalho para diversos públicos.”

Ao expandir os limites da pintura, Maria Porto reafirma a potência da arte contemporânea produzida em Brasília. Sua obra não apenas questiona fronteiras formais, mas também convida o público a refletir sobre os próprios modos de ver e lembrar. Em um cenário artístico cada vez mais atento às relações entre espaço, corpo e imagem, sua pesquisa se insere como uma constelação própria — feita de cor, matéria e deslocamento.

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.

O Foyer da Sala Villa-Lobos foi restaurado recentemente

Confira os nomes dos artistas participantes:

André Santangelo, Antonio Obá, Bruna Zanatta, Carlos Lin, Capra Maia, Camila Soato, Celso Junior, Courinos, Christus Nobrega, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, DuplaPlus, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Léo Tavares, Luisa Gunther, Maria Porto, Marina Fontana, Marcos Anthony, Nelson Maravalhas, Patricia Monteiro (Pam), Pamela Anderson, Patricia Bagniewski, Paula Calderón, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victória Serednicki e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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