Conheça Raquel Nava, artista da exposição Constelações Contemporâneas
Artista brasiliense Raquel Nava estará na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que ocupará o Teatro Nacional
atualizado
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Raquel Nava construiu uma trajetória marcada pela experimentação e pelo diálogo entre arte e ciência. A artista visual é um dos destaques na mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, em cartaz no Teatro Nacional Claudio Santoro. A exposição é uma produção do Metrópoles.
Com uma produção que atravessa pintura, desenho, escultura, objeto, fotografia e instalação, Raquel desenvolveu uma linguagem própria que transita entre diferentes suportes. Porém, a brasiliense mantém uma paleta de cores e uma investigação conceitual que conectam toda a sua obra.

A pintura sempre foi uma base importante em sua formação, mas foi a pesquisa realizada ao longo de mais de 10 anos no Museu de Anatomia Veterinária e no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília que marcou profundamente seu percurso.
Nesse período, a artista aprendeu técnicas como taxidermia e processos de preservação de matéria orgânica — elementos que passaram a integrar sua produção e a se tornar uma assinatura reconhecida pelo público.
Hoje, no entanto, Raquel afirma que está encerrando um ciclo.
“Estou me distanciando das carcaças neste momento, para trabalhar com algo mais sugestivo ou sensorial sobre a experiência desse laboratório”, explica. A investigação da natureza, sob um prisma menos idílico e mais complexo, continua sendo central, mas agora ganha novos contornos.

Um retorno emocionante ao Teatro Nacional
Expor no Teatro Nacional Claudio Santoro tem um significado afetivo especial para a artista. “A minha expectativa com exposição no Teatro Nacional é que seja uma grande celebração entre artistas da cidade e público”, comenta.
Raquel afirma que frequentou muito o espaço no período em que era estudante. “Tenho muitas lembranças que me marcaram. Voltar a frequentar o Teatro Nacional, ainda mais agora sendo reconhecida como uma artista da cidade, é algo que me emociona demais”, destaca a brasiliense.

Processo criativo: rotina e imprevisibilidade
O processo de criação de Raquel Nava é atravessado por diálogos com outras artes e áreas do conhecimento. Suas duas últimas exposições — ENVENENADA: profanações e polimorfismos tonais e CONTAMINADA: polímeros canibais — fazem parte de uma pesquisa que deve se desdobrar em uma trilogia.
Atualmente, a artista conclui seu doutorado na Universidade de Brasília e prepara o retorno à rotina de ateliê, que está em reforma. É nesse espaço que as ideias ganham corpo — ou se transformam completamente.

“No ateliê, começo com uma ideia ou com um material que me chamou atenção, sem saber direito onde quero chegar. Vou criando a partir do material e ele, às vezes, se comporta de um jeito inesperado. Para mim, essa é a graça: não saber onde vai chegar.”
A artista defende a disciplina da frequência, mesmo quando a inspiração não parece presente. “Ir ao ateliê sem vontade e, ainda assim, se surpreender. Ou produzir algo que depois será descartado. Gosto de ter uma rotina de ateliê, mas não gosto da previsibilidade do que acontece lá”, resume.

Entre matéria orgânica, ciência, memória e experimentação, Raquel Nava constrói uma obra que tenciona fronteiras — entre natureza e cultura, pureza e impureza, controle e acaso — convidando o público a experimentar a arte como um campo vivo de contaminações e descobertas.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meirelles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serednicki e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De abril a junho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
