Quem é André Santangelo, artista da mostra Constelações Contemporâneas

André Santangelo é um dos artistas que integrará a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, no Teatro Nacional

atualizado

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Reprodução/Nick Elmoor
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1 de 1 andre santangelo - Foto: Reprodução/Nick Elmoor

A exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília ocupará o Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, a partir de abril. Realizada pelo Metrópoles Arte, braço cultural do Grupo Metrópoles, a mostra reunirá cerca de 40 artistas que transitam entre diferentes linguagens e técnicas — incluindo André Santangelo, artista visual cuja trajetória é marcada pela experimentação que recusa limites formais.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Santangelo construiu uma obra que abrange fotografia, desenho, pintura, instalação, vídeo e som, sempre a partir de um pensamento visual profundamente poético. Formado pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ) e pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (DF), onde também atuou como professor por uma década, o artista mantém, desde o fim dos anos 1990, uma prática intensa de ateliê.

Obra de André Santangelo

Sua produção diária dá origem a imagens, textos, fotomontagens, áudios e videoinstalações que se conectam como fragmentos de um mesmo universo. Pós-graduado em história da arte, Santangelo também teve papel fundamental nos bastidores da cena cultural de Brasília, ao participar da produção de mais de 40 exposições no Museu de Arte de Brasília e no Museu Nacional.

Um dos eixos centrais de sua pesquisa está na criação de imagens a partir da sobreposição de dois registros fotográficos. “Desde cedo me interessei muito pelas artes e pelas técnicas clássicas, mas também pelas tecnologias que foram surgindo.”

“Me interessa produzir imagens — e até criar obras que sejam apenas estímulos para imaginar, usando só áudio ou frases”, explica o artista.

A partir dessa inquietação, ele desenvolveu, ao longo de cerca de 20 anos, um método próprio que combina fotografias em uma única imagem, com paisagens que não pertencem totalmente a um lugar nem a outro.

André Santanelo se formou na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes

O resultado são composições que jogam com escalas, perspectivas e estados. Em muitas dessas obras, a água aparece como elemento recorrente, em seus diferentes estados, funcionando como metáfora de passagem, fluxo e instabilidade. Séries como Onde nasce a paisagem, Navego-me, Enquanto medito azul e Estratégias para naufrágios traduzem esse pensamento visual que se constrói mais por camadas do que por registros diretos.

“Fui entendendo melhor o meu processo criativo com o tempo, olhando para o que produzi ao longo de 20, 30 anos. Não é algo separado da vida, mas totalmente incorporado ao dia a dia”, explicou ao Metrópoles. “Não criamos a partir do nada. As obras vêm da nossa vida, das coisas que a gente lê, conversa, observa. É preciso estar atento, conectado ao que provoca, ao que instiga — não só ao que é belo.”

Criador integra a nova mostra do Metrópoles Arte

Nas exposições individuais, Santangelo amplia essa lógica para o espaço. “Costumo criar instalações com fotomontagens, pinturas e vídeos. As técnicas funcionam como instrumentos, cada uma cumprindo um papel dentro de um todo”, afirma. Essa articulação entre imagem e espaço ganha agora um novo capítulo na exposição coletiva, que conta com curadoria e arquitetura expositiva pensadas para potencializar o diálogo entre obras e ambiente.

Sobre o convite, o artista demonstra entusiasmo. “A curadora é fera, o espaço é incrível. Sou apaixonado por aquele lugar. Tive a honra de expor lá em 1999 e 2000, um momento muito importante da minha carreira. Voltar agora tem um peso simbólico enorme.”

Na exposição, o trabalho de André Santangelo convida o público a desacelerar o olhar e a se perder — entre nuvens, superfícies, memórias e camadas — em imagens que não se oferecem de imediato, e, sim, que se revelam aos poucos, como paisagens internas em constante transformação.

A exposição irá ocorrer no Foyer da Sala Villa Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro
O Foyer foi revitalizado para a realização da primeira edição do Metrópoles Catwalk, em novembro

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.

Confira os nomes dos artistas participantes:

André Santangelo, Antonio Obá, Bruna Zanatta, Carlos Lin, Capra Maia, Camila Soato, Celso Junior, Courinos, Christus Nobrega, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, DuplaPlus, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Léo Tavares, Luisa Gunther, Maria Porto, Marina Fontana, Marcos Anthony, Nelson Maravalhas, Patricia Monteiro (Pam), Pamela Anderson, Patricia Bagniewski, Paula Calderón, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victória Serednicki e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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