Antonio Obá participa da exposição Constelações Contemporâneas
O artista é um dos grandes nomes da exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, no Teatro Nacional
atualizado
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O artista visual Antonio Obá é um dos nomes destaques da mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, no Teatro Nacional Claudio Santoro, em uma nova produção do Metrópoles. A exposição reúne diferentes artistas da cena atual da cidade e propõe um diálogo entre linguagens e trajetórias que ajudam a compor um panorama da produção contemporânea no país.
O artista constrói uma produção marcada pela multiplicidade de linguagens e por um processo criativo em constante transformação. Transitando entre pintura, desenho, instalação e performance, ele define seu trabalho como uma tentativa contínua de dar forma a ideias ainda em construção. “Se trata de um exercício de linguagem que encontra vazão em certos interesses que tenho, mas me soa presunçoso precisar algo que está em constante processo de transformação”, explica.

Apesar disso, Obá evita estabelecer uma definição fixa para sua obra. Segundo ele, o resultado final apresentado ao público é apenas uma parte de um percurso mais amplo, muitas vezes instável e cheio de mudanças. O artista destaca que o processo criativo pode ser imprevisível e capaz de alterar completamente as certezas iniciais. “Creio que a definição que se faz de um trabalho, por vezes está limitada à percepção ante a obra pronta e exposta; mas o processo que a originou, não raro, é um terreno movediço que é extremamente competente em destituir certezas”, acrescenta.
Essa característica, para ele, é o que mantém o trabalho aberto a novas interpretações e em constante renovação. “Acredito que haja a boa intenção de definir algo do trabalho, mas a natureza do processo é competente em renovar mistérios. Por isso que a gente não cessa essa querela de traduzir a ideia.”

Destaque brasiliense
A participação em uma exposição no Teatro Nacional Claudio Santoro acontece em um momento simbólico. Fechado por mais de uma década, o espaço passou por um processo de reativação cultural, o que, na visão do artista, representa um avanço importante para o acesso às artes.
Obá chama atenção para o fato de Brasília ser reconhecida como patrimônio mundial e, ainda assim, enfrentar limitações na promoção cultural. Para ele, iniciativas que reabrem e ocupem esses espaços são fundamentais para garantir o acesso do público à produção artística.
O retorno ao teatro também tem um significado pessoal. Durante o período em que estudava na Faculdade Dulcina de Moraes, o artista frequentava o local com regularidade para assistir às apresentações da orquestra sinfônica.

“Em tempo, retornar como artista expositor ao Teatro Nacional Claudio Santoro, esse lugar de formação, no qual, por vezes, estudante de Artes na Faculdade Dulcina de Moraes, saía do CONIC, atravessava a rodoviária e acessava os portões do teatro para prestigiar as semanais apresentações da orquestra sinfônica, regida pelo maestro Claudio Cohen, enfim… é uma oportunidade ímpar agradecer e comentar da importância que espaços como esse são elementares à construção e manutenção da memória cultural, social e humana das pessoas. Me coloco como exemplo disso”, destaca.
A experiência, segundo ele, foi importante para sua formação e para a construção de repertório. Agora, ao voltar como expositor, ele reconhece o papel desses espaços na formação cultural e social do público.

Disciplina criativa
No ateliê, o processo criativo segue uma rotina disciplinada. Obá trabalha de forma sistemática, geralmente de segunda a sábado, acompanhando os caminhos que cada obra indica ao longo do desenvolvimento.
A prática inclui não apenas a execução técnica, mas também momentos de leitura, escuta e observação. Mesmo fora do tempo de produção, o artista mantém o pensamento voltado para o trabalho, em um processo contínuo de elaboração.

E salienta: “Faz bem para minha mente uma disciplina ordeira que envolve desde a prática física até os momentos de ócio criativo, nos quais leio, escuto músicas, seminários, como também os tempos de observância e silêncio.”
Embora descreva sua rotina como simples, ele aponta que o envolvimento constante com a obra pode ser exigente. Ainda assim, considera esse estado de atenção permanente como parte essencial da criação. Para Obá, a arte nasce justamente desse esforço de construir algo que ainda não está completamente definido — um processo que, mais do que respostas, levanta novas possibilidades e questionamentos.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antonio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, David Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De maio a julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
