Conheça Julio Lapagesse, artista da mostra Constelações Contemporâneas

Artista brasiliense une colagem, pintura e poesia em mostra que marca a retomada da produção artística no Teatro Nacional

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O artista visual Julio Lapagesse é um dos nomes que compõem a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, realizada pelo Metrópoles Arte. Com uma trajetória moldada pelo diálogo entre a capital federal e São Paulo, Lapagesse apresenta obras que desafiam a linearidade, utilizando o desenho e a colagem como ferramentas de “escavação” visual. Sua participação celebra não apenas sua maturidade artística, mas também o retorno do Teatro Nacional como palco vital para a arte local, espaço que foi cenário de suas primeiras referências estéticas na infância.

Entenda

  • Formação e coletividade: graduado pela UnB, Lapagesse consolidou sua prática em ateliês compartilhados e na gestão do icônico Espaço Breu (SP).

  • Hibridismo de linguagens: o trabalho transita entre o desenho, a colagem e a pintura, frequentemente atravessados por fragmentos de poesia escrita.

  • Processo de escavação: o artista utiliza enciclopédias e arquivos para reorganizar imagens, buscando sentidos latentes e o “incomum”.

  • Estética do mistério: suas obras não entregam respostas prontas, convidando o público a uma experiência de suspensão e investigação pessoal.

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A força do coletivo e a conexão Brasília-São Paulo

Para Julio Lapagesse, a arte nunca foi um exercício solitário. Embora o desenho tenha sido seu ponto de partida desde a infância, foi no ambiente acadêmico da Universidade de Brasília (UnB) que ele compreendeu a criação como um projeto de vida.

Essa visão coletiva o levou a integrar espaços como o Espaço Laje e o Ateliê Nova, culminando na fundação do Espaço Breu, na Barra Funda (SP), um polo que conectou artistas brasilienses ao circuito paulistano.

“Sempre me afirmei como um artista brasiliense e acredito nisso como potência”, afirma Julio. Mesmo com o trânsito constante entre as duas metrópoles, sua identidade visual carrega a bagagem da convivência e da troca, elementos que ele considera fundamentais para a oxigenação da produção contemporânea.

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Do fragmento à superfície: o método Lapagesse

O processo criativo de Lapagesse assemelha-se a um trabalho arqueológico. No silêncio do ateliê, que ele define como um “cosmo onde o tempo se suspende”, o artista se debruça sobre livros antigos e arquivos digitais em busca de imagens que despertem curiosidade.

A técnica da colagem surge como o motor principal para criar tensões:

“A colagem me interessa como um procedimento capaz de produzir encontros inesperados. Ela cria deslocamentos que permitem pensar o fragmentário e o que escapa às narrativas lineares.”

Recentemente, essa pesquisa se expandiu para a pintura, em que as cores e texturas servem como campo de reorganização para as colagens prévias.

O diferencial, porém, reside na palavra. Poeta bissexto, Julio incorpora fragmentos de escrita em suas telas, fazendo com que a poesia e a imagem se contaminem mutuamente, ampliando as camadas de leitura de cada peça.

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Diálogo no Teatro Nacional: memória e presença

Expor na mostra Constelações Contemporâneas tem um sabor de reencontro. Julio recorda com nostalgia o impacto de ter visto uma exposição de Yoko Ono no subsolo do Teatro Nacional nos anos 1990. Agora, ele retorna ao local como protagonista, inserindo suas obras em um campo de relações com a arquitetura e com o trabalho de colegas admirados.

Para o visitante, o artista espera proporcionar mais do que uma observação passiva. O objetivo é a inquietação. Ao apresentar imagens que não se revelam de imediato, Lapagesse convida o espectador a desacelerar. “O mistério é um elemento importante. Espero que o visitante encontre um espaço de suspensão, onde seja possível envolver-se com as perguntas que as imagens provocam, em vez de buscar respostas prontas”, conclui.

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.

O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026.

Foyer da Sala Villa-Lobos no Teatro Nacional

Confira os nomes dos artistas participantes:

Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Davi Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto.

A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.

Serviço

Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília

De 5 de maio a 5 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional

Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita

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