Marina Fontana integra a exposição Constelações Contemporâneas
Desde a infância, Marina Fontana foi cercada por referências afetivas e estéticas; sua arte estará exposta na nova mostra do Metrópoles
atualizado
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“Minha trajetória na arte nasce de conexões entre memória, paisagem e sensibilidade”. É assim que Marina Fontana, mineira de Belo Horizonte, mas criada em Brasília desde os 3 anos de idade, define o percurso que orienta sua produção artística. A artista está confirmada na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que ocupará o Foyer da Sala Villa Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro.
A mostra, uma produção do Metrópoles, reunirá cerca de 40 artistas para celebrar a diversidade da produção contemporânea desenvolvida em Brasília.
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB), Marina Fontana dedicou mais de duas décadas a essa profissão, absorvendo o rigor do traço, a organização do espaço e a relação entre forma e função. Nesse caminho, a arte sempre esteve presente na sua vida.
“Desde a infância, fui cercada por referências afetivas e estéticas. Meus pais, apreciadores de arte, incentivavam minha participação em atividades artísticas, enquanto a trajetória da minha avó materna — pintora de naturezas-mortas e paisagens de Ouro Preto e do Rio de Janeiro — me apresentava a beleza da criação como forma de expressão e permanência”, conta a artista ao Metrópoles.

Brasília como campo de observação
Para ela, crescer em Brasília significou também ser tomada por sua paisagem singular. A “cidade-parque”, concebida na integração entre arquitetura e natureza, revelou-se como um campo de observação constante.
O cerrado, com sua força silenciosa, suas árvores de troncos densos e cascas que se desprendem, e suas florações intensas, marcou profundamente minha percepção do mundo. Foi ao lado do meu pai, em suas incursões fotográficas, que aprendi a contemplar: a perceber o instante, a luz, o detalhe. Esse exercício de atenção tornou-se fundamento do meu fazer artístico.
Marina Fontana
Produção artística
Na fotografia, Marina registra detalhes “desse universo sensível” — texturas, formas, gestos da natureza — que posteriormente se transformam em pintura e colagem. “Meu percurso na pintura iniciou-se com a aquarela, técnica que me ensinou sobre fluidez e entrega, e evoluiu para a tinta acrílica, onde hoje desenvolvo a maior parte do meu trabalho, explorando camadas, transparências e gestualidades.”
A colagem, por sua vez, amplia esse processo, incorporando fotografias, papéis e tecidos em composições que nascem de um fluxo intuitivo e orgânico.
“Meu trabalho se constrói na busca por traduzir o invisível, o sensível, o espiritual, em forma. Minha produção reflete um olhar contemplativo e amoroso sobre a natureza, e a existência. Um convite para explorar a perspectiva de que a vida não ocorre em isolamento, mas somos como fios em uma tessitura contínua e entrelaçada entre o biológico e o existencial”, explica a mineira.

Participação na mostra
Segundo a artista, o Teatro Nacional é sinônimo de momentos felizes vividos em diferentes fases da vida. Sua arquitetura marcante e suntuosa, aliada ao exuberante paisagismo de Burle Marx em seu amplo foyer, reflete a magnitude do projeto de Oscar Niemeyer, um dos grandes ícones da arquitetura modernista brasileira.
“Frequentar esse espaço sempre foi uma experiência emocionante; poder, agora, fazer parte dele por meio desta exposição é uma honra imensa e uma alegria profunda”, alega Marina Fontana.
O que o público pode esperar
Marina conta que irá apresentar a série Pau-ferro Brasília, que traduz na tela a monumentalidade e delicadeza tátil de uma das árvores mais icônicas da flora brasileira.
Através de camadas fluidas e sobreposições cromáticas, a obra mimetiza o processo de renovação da árvore, cujas manchas e texturas revelam a passagem do tempo como uma forma de escrita natural.
“Tons de verde, ocre e terrosos fundem-se em um movimento vertical que evoca tanto a solidez do cerne quanto a leveza das cascas que se desprendem, sugerindo uma reflexão sobre a resiliência e vulnerabilidade da vida”, afirma a mineira.
A série Rizomas da Alma Brasília, que explora a indissociabilidade entre o biológico e o existentecial, também estará exposta.
“A composição manifesta a ideia de que a vida não ocorre em isolamento, mas em uma tessitura contínua e entrelaçada. A imagem se constrói como campo de conexões invisíveis, onde linhas e massas cromáticas parecem pulsar em crescimento contínuo, propondo uma pintura que se organiza como organismo vivo, em constante transformação”, conclui Marina Fontana.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.
O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026.

Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Davi Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF.
Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
ServiçoConstelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De 12 de maio a 5 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita








