DuplaPLUS integra a exposição Constelações Contemporâneas
DuplaPLUS estará presente na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que entra em cartaz em maio
atualizado
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A duplaPLUS surgiu como uma estratégia artística responsiva ao tratamento oncológico do bailarino Ary Coelho, companheiro e pai das filhas de Luisa Günther, que já não podia mais dançar. A proposta estará presente na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, que entra em cartaz em 5 de maio, no Teatro Nacional Claudio Santoro. O evento é mais uma realização do Metrópoles Arte.
DuplaPLUS foi o título dado a um processo de investigação de dois artistas, Ary Coelho (1972-2017) e Luisa Günther. Com o tempo, o termo passou a designar também a autoria, identificando uma estratégia de colaboração expandida para além das biografias.
“Tudo começou como um processo de acolhimento ao corpo fragilizado do Ary, em decorrência do tratamento oncológico ao qual estava submetido. Em um primeiro momento, seu corpo já não dançava como antes, e cuidar do corpo também fazia parte do tratamento e da busca pela cura”, explica Luisa.

Foi então que Ary Coelho e Luisa Günther passaram a propor microcoreografias para aquilo que os acompanhava naquele momento tão delicado. “Dançar para algo na paisagem; para um objeto; para um sentimento. Depois, as coisas foram ganhando novos contornos e complexidades.”
Após o desencarne de Ary em 2017, depois de dois anos de tratamento, Luisa Günther deu continuidade à investigação como forma de apego à presença dele; como forma de resistência à ausência dele; como celebração de sua memória.
“O processo criativo segue o mesmo formato de configurar microcoreografias para aquilo que me circunda. Sendo que, desta vez, ao invés de ser a fotógrafa, sou parte da imagem registrada — sempre por uma de nossas três filhas. Quando algo chama a atenção, busco o enquadramento e componho uma encenação entre corpo e paisagem; corpo e objeto; corpo e emoção.”

Participação na mostra
Segundo Luisa, a participação da duplaPLUS na exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília é um convite para o cultivo do olhar daquilo que não vemos ou que enxergamos, mas não prestamos atenção.
“O cotidiano é repleto de maravilhas, que brilham nos convidando à interação e ao registro. Tudo pode ser fotografado. Qualquer coisa pode ser protagonista em uma imagem. O corpo no espaço convida ao olhar atento para aquilo que conclama a nossa presença enquanto espectador também de nós mesmos”, afirma a artista.
As fotodanças/encenações surgiram como uma forma de resistência aos limites do corpo fragilizado. Durante dois anos (2015–2017), foram produzidas mais de 150 séries. O projeto foi premiado no Transborda, por Moacir dos Anjos.


Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista.
O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026.

Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Davi Almeida, Daniel Jacaré, Daniel Toys, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Julio Lapagesse, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Paula Calderon, Patrícia Bagniewski, Raquel Nava, Raylton Parga, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki, Patricia Monteiro, Renato Rios, Bruna Zanatta e Virgílio Neto
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF.
Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
ServiçoConstelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De 5 de maio a 5 de julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita
