Quem é Léo Tavares, artista da mostra Constelações Contemporâneas
Entre literatura e artes visuais, o artista radicado em Brasília explora a montagem para dar novos sentidos ao caos e à memória
atualizado
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O encontro entre a palavra e a imagem define a essência de Léo Tavares. Natural do pampa, mas radicado no cerrado, o artista é um dos nomes que compõem a mostra Constelações Contemporâneas, trazendo para o espaço expositivo uma obra que desafia as fronteiras entre gêneros e territórios. Com uma produção centrada na colagem e na assemblagem, Léo convida o público a um exercício de “espectador-leitor”, onde o texto não apenas informa, mas ganha corpo e visualidade.
Entenda a trajetória e o estilo de Léo Tavares:
- Hibridismo: sua obra transita entre as artes visuais e a literatura, diluindo as fronteiras entre o ler e o ver.
- Geografia afetiva: suas vivências entre o pampa gaúcho e o cerrado brasiliense influenciam o tema das “travessias” em seu trabalho.
- Técnica de montagem: utiliza prioritariamente a colagem e a assemblagem para ressignificar materiais e criar novas narrativas.
- Diálogo com o público: o artista busca despertar emoções e lembranças, propondo uma relação íntima e subjetiva entre a obra e quem a observa.

A arte como travessia
Para Léo Tavares, o ato de criar está intrinsecamente ligado ao movimento. Suas experiências pessoais são marcadas por deslocamentos geográficos e simbólicos. “Minha trajetória artística tem sido marcada por cruzamentos”, afirma o artista. Esse fluxo se reflete na exploração de binômios como o masculino e o feminino, a matéria e o pensamento, e as identidades subjetiva e coletiva.
Essa transição entre mundos — do Sul ao Planalto Central — moldou uma identidade artística que não se prende a um único rótulo, mas que busca justamente o que existe no intervalo entre diferentes linguagens.

O poder da ressignificação
No ateliê de Léo, o caos ganha ordem através da montagem. O foco principal de sua produção atual é a presença do texto na visualidade. Através da colagem (em superfície plana) e da assemblagem (em três dimensões), ele coleta fragmentos do mundo para gerar o que chama de “uma coisa terceira”.
“O que me atrai nesse universo é a possibilidade de combinar, ressignificar materiais e imagens, transformá-los”, explica.
O processo criativo, segundo ele, é variável e depende da confluência entre a inquietação poética e a oportunidade. É uma tentativa constante de dar sentido às aflições e aos movimentos da alma, sempre com um pé na poesia.

O espectador-leitor
Quem visita a mostra Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília e se depara com o trabalho de Léo Tavares é convidado a assumir um papel duplo. O artista almeja que o público se torne um híbrido de espectador e leitor literário. Embora reconheça que a experiência artística é intransferível e íntima, ele projeta um caminho de descobertas para quem percorre suas obras.
Em exposições coletivas, Léo enxerga a expografia como uma grande colagem viva. Para ele, o diálogo entre suas obras e os trabalhos de outros artistas funciona como os fragmentos que recorta: a combinação cria choques, aproximações e afastamentos que formam novos caminhos narrativos.
Emoção e discurso
Mais do que uma técnica apurada, a arte de Léo Tavares é um convite ao sensorial. Ele espera que seus trabalhos despertem percursos internos nos visitantes, ativando memórias e emoções que muitas vezes estão guardadas no subconsciente. Ao final, sua obra é um mapa aberto, onde cada “leitor” é livre para encontrar seu próprio norte.
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
A iniciativa amplia a atuação do Metrópoles no fortalecimento da cena cultural e na defesa de uma arte acessível a todos, apostando na ideia de constelação como fio condutor curatorial — um conceito que propõe encontros, diálogos e múltiplos pontos de vista. O projeto dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupa o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permanece aberta ao público até 13 de março.
Confira os nomes dos artistas participantes:
André Santangelo, Antonio Obá, Bruna Zanatta, Carlos Lin, Capra Maia, Camila Soato, Celso Junior, Courinos, Christus Nobrega, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, DuplaPlus, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Léo Tavares, Luisa Gunther, Maria Porto, Marina Fontana, Marcos Anthony, Nelson Maravalhas, Patricia Monteiro (Pam), Pamela Anderson, Patricia Bagniewski, Paula Calderón, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victória Serednicki e Virgílio Neto.
A exposição funciona como um manifesto da arte brasiliense, reunindo artistas de diferentes gerações, linguagens e pesquisas que ajudam a construir, diariamente, a identidade cultural do Quadradinho do DF. Com isso, ultrapassa sua herança modernista, apresentando Brasília como um organismo vivo, marcado por dinâmicas culturais, sociais e simbólicas em constante transformação.
Serviço
Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília
De 12 maio a 5 julho, no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional
Diariamente, das 12h às 20h, com entrada gratuita






