Estudantes do Itapoã visitam mostra Constelações Contemporâneas
Cerca de 170 estudantes da Escola Classe 01 participaram da exposição gratuita no foyer do monumento para ampliar o acesso à cultura

Cerca de 170 estudantes do ensino fundamental da Escola Classe 01 do Itapoã visitaram, nesta segunda-feira (22/6), a exposição Constelações Contemporâneas da Cena Artística de Brasília, realizada no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro.
Organizada pelo Metrópoles Arte com apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), a ação levou alunos do 3º, 4º e 5º ano para explorar o monumento, permitindo que as crianças fizessem perguntas e debatessem as criações de mais de 40 artistas locais. O objetivo principal do passeio cultural foi romper as barreiras da vulnerabilidade social e inspirar os jovens da comunidade por meio do contato direto com a produção artística e a arquitetura da capital federal.
Entenda
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Público beneficiado: o passeio cultural reuniu 170 alunos do 3º, 4º e 5º ano da Escola Classe 01 do Itapoã, acompanhados por educadores.
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Exposição local: a mostra Constelações Contemporâneas reúne trabalhos de mais de 40 artistas plásticos que vivem e produzem no Distrito Federal.
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Inclusão social: o projeto oferece acesso à cultura para crianças que vivem sob vulnerabilidade econômica e possuem poucas oportunidades de lazer.
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Informações da mostra: o evento ocorre no Foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional, funcionando diariamente das 10h às 20h com entrada franca.

O impacto da iniciativa pedagógica foi marcante para a comunidade escolar, já que muitos alunos nunca haviam saído de sua região administrativa ou entrado em um espaço cultural de grande porte.
A experiência ganhou um significado ainda mais profundo para os estudantes quando eles descobriram que um dos artistas plásticos com obras expostas no Teatro Nacional é morador do próprio Itapoã, Marcos Anthony. De acordo com o corpo docente, ver um vizinho ocupando um espaço de destaque na capital ajuda a elevar a autoestima dos estudantes e mostra a eles que a superação social e o sucesso profissional são caminhos possíveis, independentemente da realidade financeira atual.
Para os professores que acompanharam a comitiva, a atividade representa um momento único na infância dos estudantes, que muitas vezes sofrem com a falta de convivência familiar ampliada e de acesso ao lazer básico, como idas ao cinema ou ao shopping.
“A importância máxima dessa visita é devido a ser uma comunidade carente. Para eles saírem dessa rotina, é tudo. Teve um próprio artista do Itapoã na exposição e, para eles, verem que pessoas que estão no mesmo patamar têm essa oportunidade é extremamente importante”, destaca a professora do 5º ano, Vanderlúcia Bezerra do Vale.

O entusiasmo com a estrutura do Teatro Nacional e com a riqueza das telas e esculturas também foi compartilhado de forma direta pelos próprios alunos da rede pública.
“Esses passeios são importantes para aprendermos mais, ver as obras. Eu acho muito interessante as imagens e a gente saber a cultura. Nunca tinha visitado o teatro e achei muito interessante por causa da estrutura, as plantas e as obras. Ter artistas de Brasília aqui nos inspira”, celebrou o estudante João Miguel Gomes, de 10 anos.

A influência da arte no aprendizado
Pela tarde, mais alunos da Escola Classe 01 do Itapoã foram ao Teatro Nacional para prestigiar a mostra. Divididos entre turmas de 2° e 3° anos do ensino fundamental, os pequenos tiveram a oportunidade conhecer e aprender sobre as mais de 200 obras expostas.
Segundo a professora Renata Reis, que acompanhou a visita, experiências como essa proporcionam vivências únicas — que ultrapassam a sala de aula.
“Eles não têm o hábito de consumir arte, e, no mundo deles, isso é algo bem raro. É muito bom podermos discutir isso em sala de aula, especialmente em relação às cidades. Como eles podem ver fotos de outros lugares, acabam conhecendo novas realidades e vivências. Eu acho que essa troca é muito proveitosa para eles”, afirma em entrevista ao Metrópoles.
Depois de passeios como esse, a influência positiva é percebida na rotina escolar: “Como eles conversam bastante, adoram contar suas vivências. Os passeios trazem essa bagagem de outras culturas, e eles sempre trazem esses assuntos para debate durante as aulas”, relata a docente.
Por último, Reis reforça a importância do “ao vivo” para o crescimento interpessoal e para a parte cognitiva dos estudantes.
“Ver pessoalmente é totalmente diferente de ver apenas nos livros. Às vezes a gente até tenta inovar na aula, trazendo um vídeo, mas o contato ao vivo faz toda a diferença para eles. A vivência é outra”, conclui.
Conheça os artistas que integram a mostra
Confira os nomes dos artistas participantes:
Andre Santangelo, Antônio Obá, Bruna Zanatta, Camila Soato, Capra Maia, Carlos Lin, Celso Junior, Christus Nóbrega, Courinos, Daniel Jacaré, Daniel Toys, David Almeida, Desirée Feldmann, Gabriel Matos, Gisel Carriconde, Gu da Cei, Helena Lopes, Iris Helena, Julio Lapagesse, Karina Dias, Leo Tavares, Luísa Gunther e Dupla Plus, Marcos Antony, Maria Porto, Marina Fontana, Nelson Maravalhas, Pamela Anderson, Patricia Monteiro, Patrícia Bagniewski, Paula Calderon, Raquel Nava, Raylton Parga, Renato Rios, Rogério Roseo, Samantha Canovas, Taigo Meireles, Tamires Moreira, Valéria Pena-Costa, Victoria Serendinicki e Virgílio Neto
O evento dá sequência à repercussão positiva da exposição É Pau, É Pedra…, que ocupou o Teatro Nacional com mais de 200 obras de Sergio Camargo e permaneceu aberta ao público de 10 de dezembro de 2025 até 13 de março de 2026. O projeto marcou a bem-sucedida estreia do Metrópoles Arte.
A curadoria aposta na ideia de que os contrastes podem gerar novas leituras e ampliar o entendimento do conjunto, ou seja, “construir uma exposição em que as diferenças não se anulassem, mas se ativassem mutuamente”.

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