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Valter Longo quer chegar aos 110 anos. Aprenda a “hackear” sua longevidade

Ao avaliar os centenários, cientista desenvolveu a dieta que imita o jejum. Ele comprovou que o método é mais eficaz que a cetogênica

atualizado 03/09/2020 19:26

Valter Longo@prof_valterlongo/Reprodução/Instagram

Qual o segredo da longevidade? Enquanto algumas pessoas acreditam que depende da genética, outras afirmam que a chave para desvendar o enigma está nos hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, sono de qualidade e atividade física. O questionamento também “ferveu” os pensamentos da coluna Claudia Meireles. À procura de novidades sobre o tema, deparamo-nos com os estudos do professor Valter Longo, personagem da série de reportagens que traz as mentes brilhantes por trás de inovações de sucesso.

Longo já foi eleito pela revista Time como uma 50 das pessoas mais influentes na área da saúde pelas pesquisas sobre longevidade e prevenção de doenças graves. Visando chegar aos 110 anos com qualidade de vida, ele confirmou ser possível curar ou contribuir com o tratamento de diabetes, câncer e doenças cardíacas por meio da alimentação. O especialista é diretor do Instituto de Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia. Também ocupa o mesmo posto no Instituto IFOM de Oncologia Molecular, em Milão.

O rosto do cientista italiano não é desconhecido como o de outros parceiros de profissão. Valter Longo participou de The Goop Lab, série da Netflix protagonizada por Gwyneth Paltrow. Ele foi um dos entrevistados do quarto episódio, intitulado Buscando a cura.

Valter Longo
O cientista comprovou que dá para reverter e prevenir diagnósticos por meio da alimentação
Dieta

O PhD em neurobiologia analisou, durante 12 anos de ensaios clínicos, os benefícios da dieta que imita o jejum (fasting mimicking diet, em inglês) em pessoas com diabetes, hipertensão, câncer e esclerose múltipla. O método envolve uma alimentação estritamente regrada, com baixo teor de proteínas e açúcar, mas rica em gorduras saudáveis. O plano alimentar deve ser feito por cinco dias a cada três meses, sendo inspirado no cardápio mediterrâneo, por isso, tem como base peixes, legumes, grãos e frutas.

No primeiro dia da dieta, é necessário fornecer ao corpo em torno de 1.100 calorias, enquanto nos quatros dias seguintes, a quantidade é reduzida para 800. A “receita” funciona como um rejuvenescimento poderoso devido a processos corporais. Ao induzir o corpo a pensar que está em jejum, o organismo começa a suprimir todas as atividades, chegando a um momento em que as células danificadas “se matam” sobrando as boas. Longo define o ciclo como consumo de lixo celular a fim de desencadear a regeneração restauradora.

O profissional desenvolveu a dieta da longevidade ao viajar o mundo e ter como estudo os centenários. Ao notar hábitos em comum entre eles, formulou cinco pilares fundamentais em contribuir com a saúde e aumentar a duração da vida. Em meio a várias dietas existentes, a cetogênica faz sucesso pela bem-sucedida redução de peso. Contudo, o PhD verificou que o método famoso não é praticado entre os longevos nem comprovadamente eficaz em garantir o envelhecimento saudável, ao contrário do fasting mimicking diet.

Valter Longo
O biogerontólogo estuda a relação entre alimentação e longevidade há 30 anos
Esperança

O professor testou a dieta em si mesmo, e em voluntários tecnicamente saudáveis e diagnosticados com alguma comorbidade. Nos pacientes, o especialista monitorou a associação das doenças e de determinados alimentos. Com 30 anos de estudos de longevidade nutricional, o biogerontólogo confirmou a tese de que há como curar enfermidades e preveni-las a partir da alimentação, em especial, a dieta que imita o jejum. Ele cita como exemplo o câncer de mama.

“As células do câncer de mama normalmente não são detectáveis ​​pelo sistema imunológico. Agora, nós as tratamos com quimioterapia, fome e dieta que imita o jejum e o sistema imunológico agora os reconhece como alvos a serem destruídos”, explicita Longo em entrevista ao Neurohacker Collective. Os benefícios do plano alimentar se estendem a pessoas com colesterol, pressão, triglicerídeos ou glicose de jejum altos.

Segundo o PhD, todos os índices preocupantes diminuíram razoável ou muito nos pacientes com comorbidades. Contudo, os marcadores caíram significativamente em quem tinha níveis elevados. Na avaliação de Longo, a dieta que imita o jejum gera uma melhor resposta fisiológica ao corpo em relação a outros métodos tradicionais também no quesito de “tratar” o envelhecimento.

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O método contribui, ainda, na promoção da longevidade. Durante a dieta, as células de todo o corpo entram em um “modo antienvelhecimento” protegido, efeito com duração após o jejum. O mesmo ocorre com a queima de gordura abdominal. Longo comprovou que os participantes do grupo em jejum perderam, em média, 2,7 kg e experimentaram maiores reduções na medida da barriga em comparação às da equipe não adepta da metodologia.

Fundação Criar Curas

O mérito do italiano não se resume apenas às investigações científicas feitas por 30 anos. Longo desenvolveu a Create Cures Foundation (Fundação Criar Curas, em tradução do inglês). Seguindo à risca o que o nome diz, ele fundou a instituição filantrópica para apoiar pesquisas. O objetivo da ONG é evoluir, com rapidez, na estruturação de terapias criativas e integrativas direcionadas ao tratamento de doenças graves e identificar estratégias com o intuito de prevenir enfermidades, além de aumentar a duração da vida.

Para continuar com o trabalho de “dar a todos a oportunidade de uma vida saudável e longa”, o PhD doa os lucros obtidos com a venda de itens criados por ele, como o livro A Dieta da Longevidade: para uma vida saudável até aos 110 anos (2017). A fim de incentivar as pessoas a aderirem à dieta que imita o jejum, Longo desenvolveu um box com os alimentos, calculadamente necessários. Batizado de ProLon Fasting Mimicking Diet, o kit refeição contempla os cinco dias do método. A renda total adquirida é revertida à fundação.

Box Dieta Prolon
Kit da dieta ProLon para o adepto seguir o plano alimentar ao longo de cinco dias
Dieta Prolon
Ingredientes que compõem os alimentos do box dieta ProLon
De olho na família

Depois de adentrar nas pesquisas promissoras coordenadas por Longo, é válido ressaltar o currículo de peso do professor premiado. Aos 52 anos, o biólogo nasceu em Gênova, na Itália, país com o maior número de idosos em toda a Europa. Apesar de o levantamento ser atual, de 2020, a periodicidade da vida dos compatriotas sempre inquietou o cientista, desde a adolescência, época em que convivia com familiares centenários.

Ainda jovem, mudou-se para Chicago, nos EUA, por um desejo inusitado. Até descobrir-se dentro dos laboratórios, Longo fez uma breve passagem pelo mundo da música. Ele almejava ser guitarrista profissional. No entanto, não engatou a carreira e desistiu quando o obrigaram a chefiar a banda da faculdade. O dom com o instrumento serviu de passaporte para o italiano ingressar no Colégio de Música da Universidade do Norte do Texas.

Ao decidir mudar o rumo dos estudos, o universitário resolveu aplicar a expertise em nutrição e longevidade a uma curiosidade que o encucava. Morando com parentes norte-americanos, um detalhe despertou a atenção de Longo. A dieta deles era rica em gordura, carne e açúcar, e ainda sofriam de doenças cardiovasculares, realidade inimaginável na terra natal. “Instigado” pelos familiares, ele graduou-se em bioquímica pela Universidade do Norte do Texas, em 1992.

Equipe de trabalho de Valter Longo
O PhD lidera dois renomados centros de pesquisas de longevidade, sendo um nos EUA e outro na Itália
Mudança de hábitos

No mesmo ano, o recém-formado passou a atuar no primeiro laboratório especializado em “restrição alimentar”, comandado pelo médico gerontologista Roy Walford, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Por ironia do destino, Longo estava no processo de desenvolvimento de pressão e colesterol altos aos 25 anos. À época, ele lia o livro do mentor, intitulado de A dieta de 120 anos: como dobrar seus anos vitais (1986).

“Não tive escolha. Mas, sim, ele estava falando algo sobre: ‘Ei, se você mudar a dieta para esse modelo, seu colesterol e pressão arterial vão cair. Foi o que fiz e nunca tomei um medicamento na minha vida”, rememorou o cientista ao Neurohacker Collective. Longo completou a trajetória acadêmica com o PhD em bioquímica na UCLA, em 1997, e fez o treinamento de pós-doutorado em neurobiologia da doença de Alzheimer na Universidade do Sul da Califórnia, onde assumiu a direção do centro de pesquisas.

Valter Longo
A pesquisa de Longo foi promissora em pacientes com câncer, pressão alta e diabetes

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