Sintoma levou Gisele Bündchen a deixar veganismo; veja qual
A supermodelo Gisele Bündchen voltou a comer carne após desconfortos persistentes, e a ciência explica por que isso acontece com muita gente

Gisele Bündchen, que seguia uma alimentação vegana há anos, revelou recentemente que abriu mão do estilo de vida e voltou a consumir proteína animal. O motivo declarado por ela foi direto: a dieta estava prejudicando sua digestão de forma significativa. Gases, inchaço e desconforto intestinal persistente. E o vilão da história, segundo a própria modelo, era um alimento extremamente popular no Brasil: o feijão.

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Ver todasA reação imediata de muita gente foi de ceticismo. Como um alimento tão comum, presente no prato de praticamente todo brasileiro, pode ser problema para alguém? A resposta está na bioquímica.

Feijão
O feijão pertence ao grupo das leguminosas e é, nutricionalmente, um alimento de alto valor. Rico em proteína vegetal, fibras, ferro e carboidratos complexos.
O problema está justamente em algumas de suas moléculas. As leguminosas contêm substâncias chamadas oligossacarídeos, carboidratos de cadeia curta que o intestino delgado humano não consegue digerir completamente.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesQuando chegam ao intestino grosso, essas moléculas são fermentadas pelas bactérias intestinais, e o resultado dessa fermentação são gases, distensão abdominal e desconforto, exatamente o que Gisele descreveu.
Antinutrientes
Existe também outra categoria de compostos relevantes nessa história: os antinutrientes. Lectinas e fitatos, presentes em leguminosas, podem interferir na absorção de minerais e irritar a mucosa intestinal em pessoas com maior sensibilidade.
Para a maioria das pessoas, o preparo adequado (deixar o feijão de molho por horas e cozinhar bem) reduz bastante esses compostos. Em indivíduos com microbiota intestinal desequilibrada ou maior sensibilidade gastrointestinal, o desconforto pode persistir mesmo com o preparo correto.
Aqui entra um ponto que a nutrição moderna tem enfatizado cada vez mais: não existe uma dieta universalmente ideal para todos os corpos. O conceito de bioindividualidade, ou seja, a ideia de que cada organismo responde de forma diferente aos mesmos alimentos, tem respaldo crescente na literatura científica.
O que funciona perfeitamente para uma pessoa pode gerar inflamação, desconforto e deficiências em outra. Microbiota intestinal, genética, histórico de saúde, nível de estresse e qualidade do sono são variáveis que influenciam diretamente como cada corpo processa o que come.
Desafio em dietas veganas
No caso específico de dietas veganas, há um desafio adicional que vai além da digestão. A ausência de proteína animal exige planejamento rigoroso para garantir a ingestão adequada de vitamina B12, ferro heme, zinco, ômega 3 de cadeia longa e aminoácidos essenciais, como a creatina.
Sem acompanhamento nutricional especializado, deficiências silenciosas podem se instalar ao longo de meses ou anos, manifestando-se em fadiga, queda de cabelo, alterações de humor e perda de massa muscular, sintomas que muitas pessoas não associam imediatamente à alimentação.
A decisão de Gisele não invalida o veganismo como escolha alimentar ou ética. Mas levanta uma questão legítima que a narrativa popular em torno das dietas plant-based frequentemente ignora: seguir uma dieta restritiva sem acompanhamento profissional e sem atenção aos sinais do próprio corpo é um risco real, independentemente de qual seja essa dieta.
O corpo comunica quando algo não está funcionando. Gases crônicos, inchaço persistente, fadiga sem explicação e alterações no trânsito intestinal são sinais que merecem investigação, não normalização. Gisele ouviu o próprio corpo. Essa, talvez, seja a lição mais importante da história toda.

































