Buritizáveis se atacam sem piedade em debate do Metrópoles

Na reta final da campanha eleitoral, candidatos ao GDF "saíram das cordas" e protagonizaram embates quentes

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 25/09/2018 13:12

“Pinóquio, incompetente, corrupto, bandido.” A 13 dias das eleições, os candidatos ao Governo do Distrito Federal elevaram ainda mais o tom e trocaram insultos durante o debate promovido pelo portal Metrópoles em parceria com sete rádios na noite dessa segunda-feira (24/9). Durante três horas, vários temas serviram de combustível para perguntas, réplicas e tréplicas carregadas de ironias e dedos em riste. Do lado de fora do Teatro dos Bancários, na 314/315 Sul, onde ocorreu o evento, verdadeiras “torcidas organizadas” entoavam gritos de guerra em apoio aos aspirantes ao GDF.

Figurando na quarta colocação nas recentes pesquisas de intenção de voto, Rodrigo Rollemberg (PSB) saiu das cordas e disparou críticas pesadas aos três adversários que estão à sua frente nos levantamentos: Eliana Pedrosa (Pros), Alberto Fraga (DEM) e Ibaneis Rocha (MDB), e garantiu que, até 7 de outubro, “vai esquentar ainda mais”.

O socialista insinuou que empresas de Eliana Pedrosa participaram de esquemas quando uma das companhias dela tinha participação na gestão dos cemitérios da cidade. “A senhora não deu conta dos mortos, como daria dos vivos?“. Eliana rebateu, dizendo que acionaria o candidato à reeleição na Justiça e ressaltou que o atual governador “entrou em desespero”.

Assista ao debate na íntegra:

Rollemberg também protagonizou discussões acaladoras com Fraga, a quem acusou de “andar armado por ter medo do povo”. Ele ainda citou a condenação de 4 anos e 2 meses de Fraga pelo crime de concussão por supostas irregularidades cometidas na época em que o coronel aposentado da PMDF chefiava a Secretaria de Transportes.

“Você hoje foi condenado por cobrança de propina, quando era da Secretaria de Transportes. Se em vez de cobrar propina estivesse fazendo uma gestão para melhorar, a secretaria hoje estaria melhor”, disse.

Fraga, por sua vez, acusou o governo Rollemberg de usar a máquina pública para “produzir essa condenação contra mim”. “O Pinóquio tem o nariz grande e as pernas curtas. A política não pode ser tão baixa. Isso tudo é desespero batendo à porta de quem está em quarto nas pesquisas”, respondeu.

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O emedebista Ibaneis Rocha também usou a tática de “metralhar” os adversários mais bem pontuados pelos institutos. Ao dirigir a palavra a Fraga, relembrou uma frase do deputado: “Político precisa receber um bom salário para não ser corrupto”. Além disso, Ibaneis desafiou Fraga a abrir mão do salário como parlamentar, pois, “com o soldo de coronel aposentado da PMDF é possível viver muito bem”.

Fraga retrucou, destacando que o adversário é o mais rico entre os postulantes ao Buriti e apontou incoerência em seu discurso de abrir mão do salário de governador. “Se eu tivesse seu dinheiro, nem na política eu estaria. Você anda despejando dinheiro pela cidade. Então, a população precisa começar a entender: como alguém gasta mais de R$ 15 milhões numa campanha e diz que não vai ganhar nada em quatro anos?”.

Jornalistas pressionam
No segundo bloco do debate mediado pela diretora de redação do Metrópoles, Lilian Tahan, e pelo diretor da Rádio Metrópoles FM, Toninho Pop, os jornalistas do portal fizeram perguntas aos aspirantes ao GDF.

Júlio Miragaya (PT) falou sobre a estratégia de usar parte do horário eleitoral para fazer a defesa do ex-presidente Lula, preso no âmbito da Operação Lava Jato. Miragaya confirmou que pretende, sim, manter o discurso de que Lula é um preso político. “A condenação dele foi uma forma de tirá-lo das eleições. A Justiça agiu de forma parcial”.

O petista também respondeu se o pífio desempenho nas pesquisas reflete o fato de ser correligionário de Agnelo Queiroz, que nem sequer conseguiu chegar ao segundo turno nas eleições de 2014. “O Agnelo realizou muita coisa. O Rollemberg fica criticando, mas o serviço público está deteriorado, o que não acontecia no governo Agnelo”, despistou.

Fátima Sousa (PSol) teve de explicar uma incoerência apontada em seu plano de governo, que traz poucas referências a lutas históricas da legenda, como reforma agrária e acesso a moradias. “Todas as bandeiras do partido foram incorporadas ao nosso plano de governo. E, se não foi, é porque está sendo construída a várias mãos”, explicou.

Paulo Chagas (PRP) foi colocado contra a parede pela apresentadora da Rádio Metrópoles Carmela. Ela quis saber do general quais políticas ele terá para as mulheres, uma vez que é aliado de Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência da República com histórico polêmico de declarações contra o público feminino.

“Minha intenção não é fazer mais uma delegacia da mulher, é fazer com que as que existem funcionem. Temos visto o incremento desse crime e pretendo incluir, em cada delegacia, um setor para atender as mulheres em risco”, disse.

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Ataques pessoais
Durante o embate, os candidatos não se limitaram a focar na discussão de ideias para melhoria do DF.  Por diversas vezes ocorreram ataques pessoais. Ibaneis Rocha, por exemplo, acusou Alexandre Guerra (Novo) de ter quebrado a rede fast food Giraffas – empresa da sua família. “Já sei que sua empresa está quebrada e, por isso, seu pai voltou [ao comando]. Quem não consegue administrar a empresa familiar, não consegue conduzir o Estado.”

Guerra respondeu que foi considerado por uma revista o melhor administrador e se afastou para a lançar-se candidato. “O Giraffas é o orgulho da cidade. Não quero que pessoas mal-intencionadas como você assumam o governo”, rebateu.

Depois, Ibaneis não poupou nem a filha de Rollemberg, ao qual acusou de ” advogar para uma empresa que presta serviço para o governo”. Na mesma ocasião, chamou o socialista de “bandido e corrupto“.

Irritado, Rollemberg pediu direito de resposta, o único deferido na noite. “Quanto custou para você entrar no MDB? Por que todo mundo sabe que você pagou para entrar no partido. Virou bonzinho agora, mas é milionário e nunca pisou fora do Plano Piloto”, retrucou.

Propostas
Apesar do tom quente do debate, os buritizáveis também aproveitaram o espaço para apresentar aos eleitores suas propostas. Rogério Rosso (PSD) prometeu fazer o BRT entre Taguatinga e Ceilândia, expandir o Metrô e investir na Interbairros.

Júlio Miragaya garantiu efetivar as nomeações na área de educação, enquanto Ibaneis defendeu concurso público para as administrações regionais. Prometeu, caso eleito, chegar ao fim do eventual governo com 70% do quadro efetivo com servidores concursados.

Eliana Pedrosa prometeu cortar recursos de diversas áreas para investir na saúde, caso vença as eleições. Uma das medidas pretendidas é o corte de viagens. Para Fátima Sousa, urge a necessidade de uma “reforma pedagógica profunda”.

Alexandre Guerra, por sua vez, comprometeu-se a cortar 8 mil cargos comissionados. O candidato ao GDF pelo PRP, Paulo Chagas, propôs o pagamento das empresas de ônibus levando em consideração os quilômetros rodados, em vez de repassar dinheiro por pessoas transportadas.

O governador Rollemberg se comprometeu, caso seja reeleito, a garantir vagas em creches para crianças de 6 meses a 5 anos e, ainda, concluir a construção de cinco escolas técnicas. Questionado sobre desigualdade social, Fraga afirmou que irá gerar empregos e retomar projetos assistenciais, se for eleito.

Rede de emissoras
Durante três horas, nove candidatos ao GDF se enfrentaram no debate. Pela primeira vez na história do DF, formou-se uma rede de emissoras parceiras que, ao lado do Metrópoles, transmitiram o evento, simultaneamente e ao vivo.

Além do site e dos perfis do portal no Facebook, no YouTube e no Twitter, o brasiliense acompanhou o embate de ideias pela Metrópoles FM (104,1) e rádios Redentor AM (110), Atividade FM (107,1), Jovem Pan Brasília FM (106,3), Supra FM (90,9), JK FM (102,7) e JK AM (1410).

Participaram desta rodada: Alberto FragaAlexandre GuerraEliana PedrosaFátima Sousa, general Paulo ChagasIbaneis RochaJúlio MiragayaRodrigo Rollemberg e Rogério Rosso.

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