Beber água quente de manhã realmente faz bem? Entenda tendência
A prática milenar é o novo viral, conhecido pelo nome Chinamaxxing, e a ciência tem algo a dizer sobre isso
atualizado
Compartilhar notícia

O Chinamaxxing é o nome que a internet deu a uma prática bem simples: trocar a água fria do café da manhã por um copo de água morna ou quente logo ao acordar. A ideia vem da medicina tradicional chinesa, que há milênios defende que líquidos frios “resfriam” o organismo e prejudicam o fluxo de energia interna, o famoso qi. Pode soar distante da medicina ocidental, mas quando pesquisadores checam de perto o que acontece no corpo, encontram mais do que o esperado.
Do ponto de vista fisiológico, a água quente em jejum estimula o movimento intestinal. Ela aquece o trato digestivo, favorece o peristaltismo (o movimento natural do intestino) e pode ajudar quem sofre de constipação. Para pessoas com intestino preguiçoso, o efeito é perceptível já nas primeiras semanas de prática consistente.

Há também impacto na circulação. A água morna provoca uma leve vasodilatação, o que pode melhorar o fluxo sanguíneo nas primeiras horas do dia, quando o corpo ainda está saindo do estado de repouso. Alguns estudos também apontam que líquidos quentes reduzem a sensação de congestão nasal e aliviam sintomas de doenças respiratórias leves.
A hidratação matinal, independente da temperatura, já é bem estabelecida como benéfica. Depois de horas sem ingestão de líquidos durante o sono, o corpo acorda levemente desidratado. Beber água logo cedo apoia o funcionamento dos rins, melhora a concentração e até o humor nas primeiras horas do dia.
Mas há limites importantes. A água não deve estar quente demais, pois acima de 65°C, o consumo frequente está associado a um maior risco de câncer de esôfago, segundo a Organização Mundial da Saúde. Morna é a palavra certa. E, claro, um copo de água quente nunca substituirá o sono de qualidade, a alimentação equilibrada, nem o exercício físico.
O que chama atenção no Chinamaxxing não é o hábito em si — que é simples, barato e acessível a qualquer pessoa. É o que ele representa: um movimento de revalorização de práticas tradicionais que a medicina ocidental demorou a levar a sério. E que, quando investigadas com rigor, muitas vezes entregam mais do que parecem.














