
Claudia MeirelesColunas

Nefrologista esclarece se beber água demais faz mal para os rins
O hábito de beber muita água para prevenir problemas nos rins ocupa a crença popular. Médico responde se a técnica é eficiente
atualizado
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A máxima de que “água nunca é demais” segue presente no imaginário popular quando o assunto é hidratação e cuidado com os rins. Do ponto de vista médico, porém, beber água excessivamente pode trazer mais riscos que benefícios para a saúde.
Segundo o nefrologista Elber Rocha, do Hospital Santa Lúcia, a ingestão exagerada pode levar a hiponatremia — condição caracterizada pela baixa concentração de sódio no sangue.
“O quadro pode provocar náuseas, confusão mental e, em casos mais graves, convulsões. Não há benefício em forçar a ingestão hídrica além da necessidade. Os rins têm um limite de excreção de água, que varia entre 0,8 e 1 litro por hora”, explica.

Beber muita água ajuda a limpar os rins?
A crença de que beber grandes quantidades de água ajuda a “limpar” os rins também não tem respaldo científico. “Os rins já são órgãos altamente eficientes nesse processo. Eles filtram continuamente o sangue, eliminando toxinas, excesso de sais e líquidos, sem necessidade de ‘detox’”, afirma o especialista.

A hidratação adequada, por sua vez, desempenha papel importante na manutenção da função renal. Ao garantir um fluxo urinário regular, a água ajuda a reduzir a concentração de substâncias na urina e, consequentemente, o risco de formação de cálculos renais, as chamadas “pedras nos rins”. Ainda assim, não atua como um agente de limpeza adicional.
Qual a quantidade ideal de água?
A quantidade ideal de água varia de acordo com características individuais, como peso corporal, nível de atividade física, clima e hábitos alimentares.
Em pacientes com doenças renais ou outras condições específicas, a orientação deve ser personalizada e acompanhada por um médico.

“Um indicador prático para avaliar o nível de hidratação é a cor da urina. Tons claros, semelhantes ao amarelo-palha, indicam equilíbrio; já colorações mais escuras podem sinalizar desidratação, enquanto urina transparente pode sugerir ingestão acima do necessário”, destaca o médico.
Além disso, frequência urinária regular, ausência de sede intensa e sensação geral de bem-estar costumam ser sinais de hidratação adequada.
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