Não é só o sal! Saiba qual ingrediente "inesperado" favorece a pressão alta
Além do sal, cardiologista reforça que o consumo do açúcar, sobretudo em bebidas adoçadas, pode ter relação com a pressão alta

Quando se trata dos ingredientes que podem contribuir para o aumento da pressão arterial, o sal costuma ser o primeiro “vilão” lembrado. De acordo com o cardiologista Fabrício da Silva, porém, o consumo excessivo de açúcar também merece atenção, especialmente quando aparece com frequência em bebidas adoçadas e está associado a outros fatores de risco para pressão alta.
Para ajudar a entender como o açúcar pode se tornar um “inimigo silencioso”, o especialista analisa um cenário em que o indivíduo tem o hábito de incluir bebidas adoçadas na rotina.
“Pense em quem toma refrigerante no almoço e chá adoçado à tarde todos os dias. Essas bebidas somam calorias sem dar a mesma sensação de saciedade de uma refeição. Com o tempo, isso pode favorecer o aumento de peso, um fator de risco para hipertensão”, alerta o médico.
Fruta inteira x suco
Até a frutose, açúcar naturalmente presente nas frutas, entra na discussão. Fabrício ressalta que é preciso considerar a forma de consumo.
“Em um experimento com doses muito altas de frutose, por exemplo, o aumento do ácido úrico pareceu contribuir para a elevação da pressão. Contudo, no dia a dia, a evidência é mais consistente para o consumo frequente de bebidas açucaradas”, esclarece Fabrício da Silva.
Apesar disso, o cardiologista salienta que as frutas não estão vetadas para quem sofre de hipertensão. “Em geral, quem tem hipertensão pode comer fruta inteira. Quando você come uma laranja, leva junto fibras e outros nutrientes. Já para fazer um copo de suco, é fácil usar várias laranjas e beber tudo em poucos minutos. Mesmo sem açúcar adicionado, o açúcar do suco entra na conta dos açúcares livres”, comenta.
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Sinais de que o consumo de açúcar merece atenção
Fabrício esclarece que, para avaliar como a alimentação impacta a pressão arterial, é preciso considerar também os hábitos adotados no dia a dia e, claro, os níveis de pressão ao longo do tempo.
Segundo o especialista, alguns fatores associados ao consumo do açúcar podem indicar um risco cardiovascular aumentado e merecem atenção: aumento da circunferência abdominal, resistência à insulina, diabetes e triglicerídeos elevados.

Existe um limite diário?
O cardiologista Fabrício da Silva usa como referência a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta manter o consumo de açúcares livres abaixo de 10% das calorias ingeridas ao longo do dia.
“Em uma alimentação de 2.000 calorias, isso dá menos de 50 gramas. Reduzir para cerca de 25 gramas pode trazer benefícios adicionais”, aponta o especialista.
De acordo com ele, a conta inclui o açúcar adicionado ao café, o que já vem nos produtos, o mel e o açúcar dos sucos. “Já o sal, a diretriz brasileira orienta até cerca de 5 gramas por dia, contando também o que já vem nos alimentos. Na prática, dá para começar por duas trocas simples, como trocar o refrigerante do almoço por água e usar menos tempero pronto na comida”, indica.
Erros comuns
Na tentativa de reduzir o açúcar, há quem aposte em alternativas consideradas mais saudáveis — e é justamente na hora de fazer essas trocas que Fabrício da Silva identifica um erro comum: substituir o açúcar refinado por mel ou mascavo e manter a mesma quantidade.
“Outro equívoco é beber vários copos de suco integral ao longo do dia porque o rótulo diz ‘sem adição de açúcar’. O suco já contém o açúcar da própria fruta”, esclarece.
Fabrício também recomenda observar os alimentos e bebidas que se repetem diariamente na rotina. “Nesse cenário, diminuir aos poucos o açúcar de cada café ou trocar uma bebida adoçada por água pode ser mais viável do que tentar mudar tudo de uma vez”, conclui.

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