Bebidas açucaradas aumentam ansiedade em adolescentes, diz estudo 

 Revisão científica aponta associação entre alto consumo de bebidas com açúcar ao aumento nos sintomas de ansiedade em adolescentes

atualizado

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Foto colorida de mulher segurando copo de refrigerante coca - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de mulher segurando copo de refrigerante coca - Metrópoles - Foto: Catherine Falls Commercial/Getty Images

Cientistas libaneses e ingleses encontraram uma associação entre o consumo frequente de bebidas açucaradas, como refrigerantes, energéticos e sucos industrializados, e o aumento de sintomas de ansiedade em adolescentes.

A pesquisa, publicada em 10 de fevereiro no Journal of Human Nutrition and Dietetics, analisou dados já existentes para entender se havia relação entre alimentação e saúde mental nessa faixa etária.

De acordo com os estudiosos, a adolescência é uma fase marcada por mudanças hormonais, emocionais e sociais. Também é um período em que os transtornos de ansiedade se tornam mais comuns. Por isso, pesquisadores têm buscado entender quais fatores do dia a dia podem influenciar o bem-estar psicológico — incluindo a alimentação.

Os cientistas realizaram uma revisão e meta-análise, ou seja, reuniram resultados de vários estudos anteriores que avaliaram tanto o consumo de bebidas açucaradas quanto sintomas de ansiedade em adolescentes.

Foram consideradas bebidas como refrigerantes, energéticos, chás e cafés adoçados, sucos industrializados e leites com sabor — todas com alto teor de açúcar adicionado. A conclusão foi que os adolescentes que consumiam mais dessas bebidas apresentavam maior probabilidade de relatar sintomas de ansiedade.

Isso significa que o açúcar causa ansiedade?

Não necessariamente. Os próprios autores destacam que o estudo mostra uma associação, mas não prova que as bebidas açucaradas sejam a causa direta da ansiedade. Existem outras explicações possíveis. Por exemplo:

  • Jovens que já estão ansiosos podem consumir mais açúcar como forma de compensação emocional;
  • Outros fatores, como sono ruim, sedentarismo ou ambiente familiar, podem influenciar tanto a alimentação quanto a saúde mental;
  • O efeito pode ser indireto, relacionado a alterações no metabolismo e no humor.

O consumo excessivo de bebidas açucaradas já é associado a problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Agora, o estudo reforça que a alimentação também pode estar ligada à saúde mental — especialmente em adolescentes.

Essa fase da vida é sensível para o desenvolvimento do cérebro. Há indícios de que picos frequentes de açúcar no sangue podem influenciar o humor, a energia e os níveis de estresse, embora os mecanismos ainda não estejam totalmente esclarecidos.

O que pais e adolescentes podem fazer

Mesmo sem prova de causa direta, o estudo sugere que reduzir o consumo de bebidas açucaradas pode ser uma medida positiva para a saúde geral — física e mental.

Algumas orientações simples incluem diminuir refrigerantes e energéticos no dia a dia, priorizar água, sucos naturais sem açúcar e bebidas menos processadas, observar sinais persistentes de ansiedade, como preocupação excessiva, irritabilidade e dificuldade para dormir e buscar avaliação profissional quando os sintomas interferirem na rotina.

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