Hipertensão resistente: médica explica diagnóstico e riscos da condição
A hipertensão resistente pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca e doença renal; entenda quando ela acontece

A hipertensão atinge cerca de 38 milhões de brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, e pode permanecer silenciosa por anos. Embora a maioria dos pacientes consiga controlar a pressão com tratamento adequado, em alguns casos ela permanece alta mesmo com o uso de diferentes medicamentos. É a chamada hipertensão resistente.
A condição ocorre quando a pressão permanece acima da meta, apesar do uso adequado de três classes diferentes de medicamentos, em doses máximas, sendo um deles diurético. Também são considerados casos de hipertensão resistente aqueles em que o paciente consegue controlar a pressão, mas precisa utilizar quatro ou mais medicamentos para isso.

“A hipertensão é o principal fator de risco para o AVC. Isso significa que controlar adequadamente a pressão é essencial para evitar infartos e AVC’s, que podem provocar morte ou incapacidade permanente”, alerta a médica Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC.
Entre as possíveis consequências estão AVC, infarto, insuficiência cardíaca, comprometimento dos rins e morte por doenças cardiovasculares. Para controlá-la, o paciente precisa combinar, por vezes, mudanças no estilo de vida e de medicamentos e investigação de causas secundárias.
Falsa hipertensão resistente
De acordo com a médica neurologista, antes de confirmar o diagnóstico é necessário descartar a falsa hipertensão resistente, que pode acontecer quando a pressão sobe apenas durante a consulta médica — conhecido como efeito do jaleco branco —, quando paciente não toma os medicamentos corretamente ou até mesmo erros na aferição.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA investigação também deve levar em consideração hábitos de vida, uso de medicamentos ou outras substâncias capazes de aumentar a pressão e a presença de doenças que possam provocar hipertensão secundária. Além disso, a médica alerta para não normalizar a pressão “um pouco mais alta”.

De acordo com Sheila, pessoas com a condição tem 50% mais risco de complicações cardiovasculares e renais em comparação com outros paciente hipertensos.
“Quando uma pessoa está fazendo o tratamento e a pressão permanece elevada, não devemos simplesmente aceitar que ‘a pressão dela é alta mesmo’. É preciso investigar por que isso está acontecendo, confirmar se realmente existe hipertensão resistente, procurar possíveis causas e definir a melhor estratégia para conseguir o controle. Quanto mais cedo conseguirmos controlar a pressão, maior será a nossa oportunidade de prevenir AVC, infarto, doença renal e outras complicações graves”, destaca Sheila.
Controle é fundamental
Além do acompanhamento médico regular e mudanças no estilo de vida, a medica recomenda manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo excessivo de sal, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, não fumar e diminuir o consumo de bebidas.

A quem já recebeu o diagnóstico de hipertensão resistente, seguir corretamente o tratamento prescrito é fundamental.
“A mensagem para a população é simples: meça sua pressão regularmente, conheça seus números, procure orientação médica quando eles estiverem elevados e, se já estiver em tratamento, siga as recomendações e mantenha o acompanhamento”, conclui Sheila Martins.
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