Cardiologista aponta hábitos comuns capazes de provocar pressão alta
Excesso de sal não é o único "vilão" da pressão alta, o cardiologista Fabrício cita outros hábitos comuns que podem causar hipertensão

Excesso de sal não é o único hábito da rotina que pode afetar a pressão arterial. Segundo o cardiologista Fabrício da Silva, privação de sono, estresse e outros comportamentos muitas vezes subestimados podem elevar os níveis da pressão sem que a pessoa perceba. A hipertensão atinge mais de 38 milhões de adultos no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o especialista detalha como alguns costumes já incorporados ao dia a dia podem trazer prejuízos à saúde cardiovascular.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Outros hábitos menos lembrados também podem elevar a pressão aos poucos, sem provocar sintomas: o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo, o excesso de álcool e o tabagismo. Muitas vezes, o paciente só percebe quando a hipertensão já está instalada”, comenta.
Saiba como hábitos comuns podem desregular a pressão
Fabrício também chama a atenção para o estresse e a privação de sono. Segundo o cardiologista, é comum observar uma piora da pressão em períodos de tensão intensa ou após noites mal dormidas.
“Na Amplexus, costumo orientar os pacientes sobre os perigos de manter o organismo em constante estado de alerta. Esse cenário aumenta a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que elevam a frequência cardíaca e contraem os vasos”, esclarece.
Quanto ao sono, o médico aponta que a falta de descanso pode atrapalhar a queda natural da pressão durante a noite. “Em alguns pacientes, também é importante investigar apneia do sono, principalmente quando há ronco e sonolência durante o dia”, diz.

Alimentos que podem aumentar as chances de hipertensão
O que se coloca no prato também pode influenciar os níveis da pressão arterial. Entre os alimentos do cotidiano que merecem atenção, Fabrício destaca aqueles que concentram o chamado “sódio escondido”.
“Mesmo quando a pessoa quase não usa sal em casa, existem alimentos que podem conter bastante sódio, como pães, embutidos, queijos, temperos prontos, molhos, macarrão instantâneo e refeições congeladas”.
As bebidas alcoólicas e energéticas também entram no radar. Segundo o médico, o consumo frequente pode dificultar o controle da pressão.

Quando buscar ajuda?
Diante de hábitos tão presentes na rotina, Fabrício reforça que a ausência de sintomas não deve ser motivo para negligenciar a saúde do coração. “A pressão alta pode permanecer silenciosa durante anos, não devemos esperar dor de cabeça ou tontura para medir o nível. O paciente precisa fazer acompanhamento regularmente”, orienta.
Para quem monitora a pressão em casa, Fabrício ensina como fazer a medição de forma adequada a fim de reduzir a chance de resultados imprecisos. O primeiro passo, segundo ele, é permanecer em repouso por pelo menos cinco minutos antes de aferir.
“É importante sentar com as costas apoiadas e os pés no chão, manter o braço apoiado na altura do coração e utilizar um manguito adequado ao tamanho do braço”, aponta.

Outros detalhes também fazem a diferença.
“Evitar café, cigarro e exercício nos 30 minutos anteriores e não conversar durante a medição também ajudam a chegar no resultado mais próximo. Recomendo também fazer duas medidas, com cerca de um minuto de intervalo, e registrar os resultados. Um erro comum é tentar medir após uma situação de estresse, nesses casos, o paciente não deve considerar aquele valor como habitual”, ensina.
Em casos de dor no peito, falta de ar importante, desmaio, alteração súbita da visão ou dificuldade para falar, Fabrício é enfático: é preciso buscar atendimento médico imediatamente.

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