Além do sal: entenda o que aumenta o risco de hipertensão
Especialistas explicam como alimentação, inflamação silenciosa e hábitos diários podem favorecer a hipertensão sem sintomas claros
atualizado
Compartilhar notícia

Celebrado em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial chama atenção para uma das doenças crônicas mais comuns do país. Tradicionalmente associada ao excesso de sal, a pressão alta hoje é entendida de forma mais ampla por especialistas, que apontam a influência da alimentação industrializada, do sedentarismo, do excesso de peso e de alterações metabólicas no desenvolvimento do problema.
A hipertensão ocorre quando a força do sangue contra as paredes das artérias permanece elevada de forma contínua. Muitas vezes silenciosa, a condição pode evoluir por anos sem sintomas claros e aumentar o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e danos aos rins.
Muito além do sal
Por décadas, reduzir o sal foi tratado como principal medida de prevenção. Embora o controle do sódio continue importante, médicos e nutricionistas destacam que a origem do problema costuma ser mais complexa.
Segundo a nutricionista Nicolle Albanezi, a pressão alta pode ser resultado de um processo gradual de inflamação de baixo grau e desequilíbrio nutricional.
“As artérias não são apenas estruturas por onde o sangue circula. São tecidos vivos, que respondem ao estado geral de saúde do organismo. Muitas vezes, a pressão alta sinaliza que há inflamação e desorganização metabólica”, afirma.
Ela destaca que boa parte do consumo excessivo de sódio não vem do saleiro doméstico, mas dos alimentos ultraprocessados, como embutidos, macarrão instantâneo, salgadinhos, refeições prontas e enlatados.
“O perigo muitas vezes está no sódio oculto desses produtos, que costuma vir acompanhado de aditivos e ingredientes de pior qualidade nutricional”, explica.
O que é hipertensão?
- A pressão alta, ou hipertensão arterial, ocorre quando há uma alta força exercida pelo sangue nas paredes dos vasos sanguíneos.
- A medicina considera que há um quadro de pressão alta quando os valores ultrapassam os 140/90 mmHg (milímetros de mercúrio) ou 14 por 9.
- Tontura, falta de ar e dor de cabeça são sintomas comuns da pressão alta. No entanto, na maioria das vezes, a pessoa não apresenta indícios que acusem o problema e só o descobre quando o quadro é grave.
- Apesar de não ter cura na maioria das vezes, a hipertensão tem controle com medicamentos e adoção de hábitos saudáveis.
Nutrientes que ajudam a proteger o coração
Além de reduzir alimentos industrializados, especialistas reforçam a importância de incluir nutrientes que ajudam no equilíbrio da pressão arterial.
O potássio, presente em frutas, verduras, legumes e feijões, auxilia os rins a eliminar sódio em excesso e contribui para o relaxamento dos vasos sanguíneos. Já magnésio, fibras e compostos antioxidantes contribuem para a saúde cardiovascular.
“A hipertensão não depende apenas do que precisa ser retirado da dieta. Muitas vezes, ela também reflete a falta de alimentos protetores no dia a dia”, afirma Nicolle.
Outro tema cada vez mais estudado é a ligação entre microbiota intestinal e saúde cardiovascular. Dietas ricas em fibras ajudam a alimentar bactérias benéficas do intestino, que produzem substâncias capazes de influenciar processos inflamatórios e metabólicos.
Quando a alimentação é baseada em produtos naturais, frutas, legumes, verduras e grãos integrais, há benefícios que podem repercutir na pressão arterial.
Como medir a pressão corretamente
O cardiologista Leonardo Duarte, do Hospital Alvorada, da rede Américas, reforça que a pressão precisa ser acompanhada por medições adequadas. Em casa, a aferição deve ser feita com aparelho validado, em repouso, sentado e após alguns minutos de descanso.
“O ideal é evitar café, cigarro e exercício físico pouco antes da medição. A pessoa deve estar tranquila e com o braço apoiado na altura do coração”, orienta.
Duarte lembra que um valor isolado alterado não fecha diagnóstico. O correto é repetir as medições em dias diferentes e procurar avaliação médica quando os números permanecem elevados. Recomendação feita pelo também cardiologista Rui Póvoa do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), em São Paulo.
“O hipertenso mascarado é o paciente com a pressão normal no consultório, mas elevada fora do ambiente médico. Essa condição expõe o indivíduo a todos os riscos cardiovasculares da hipertensão”, explica Póvoa.
Por isso, em alguns casos, o médico pode recomendar medições domiciliares ou monitorização por 24 horas para confirmar o diagnóstico.
Uma construção silenciosa
Para os especialistas, a hipertensão raramente surge de repente. Em muitos casos, ela se desenvolve ao longo dos anos, acompanhando ganho de peso, piora da alimentação, estresse crônico, sono inadequado e falta de atividade física.
Por isso, prevenir a doença envolve mudanças consistentes de rotina como: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do peso, redução do álcool, abandono do cigarro e acompanhamento médico periódico.
Mesmo silenciosa, a pressão alta costuma dar sinais nos exames e nas medições. Quanto mais cedo identificada, maiores as chances de evitar complicações futuras.















