Novo remédio reduz pressão alta quando outros tratamentos falham
Pesquisa mostra que o medicamento baxdrostat baixou a pressão arterial em pacientes que não respondiam bem a terapias convencionais
atualizado
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Um novo medicamento pode ajudar a controlar a pressão alta em pessoas que não conseguem reduzir os níveis mesmo usando vários remédios. Em um grande estudo internacional, o tratamento mostrou uma queda significativa da pressão arterial em pacientes considerados difíceis de tratar.
Os resultados vêm de um ensaio clínico de fase 3 conduzido em 214 clínicas ao redor do mundo e envolvendo quase 800 participantes. O estudo foi liderado por pesquisadores da University College London e publicado na revista científica New England Journal of Medicine em agosto de 2025. Os dados também foram apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) em 2025.
A hipertensão afeta cerca de 1,3 bilhão de pessoas no planeta. Em quase metade dos casos, a pressão permanece elevada mesmo com tratamento, o que aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e morte precoce.
Queda significativa na pressão arterial
O estudo avaliou um medicamento chamado baxdrostat, administrado em comprimidos uma vez por dia. Os participantes continuaram usando seus tratamentos habituais para hipertensão e receberam doses de 1 mg ou 2 mg do novo remédio ou placebo.
Após 12 semanas, os pacientes que tomaram baxdrostat tiveram uma redução média da pressão arterial sistólica cerca de 9 a 10 mmHg maior do que os que receberam placebo.
A diferença é considerada clinicamente relevante. Reduções desse tamanho estão associadas a um menor risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.
Além disso, aproximadamente 40% dos participantes que usaram o medicamento alcançaram níveis considerados saudáveis de pressão arterial. No grupo placebo, esse resultado ocorreu em menos de 20% dos pacientes.
“Conseguir uma redução de quase 10 mmHg na pressão arterial sistólica é animador, porque esse nível de queda está associado a um risco muito menor de ataque cardíaco, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal”, afirmou o pesquisador Bryan Williams, da University College London, em comunicado.
Bloqueio de hormônio ligado à pressão alta
O efeito do medicamento está relacionado a um hormônio chamado aldosterona, uma substância que ajuda o corpo a controlar os níveis de sal e água no organismo.
Em algumas pessoas, o corpo produz aldosterona em excesso, o que provoca retenção de sal e líquidos, elevando a pressão arterial e dificultando o controle. O baxdrostat age bloqueando a produção desse hormônio, atacando diretamente um dos mecanismos que contribuem para a hipertensão resistente.
Segundo Williams, os resultados ajudam a esclarecer por que muitos pacientes continuam com pressão alta mesmo após vários tratamentos.
“Essas descobertas representam um avanço importante na forma como entendemos e tratamos a pressão arterial difícil de controlar”, disse.
Potencial para milhões de pacientes
No estudo, os efeitos do medicamento foram acompanhados por até 32 semanas e continuaram consistentes ao longo do período. Os pesquisadores não observaram problemas inesperados de segurança durante os testes.
Os resultados indicam, segundo os autores, que o papel da aldosterona pode ser maior do que se imaginava na dificuldade de controlar a hipertensão em muitos pacientes.
A doença continua sendo um dos principais problemas de saúde pública do mundo. Mudanças no estilo de vida e na alimentação transformaram o perfil global da hipertensão, e hoje grande parte dos casos está concentrada em países asiáticos e de renda mais baixa.
Para os pesquisadores, terapias que atuem diretamente nos mecanismos hormonais da pressão arterial podem ampliar as opções de tratamento para milhões de pessoas que ainda não conseguem controlar a condição.















