Afastado do STJ, ministro Marco Buzzi ainda recebe mais de R$ 100 mil
Valores estão no mesmo salário de janeiro, quando o magistrado ainda estava em atividade. Pagamentos contrariam entendimento do CNJ
atualizado
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Mesmo afastado do cargo, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi recebeu remuneração bruta de R$ 132 mil em fevereiro e R$ 127 mil em março. Ele é investigado por suspeita de importunação sexual.
Os valores representam praticamente o mesmo salário pago em janeiro, de R$ 126 mil, quando o magistrado ainda estava trabalhando. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência.
Buzzi foi afastado cautelarmente do cargo em 10 de fevereiro e perdeu parte das prerrogativas da função, mas ficou com seu subsídio mensal integral, atualmente fixado em R$ 44.047,88.
Nos contracheques de fevereiro e março, no entanto, há adicionais registrados, como “indenizações” e “vantagens pessoais”.
Esses itens também deveriam estar suspensos, pois o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fixou a paralisação de pagamentos das verbas que não integram o salário propriamente dito, como gratificações, benefícios, auxílios e vantagens para magistrados afastados no curso de processos administrativos disciplinares ou sindicâncias.
Após os descontos de previdência, Imposto de Renda e do teto constitucional, o valor líquido de salário foi de R$ 106 mil em fevereiro e R$ 100 mil em março.
Em 14 de abril, o STJ decidiu instaurar Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar as denúncias de importunação sexual contra o ministro, o que pode resultar em penalidades, como aposentadoria compulsória.
Buzzi também está proibido desde fevereiro de usar seu gabinete, andar de veículo oficial, trabalhar com sua equipe de assessores e acessar sistemas internos ou informações institucionais, bem como demais prerrogativas inerentes ao exercício da função.
Por meio de nota, o STJ respondeu que o PAD foi aberto pelo tribunal apenas em 14 de abril e que, “neste mês, o ministro receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos”.
“Ressalte-se que o magistrado já estava impedido de utilizar o seu local de trabalho e usufruir de veículo oficial e outras prerrogativas inerentes ao exercício da função, nos termos do §2º do art. 15 da referida Resolução”, diz o comunicado do STJ.
O Metrópoles também entrou em contato com a defesa de Marco Buzzi, mas não teve resposta. O espaço está aberto.
Investigações
Marco Buzzi é investigado no STJ, no STF e no CNJ, após ser acusado por uma jovem, de 18 anos, de importunação sexual em caso revelado pelo Metrópoles, na coluna Grande Angular.
Em 31 de março, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da abertura do processo criminal contra o ministro.
Outra denúncia do mesmo teor, apresentada por uma ex-servidora do gabinete do ministro, também está sendo apurada. As duas mulheres foram ouvidas pela Corregedoria Nacional de Justiça e tiveram as ocorrências registradas oficialmente.
Importunação na praia
O ministro do STJ foi acusado de tentar agarrar a jovem em uma praia de Balneário Camboriú (SC), em 9 de janeiro. Ele nega. O caso é investigado como importunação sexual. Em caso de condenação, a pena definida no Código Penal varia de 1 a 5 anos de reclusão.
A vítima registrou ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. Ela e a família passavam uns dias na casa de praia do ministro.
A jovem relatou que estava no mar quando percebeu a aproximação do ministro e foi agarrada — e tentou se desvencilhar ao menos três vezes, mas Buzzi insistiu em forçar o contato. Quando conseguiu se soltar, pediu ajuda aos pais.
Os advogados de Buzzi, Maria Fernanda Ávila e Paulo Emílio Catta Preta, afirmam que houve ausência do “direito básico de defesa” e repudiam “a campanha sistemática de acusações” contra o magistrado.










