Justiça eleitoral de prontidão para rebater o que Bolsonaro disser

O presidente prometeu apresentar, hoje, provas de que o voto eletrônico favorece fraudes

atualizado 29/07/2021 7:33

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O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, destacou uma equipe de técnicos da Corte para acompanhar em tempo real o que disser, hoje, o presidente Jair Bolsonaro, em sua live das quintas-feiras no Facebook, sobre as supostas fragilidades do sistema de voto eletrônico.

Há mais de um ano que Bolsonaro diz possuir provas de que o voto eletrônico não é seguro e permite fraudes. Cobrado mais de uma vez pela Justiça Eleitoral e até mesmo pelo Supremo Tribunal Federal, jamais as apresentou. Na semana passada, disse que as apresentaria logo mais à noite. Barroso paga para ver.

O voto eletrônico no Brasil existe há 25 anos. Nunca houve denúncia de fraude. Bolsonaro mandou que a Polícia Federal levantasse casos de fraudes – não foram encontrados. Ele já afirmou que a derrota do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) para presidente em 2014 deveu-se à fraude. O PSDB desmentiu.

No entorno de Barroso, desconfia-se de que Bolsonaro poderá apresentar na live algum hacker, ou entendido no assunto, para sustentar o que ele vem dizendo. O tribunal quer estar pronto para rebatê-lo de imediato, se for o caso, ou então amanhã, a depender da impressão que cause o seu depoimento.

Onze partidos, um deles o PP, comandado pelo senador Ciro Nogueira (PI), novo chefe da Casa Civil da presidência da República, firmaram um pacto para derrotar no Congresso o projeto que restabelece o voto em cédula. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, voltou a dizer que o projeto será votado.

Os comandantes do Exército, da Marinha e Aeronáutica, assim como o ministro Braga Netto, da Defesa, acreditam piamente que o voto eletrônico dá margem a fraudes. Carecem de provas, é só uma questão de opinião, convencidos de que foram por Bolsonaro. Mas os militares estão em baixa tanto dentro quanto fora do governo.

O mais provável é que Bolsonaro esteja prestes a disparar mais um tiro no próprio pé. Não fará muita diferença para ele. Bolsonaro fala para seus devotos, os que ainda acreditam na sua palavra, e está à procura de uma desculpa que possa explicar sua eventual derrota na eleição do ano que vem. Uma falsa desculpa.

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