Disparo de Braga Netto contra o voto eletrônico mata voto impresso

Presidente e auxiliares trapalhões são candidatos à medalha de ouro na especialidade tiro no pé

atualizado 23/07/2021 7:28

Braga Netto Hugo Barreto/Metrópoles

Dá-se como certa a morte precoce da volta do voto impresso daqui a mais duas ou três semanas, quando a comissão especial da Câmara dos Deputados que trata do assunto reunir-se pela primeira vez depois do fim das férias de meio de ano do Congresso.

O disparo feito pelo general Braga Netto, ministro da Defesa, contra o voto eletrônico só serviu para consolidar a tendência da maioria da comissão de mantê-lo a qualquer custo. Dezoito votos seriam suficientes para isso. Fala-se que já existem 22.

O enterro da proposta de se restabelecer o voto impresso só não se deu antes das férias porque o presidente da comissão, bolsonarista de carteirinha, valeu-se de um recurso parlamentar para adiá-lo. Disso aproveitou-se o general para dar seu tiro infeliz.

Conta o jornal O Estado de S. Paulo que, no último dia 8, por meio de um interlocutor, Braga Netto mandou um duro recado ao deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara: sem voto impresso não haveria eleições em 2022.

Naquele mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro repetiu a mesma coisa em conversa com devotos. Por considerar a situação “gravíssima”, Lira procurou Bolsonaro e disse-lhe que não contasse com ele para qualquer ato de ruptura institucional.

O general negou que tivesse mandado recado a Lira, mas voltou a defender o voto impresso. Lira negou que tivesse recebido qualquer recado, mas deitou falação em favor da democracia. A especialidade do governo Bolsonaro é dar tiro no próprio pé.