Renan: função de Braga Netto é “ameaçar as instituições democráticas”

O relator da CPI da Covid-19 relacionou o episódio à “obsessão continuísta” do presidente Jair Bolsonaro e sugeriu a demissão do ministro

atualizado 22/07/2021 12:51

Renan Calheiros_CPI da CovidEdilson Rodrigues/Agência Senado

O relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou, nesta quinta-feira (22/7), que as supostas bravatas do ministro da Defesa, Braga Netto, às eleições revelam que ele foi colocado onde está para “ameaçar as instituições democráticas”. O emedebista ainda relacionou a postura do general à “obsessão continuísta” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O senador afirmou que as declarações do comandante das Forças Armadas são “irresponsáveis e inconsequentes, e ofendem a Constituição e o povo” e sugeriu a exoneração do ministro.

“A democracia brasileira é alvo de uma gravíssima ameaça, agora revelada. Ameaça armada, tentativa de amedrontar pelo terror. Braga Netto se revela: foi colocado onde está exatamente para isso, para ameaçar as instituições democráticas”, escreveu o senador.

“Bolsonaro quer manter a sociedade refém de sua obsessão continuísta. A população não o quer mais, mostram as pesquisas. O Congresso não deve admitir isso. O Senado, a Câmara dos Deputados e o Judiciário não podem ser ameaçados”, acrescentou.

Por fim, Calheiros acusou Braga Netto de ser um elemento perigoso para a democracia. “É um elemento perigoso para a democracia que todos – Executivo, Congresso, Judiciário, Forças Armadas e a nação – juramos preservar e defender. O Brasil não pode se sujeitar ao capricho de mantê-lo onde está.”

O colegiado, do qual Calheiros é relator, tem sido constantemente atacado por Bolsonaro e seus aliados. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), foi alvo de nota crítica das Forças Armadas após dizer que a parte podre dos militares estaria envolvida em esquemas de corrupção.

A suposta ameaça, que teria ocorrido no último dia 8 de julho, foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Após a notícia vir à tona, o ministro da Defesa e o presidente da Câmara negaram o ocorrido e defenderam as eleições no próximo ano. Diversos políticos reagiram ao episódio.

Últimas notícias