Saí para almoçar outro dia com a amiga Patrícia Cordeiro, jornalista experiente que já viveu na Suécia

Entre um prato e outro, a conversa enveredou – como tantas vezes acontece – para clima, cidades e essas soluções que parecem distantes, quase estrangeiras demais para a nossa realidade.
A mensagem do Papa é clara: “segundo o Evangelho, abençoados são os que buscam a paz”

O destempero verbal do presidente Donald Trump, estimulado pela crise que ele mesmo criou no Irã, parece ter encontrado um direto contraponto, no final de semana, com as palavras serenas do papa Leão XIV.
Chegamos até aos gritos de prostíbulos e bares: Por-raaaaaaaaa-da!

No meu Brasil brasileiro havia quem achasse que o Congresso Nacional ainda mantinha algum resquício de compostura. Na recente cena envolvendo o deputado Lindbergh Farias, o deputado Alfredo Gaspar além da senadora Soraya Thronicke, resolveram atualizar o diagnóstico: estamos na fase do “vale-tudo político com plateia pagante”.
Aqui ou além, a convicção de que a punição é só para os losers

Antes da independência americana — todos sabem que 250 anos é o espaço de tempo que o texto de Thomas Jefferson, a mais bela declaração de direitos, levou para ser destruído — o marchese di Gualdrasco e di Villareggio, mais conhecido por seu nome civil, Cesare Beccaria Bonesana, publicou um livro que mudou a história do Direito: Dei delitti e delle pene. É a obra fundadora do Direito Penal e passa a tratar a sanção como uma medida cautelatória e corretiva e não como punitiva. Não adianta pena de morte, pois na verdade “a certeza da punição inibe mais o crime que a severidade da pena”.
Supremo não muda sua linha de atuação

Nesta semana, a pesquisa do Instituto Ideia trouxe um dado sobre a forma negativa com a qual muitos brasileiros enxergam o STF: para 42,5%, a concentração de poder nas mãos dos ministros é a maior ameaça à democracia.
No fundo, o Comendador é mesmo um fascista disfarçado. Como todo fascista, ele adora a mentira

Não sei se o leitor é amigo do Comendador Ventura, o estupendo boneco de Divito que aparece diariamente na Folha Carioca. Se for, me desculpe, me deixe que lhe diga: não considero o Comendador simplesmente humano, um retrato de nossas humanas fraquezas, das nossas vaidades, das nossas tentações, das nossas pequenas renúncias e abdicações diárias, mas um mestre da hipocrisia e do cinismo. Talvez porque na fase que começo a viver deteste acima de tudo a mentira (embora reconheça nela sinal certo de água viva, isto é, de inteligência e de imaginação). Sórdido Comendador! Ele inveja os meninos parados em redor do domador de serpentes, mas passa ao largo. Desejaria sentar-se ao lado da Dona Boa, mas vai procurar o banco da Velha Careca. Preferiria gritar sua fortuna, mas sorri modesto e socialista. Treme de frio sem roupas de inverno, mas empina o peito como a quilha de um navio singrando os Sete Mares e o rio Amazonas. Torce de moer os dedos nas corridas, ri feito criança no circo, adora um bêbado cantando, e até se enternece com o luar, mas conserva impassível a cara invulgar e abstrata, suficiente porém e solidamente superior. Símbolo dolorosíssimo, sinto-o capaz de “meetings” contra o nu das praias depois de sair de um banho de mar.
Quem ganha a eleição é o candidato

Quem ganha a eleição é o candidato. A frase, que à primeira vista pode soar como uma simplificação, encerra uma verdade que a prática política insiste em confirmar: não há estratégia capaz de sustentar, por muito tempo, um projeto vazio de substância humana, política e simbólica. O marketing pode potencializar virtudes, corrigir imperfeições, organizar narrativas. Mas não cria, do nada, aquilo que o eleitor busca — benefícios, coerência e presença.
Votação do veto de Lula ao PL que reduz pena de Bolsonaro reacende debate sobre anistia, adocicada com o apelido de dosimetria

É cedo para dizer se o veto do presidente Lula ao PL da dosimetria será ou não derrubado pelo Congresso no dia 30, data marcada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) para apreciação da matéria. O certo é que daqui até lá o perdão a golpistas, debate que emperrou o país no segundo semestre de 2025, volta à cena. Agora, acrescido pela métrica eleitoral. O time de Flávio Bolsonaro está animado – se o veto cair, a pena de 27 anos e 3 meses do ex pode ser reduzida para pouco mais de 2 anos. Mas a maioria dos brasileiros endossa o veto ao PL. A dosimetria é rejeitada por 63,3% da população, segundo pesquisa Atlas/Bloomberg.
Funcionários de Trump suspeitos de lucrarem milhões em plataformas de apostas com informações militares privilegiadas

Bet não dá. Desconfio que no futuro todas essas celebridades, jogadores, comentaristas e narradores de futebol serão considerados cúmplices desse crime financeiro e sanitário, que lava bilhões de dinheiros e neurônios pelo planeta. Todavia, o que acontece no Trumpistão é de faltar palavra, melhor, não falta, é mais um traço de uma patologia chamada extrema-direita. Há inúmeras suspeitas de que funcionários do governo laranja, de todos os escalões, estão lucrando com apostas relacionadas às guerras.
A guerra é a negação da política. Bombas não substituem diplomatas. O comportamento de Trump é de um dirigente ensandecido

Fiz meu mestrado na School of Advanced International Studies – SAIS – em Washington, Estados Unidos, anos oitenta. Período muito fértil na vida acadêmica. Estudei muito, conversei bastante, frequentei palestras e cheguei a falar para alunos e professores sobre Brasil e suas circunstâncias, porque o país atravessava a imensa dificuldade ocasionada pela doença e morte de Tancredo Neves, depois de ele ter sido eleito Presidente da República. Fiz palestra no CLAIS – Centro de estudos latino-americanos e ibéricos – em Harvard, sobre o cenário político brasileiro da época.
Estudo do Banco UBS mostra que 2.500 pessoas no mundo concentram em patrimônio, o equivalente a 12% do PIB mundial

Uma das poucas certezas que podemos ter, no momento, é que aquilo que o Europeu chamava de “o povo”, e aquilo que o Anglo Saxão chamava de “o cidadão”, dançaram. A Revolução Francesa, e a Constituição Americana do “We the People”, esvaíram em seus conteúdos e propósitos. Hoje, a economia está mais oligopolizada, e a política, por decorrência, também. Poucas pessoas mandam no “money” e no “politics”.
Não sabemos para onde vamos, mas sabemos que não vamos atrás do Trump

O Presidente dos Estados Unidos tem estarrecido o mundo com suas exóticas colocações, que, no mínimo e no máximo, representam um jogo de faz-e-esconde, o que tem mantido as nações em suspense sem saber por onde ele quer ir e para onde vai. Parece os versos do grande poeta português José Régio: “Se ao que busco saber nenhum de vós responde, / Por que me repetis: ‘vem por aqui’? / Prefiro escorregar nos becos lamacentos, / Redemoinhar aos ventos, / Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, / a ir por aí… […] Ninguém me diga: ‘vem por aqui’! / A minha vida é um vendaval que se soltou. / É uma onda que se alevantou. / É um átomo a mais que se animou… / Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / —Sei que não vou por aí!”
Ou será que nunca deixou de existir?

Duas ex-autoridades da justiça militar norte-americana, Margaret Donovan e Rachel VanLandingham, alertam que o presidente Tramp está colocando os militares do seu país numa sinuca que pode ter consequências gravíssimas. As especialistas – ex-advogadas militares que assessoravam na escolha de alvos -, alertam que as ameaças do presidente de “mandar o Iran de volta à idade da Pedra”, e do seu secretário de “não mostrar nenhuma trégua, nenhuma misericórdia”, são claramente ilegais. Além disso, contrariam os princípios morais e legais em que os militares dos EUA são, há décadas, treinados a seguir em suas carreiras.
Os bombardeios ianques acertaram em cheio e online a economia mundial e a própria credibilidade norte-americana

Nem sempre vencer uma guerra é o bastante para ser o vencedor. Não é como uma partida de futebol. Se seu time vencer ele é o vencedor. O placar é evidência suficiente. Nas guerras é diferente. Um país pode despejar mais bombas, matar mais inimigos, destruir mais pontes e ainda assim sair perdendo. Os americanos são reincidentes nessa categoria de vencedores derrotados. É o que um amigo meu chamaria de ‘enterro de luxo’ (o cara ostenta, mas tá morto).
Em Dallas Flávio abandonou o figurino moderado e retomou o repertório clássico do bolsonarismo mais duro

Havia lógica, e até alguma sofisticação política, na estratégia de Flávio Bolsonaro de se apresentar como a face mais moderada do bolsonarismo. Num país que permanece dividido praticamente ao meio, como reiteram sucessivas pesquisas de opinião, o centro de gravidade da disputa eleitoral deslocou-se para os eleitores independentes. Esse contingente, menos ideológico e mais pragmático, tornou-se o fiel da balança. Não se trata de um público entusiasmado, mas de um eleitorado que decide com base em percepções de estabilidade, previsibilidade e rejeição ao radicalismo. Em 2018, migrou para Bolsonaro; em 2022, para Lula. Agora, observa atentamente os dois principais contendores.


