Tentativas de intromissão externa no Brasil esbarram na soberania de uma das maiores democracias do mundo

Não cabe mais a pergunta sobre se o governo de Donald Trump tentará intervir nas eleições presidenciais brasileiras deste ano. Ela foi respondida nas últimas 24 horas com a decisão dele de declarar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A intervenção, pois, já ocorreu, e seu objetivo é salvar a candidatura de Flávio Bolsonaro — ameaçada de derreter à sombra do caso do Banco Master — e, se possível, fortalecê-la. Em outras palavras: Trump apoia Flávio e, se eleito, Flávio se alinhará a ele, conforme prometeu.
Sob o bombardeio de Trump, a direita que se diz nacionalista celebra um ato de força

Flávio Bolsonaro, a versão moderada do pai “que o país tanto esperava ver”, morreu ontem quando o governo de Donald Trump classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, intervindo assim diretamente em assuntos internos do Brasil. A partir de agora, no limite, os Estados Unidos podem fazer operações militares na Amazônia à revelia do governo brasileiro e bombardear áreas sob o controle do crime organizado. Tudo a pretexto do combate ao terror.
Na volta da self com Trump, Flávio Bolsonaro terá mais um problema para administrar: seu palanque no Rio de Janeiro

Pergunta que aguarda uma resposta do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF): o que falta para que o ex-governador Cláudio Castro seja preso por suas estreitas e mais do que suspeitas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o número um do maior escândalo financeiro da história do Brasil?
O ex-governador de Goiás quebra a regra de ouro da sobrevivência política

Estava para nascer o candidato que caísse na armadilha de responder à seguinte pergunta: “Se o senhor não disputar o segundo turno, apoiará fulano de tal?”. Não está mais. Nasceu finalmente. Ele se chama Ronaldo Caiado, é candidato à Presidência da República e se oferece como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro.
“Se você me ajudar a ser eleito, o Brasil será seu”.

Senador repetiu no Salão Oval promessas feitas no Texas e evitou falar com jornalistas sobre investigações no Brasil.
Um porque mente como amador ao contrário do pai, e o outro por gostar de falar demais

A conselho dos seus assessores, tão cedo Flávio Bolsonaro não participará de eventos que reúnam multidões, para não correr o risco de ser vaiado ou de ouvir desaforos. Foi por isso que ele faltou, no último sábado, à Marcha para Jesus realizada no Rio de Janeiro; a justificativa alegada foi a necessidade de visitar o pai, doente e preso em Brasília. Por enquanto, ele também evitará entrevistas em que possa correr o risco de ouvir perguntas embaraçosas. Declarações à imprensa, só em espaços amigáveis. E dê-se por feliz se as próximas pesquisas não registrarem novas quedas nos seus percentuais de intenção de voto para a presidência da República.
Em busca da ajuda de Donald Trump
Lembrar Jair Bolsonaro e fazer-lhe as devidas vênias, porque desvincular-se dele seria impossível, naturalmente arriscado e poderia vir a lhe custar votos preciosos. Mas, ao mesmo tempo, seguir com a toada de que o filho é diferente do pai, é muito mais moderado do que ele, um Bolsonaro que o país tanto deseja ver.
Impulsionado por pesquisas e denúncias contra o rival, o petista recupera fôlego político enquanto a oposição vê aliados buscarem distância

Dois fins de semana seguidos de boas notícias para Lula era tudo o que ele desejava, mas que parecia distante. A vida de presidente da República não é fácil. Pergunte a José Sarney, que governou o país de 1985 a 1989; a Fernando Collor (1990 a 1992); a Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002); a Lula (2003 a 2010 e desde 2023); a Dilma (2011 a 2016); e a Jair Bolsonaro (2019 a 2022). Itamar Franco e Michel Temer completaram os mandatos de Collor e Dilma, que sofreram impeachment pelo Congresso. De todos eles, Bolsonaro foi o único que não se reelegeu. Deles, Collor e Bolsonaro são os únicos ex-presidentes do Brasil condenados — um por corrupção e o outro por tentativa de golpe de Estado. Lula passou 580 dias preso, mas a Justiça anulou sua condenação.
Entre mentiras na tribuna e acordos de bastidores, a CPMI que investigaria Daniel Vorcaro é sepultada para salvar a pele dos poderosos

Não, não é normal, e lembra-me a história — ou lenda — sobre o escafandrista que, nos anos 1970, entrou no Antonio’s, bar mítico do Leblon, na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e Ataulfo de Paiva. Vestido com seu pesado equipamento de mergulho, sentou-se a uma mesa, tirou o capacete e pediu uma cerveja. Depois de certo tempo, irritado com a aparente indiferença dos frequentadores do lugar, o jornalista João Saldanha subiu numa mesa, bateu palmas e reclamou em voz alta: “Pessoal, tem um homem aqui, um escafandrista, com capacete e tudo, tomando cerveja, e isso não é normal, não pode ser normal.” Ninguém deu bola para a fala irritada de Saldanha.
Esquenta a temperatura política no Distrito Federal

O cenário político do Distrito Federal sofreu uma fratura aparentemente definitiva. Uma troca de farpas públicas marcou a ruptura entre Ibaneis Rocha (MDB), candidato ao Senado, e Celina Leão (PP), sua ex-vice e atual candidata ao governo. O que era vendido como uma transição pacífica virou uma guerra aberta. Ibaneis veio a público manifestar suas “decepções” com a aliada, mas, em resposta firme, Celina rebateu: “Sucessão nunca será submissão”.
Ele acostumou-se a jogar parado. Agora, terá que se mexer para não afundar em definitivo. É aí que mora o perigo, para ele

Se arrependimento matasse… Pois é: a essa altura, Flávio Bolsonaro estaria sendo velado no Salão Negro do Congresso Nacional.
Um filme de exaltação, um ex-banqueiro generoso e produtores que alegam nunca ter visto a cor do dinheiro

Flávio Bolsonaro esconde a fragilidade de sua situação invocando a Deus para não perder apoio entre os evangélicos e reunindo-se com os donos das maiores fortunas do país para que não lhe falte dinheiro a ser gasto em campanha. Com sobras de dinheiro, caso não se eleja presidente, atravessará os próximos quatro anos sem enfrentar maiores dificuldades.
Candidatura de Flávio está na corda bamba

Tudo o que é sólido desmancha no ar. Foi o que aconteceu com a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Ela não resistiu a um bilhete curto e mal escrito, assinado por Bolsonaro, proclamando o filho Flávio como seu legítimo sucessor no comando da direita. Restou a Tarcísio conformar-se e atender à ordem vinda do alto — exatamente como se procede nos quartéis.
É melhor perder do que bater em retirada

Se depender de Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado —, o filho escolhido para disputar a Presidência da República irá até o fim. Não importará se ele for abandonado por parte dos atuais aliados, se perder pontos nas pesquisas de intenção de voto ou sequer se acabar derrotado por Lula em outubro. É exatamente isso que Flávio diz ter ouvido do pai na semana passada e o que pretende fazer, como um filho obediente.
Uma história ainda incompleta

Era uma vez o primogênito de um bandido condenado e preso pela mais alta Corte de Justiça do Brasil, um tal de Jair Messias Bolsonaro, no passado expulso do Exército por planejar atentados à bomba a quartéis do Rio de Janeiro. Tal pai, tal filho; assim eram os dois. Com a diferença de que o pai tinha carisma e, por um desses acidentes da História, elegeu-se presidente da República para, em seguida, ser derrotado. Flávio nunca teve carisma, tampouco ideias. Mas, apesar disso, foi o escolhido pelo pai para devolver a família ao poder.


