Tentativas de intromissão externa no Brasil esbarram na soberania de uma das maiores democracias do mundo

Ricardo Noblat

Senador Flávio Bolsonaro ao lado do presidente Donald Trump, na Casa Branca

Não cabe mais a pergunta sobre se o governo de Donald Trump tentará intervir nas eleições presidenciais brasileiras deste ano. Ela foi respondida nas últimas 24 horas com a decisão dele de declarar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A intervenção, pois, já ocorreu, e seu objetivo é salvar a candidatura de Flávio Bolsonaro — ameaçada de derreter à sombra do caso do Banco Master — e, se possível, fortalecê-la. Em outras palavras: Trump apoia Flávio e, se eleito, Flávio se alinhará a ele, conforme prometeu.

Sob o bombardeio de Trump, a direita que se diz nacionalista celebra um ato de força

Ricardo Noblat

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro, a versão moderada do pai “que o país tanto esperava ver”, morreu ontem quando o governo de Donald Trump classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, intervindo assim diretamente em assuntos internos do Brasil. A partir de agora, no limite, os Estados Unidos podem fazer operações militares na Amazônia à revelia do governo brasileiro e bombardear áreas sob o controle do crime organizado. Tudo a pretexto do combate ao terror.

Na volta da self com Trump, Flávio Bolsonaro terá mais um problema para administrar: seu palanque no Rio de Janeiro

Ricardo Noblat

Pergunta que aguarda uma resposta do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF): o que falta para que o ex-governador Cláudio Castro seja preso por suas estreitas e mais do que suspeitas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o número um do maior escândalo financeiro da história do Brasil?

O ex-governador de Goiás quebra a regra de ouro da sobrevivência política

Ricardo Noblat

Imagem colorida, Caiado cobra explicações públicas de Flávio sobre relação com Vorcaro - Metrópoles

Estava para nascer o candidato que caísse na armadilha de responder à seguinte pergunta: “Se o senhor não disputar o segundo turno, apoiará fulano de tal?”. Não está mais. Nasceu finalmente. Ele se chama Ronaldo Caiado, é candidato à Presidência da República e se oferece como alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro.

“Se você me ajudar a ser eleito, o Brasil será seu”.

Ricardo Noblat

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump

Senador repetiu no Salão Oval promessas feitas no Texas e evitou falar com jornalistas sobre investigações no Brasil.

Um porque mente como amador ao contrário do pai, e o outro por gostar de falar demais

Ricardo Noblat

Valdemar Costa Neto em entrevista ao Metrópoles

A conselho dos seus assessores, tão cedo Flávio Bolsonaro não participará de eventos que reúnam multidões, para não correr o risco de ser vaiado ou de ouvir desaforos. Foi por isso que ele faltou, no último sábado, à Marcha para Jesus realizada no Rio de Janeiro; a justificativa alegada foi a necessidade de visitar o pai, doente e preso em Brasília. Por enquanto, ele também evitará entrevistas em que possa correr o risco de ouvir perguntas embaraçosas. Declarações à imprensa, só em espaços amigáveis. E dê-se por feliz se as próximas pesquisas não registrarem novas quedas nos seus percentuais de intenção de voto para a presidência da República.

Em busca da ajuda de Donald Trump

Ricardo Noblat

Nova pesquisa mostra Lula em vantagem na disputa eleitoral

Lembrar Jair Bolsonaro e fazer-lhe as devidas vênias, porque desvincular-se dele seria impossível, naturalmente arriscado e poderia vir a lhe custar votos preciosos. Mas, ao mesmo tempo, seguir com a toada de que o filho é diferente do pai, é muito mais moderado do que ele, um Bolsonaro que o país tanto deseja ver.

Impulsionado por pesquisas e denúncias contra o rival, o petista recupera fôlego político enquanto a oposição vê aliados buscarem distância

Ricardo Noblat

Flávio Bolsonaro e Lula

Dois fins de semana seguidos de boas notícias para Lula era tudo o que ele desejava, mas que parecia distante. A vida de presidente da República não é fácil. Pergunte a José Sarney, que governou o país de 1985 a 1989; a Fernando Collor (1990 a 1992); a Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002); a Lula (2003 a 2010 e desde 2023); a Dilma (2011 a 2016); e a Jair Bolsonaro (2019 a 2022). Itamar Franco e Michel Temer completaram os mandatos de Collor e Dilma, que sofreram impeachment pelo Congresso. De todos eles, Bolsonaro foi o único que não se reelegeu. Deles, Collor e Bolsonaro são os únicos ex-presidentes do Brasil condenados — um por corrupção e o outro por tentativa de golpe de Estado. Lula passou 580 dias preso, mas a Justiça anulou sua condenação.

Entre mentiras na tribuna e acordos de bastidores, a CPMI que investigaria Daniel Vorcaro é sepultada para salvar a pele dos poderosos

Ricardo Noblat

Não, não é normal, e lembra-me a história — ou lenda — sobre o escafandrista que, nos anos 1970, entrou no Antonio’s, bar mítico do Leblon, na esquina das ruas Bartolomeu Mitre e Ataulfo de Paiva. Vestido com seu pesado equipamento de mergulho, sentou-se a uma mesa, tirou o capacete e pediu uma cerveja. Depois de certo tempo, irritado com a aparente indiferença dos frequentadores do lugar, o jornalista João Saldanha subiu numa mesa, bateu palmas e reclamou em voz alta: “Pessoal, tem um homem aqui, um escafandrista, com capacete e tudo, tomando cerveja, e isso não é normal, não pode ser normal.” Ninguém deu bola para a fala irritada de Saldanha.

Esquenta a temperatura política no Distrito Federal

Ricardo Noblat

O cenário político do Distrito Federal sofreu uma fratura aparentemente definitiva. Uma troca de farpas públicas marcou a ruptura entre Ibaneis Rocha (MDB), candidato ao Senado, e Celina Leão (PP), sua ex-vice e atual candidata ao governo. O que era vendido como uma transição pacífica virou uma guerra aberta. Ibaneis veio a público manifestar suas “decepções” com a aliada, mas, em resposta firme, Celina rebateu: “Sucessão nunca será submissão”.

Ele acostumou-se a jogar parado. Agora, terá que se mexer para não afundar em definitivo. É aí que mora o perigo, para ele

Ricardo Noblat

Flávio Bolsonaro e Vorcaro, em montagem fotográfica -- Metrópoles

Se arrependimento matasse… Pois é: a essa altura, Flávio Bolsonaro estaria sendo velado no Salão Negro do Congresso Nacional.

Um filme de exaltação, um ex-banqueiro generoso e produtores que alegam nunca ter visto a cor do dinheiro

Ricardo Noblat

flavio bolsonaro-dark horse

Flávio Bolsonaro esconde a fragilidade de sua situação invocando a Deus para não perder apoio entre os evangélicos e reunindo-se com os donos das maiores fortunas do país para que não lhe falte dinheiro a ser gasto em campanha. Com sobras de dinheiro, caso não se eleja presidente, atravessará os próximos quatro anos sem enfrentar maiores dificuldades.

Candidatura de Flávio está na corda bamba

Ricardo Noblat

Tudo o que é sólido desmancha no ar. Foi o que aconteceu com a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Ela não resistiu a um bilhete curto e mal escrito, assinado por Bolsonaro, proclamando o filho Flávio como seu legítimo sucessor no comando da direita. Restou a Tarcísio conformar-se e atender à ordem vinda do alto — exatamente como se procede nos quartéis.

É melhor perder do que bater em retirada

Ricardo Noblat

Se depender de Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado —, o filho escolhido para disputar a Presidência da República irá até o fim. Não importará se ele for abandonado por parte dos atuais aliados, se perder pontos nas pesquisas de intenção de voto ou sequer se acabar derrotado por Lula em outubro. É exatamente isso que Flávio diz ter ouvido do pai na semana passada e o que pretende fazer, como um filho obediente.

Uma história ainda incompleta

Ricardo Noblat

Flávio Bolsonaro e Vorcaro, em montagem fotográfica -- Metrópoles

Era uma vez o primogênito de um bandido condenado e preso pela mais alta Corte de Justiça do Brasil, um tal de Jair Messias Bolsonaro, no passado expulso do Exército por planejar atentados à bomba a quartéis do Rio de Janeiro. Tal pai, tal filho; assim eram os dois. Com a diferença de que o pai tinha carisma e, por um desses acidentes da História, elegeu-se presidente da República para, em seguida, ser derrotado. Flávio nunca teve carisma, tampouco ideias. Mas, apesar disso, foi o escolhido pelo pai para devolver a família ao poder.

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