O herdeiro, o réu e a madrasta: a família tradicional

Flávio tenta se vender como a cura para a polarização que ele mesmo ajudou a criar, enquanto Michelle já estuda o desembarque.

atualizado

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Artes sobre fotos do Metrópoles
Flavio, Michelle, Eduardo e Carlos Bolsonaro -- Metrópoles
1 de 1 Flavio, Michelle, Eduardo e Carlos Bolsonaro -- Metrópoles - Foto: Artes sobre fotos do Metrópoles

O senador Flávio Bolsonaro, o “01”, vive o dilema de quem tenta ser o cérebro de um corpo que insiste em agir pelo fígado. Enquanto Eduardo Bolsonaro se torna réu no STF por coação e obstrução, Flávio tenta, nos bastidores, articular uma sobrevivência política que parece cada vez mais distante da realidade.

Veja bem, a premissa de Flávio é falsa. O senador afirmou recentemente que “o bolsonarismo pode acabar com a polarização”, uma declaração que beira o absurdo. Parece impossível, para dizer o mínimo, que o grupo que transformou a política em um clima de ódio e “guerra cultural” seja o mesmo a nos tirar dela.

Flávio tenta se vender como a face moderada e articuladora, mas tropeça na própria sombra ao acreditar que pode moldar as instituições ao seu interesse. O problema é que o tempo da impunidade por decreto — aquele que seu ídolo Donald Trump viu ruir na Suprema Corte americana esta semana — está acabando.

O mandato, na mão de quem prefere o confronto ideológico distorcido à política real, vira um instrumento de desgaste. Flávio pode até tentar se descolar do radicalismo dos irmãos ou da “birra” de Trump, mas é o arquiteto de um castelo que começa a ruir.

Ele tenta organizar a fila de sucessão, mas esquece que a política não segue ordem de chegada de clãs e que a polarização grotesca que eles criaram é, hoje, o seu maior carrasco.

Para apimentar o cozinhado, o “chega pra lá” de Michelle foi pedagógico. Ao responder publicamente que seu futuro “está nas mãos de Deus”, desautorizando o anúncio de Flávio sobre sua candidatura ao Senado, ela deixou claro que não aceita tutela.

Enquanto Flávio tenta amarrar o PL ao seu projeto presidencial de 2026, Michelle flerta abertamente com a “opção Tarcísio”. A ex-primeira-dama já percebeu que, para brilhar e sobreviver ao cerco que prende o marido e encurrala os enteados, precisa se afastar da sombra pesada dos filhos de Bolsonaro.

Entre a articulação de Flávio e o carisma de Michelle, o racha na mesa de jantar do clã é o prato principal que será servido – com veneno – nos próximos meses.

E essa é apenas uma parte do reality show eleitoral que vamos acompanhar atentos em 2026.

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