Quem tem pressa, come tarifa: Lula saboreia vitória
Lula celebra recuo do tarifaço de Trump, alfineta oposição “patriota” e lembra: diplomacia não se faz em rede social
atualizado
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Em tempos onde políticos e militantes mais torcem pela falha do adversário do que pelo bem do país, é fácil entender o alívio de Lula. O presidente saboreia uma vitória diplomática.
Fez questão de mandar um recado ao mercado e à oposição que espumavam pela boca em julho passado. À época do tarifaço de 50%, exigiam que nos curvássemos, como bons patriotas (de onde?).
Lula entregou cautela. Mostrou que o diálogo compensa.
“Quem tem pressa come cru”. Eis o mantra que hoje ecoa nos corredores do Palácio.
Enquanto boa parte do mundo se curvou aos abusos de Donald Trump, como se validassem sua postura de rei do universo, o Brasil pisou no freio. Resistiu. Não foi fácil chegar até aqui, é verdade. Mas vale, sim, o grito de vitória.
E valem também as alfinetadas. Aos diplomatas americanos, o lembrete de que não se governa por rede social. Ao “imperador”, o aviso: não se interfere na Suprema Corte — nem na dele, nem na dos outros.
“Me parece que do lado de lá não tem tanta vontade de negociar porque eles acham que o presidente Trump resolve as coisas pelo Twitter”, disse Lula
A aposta segue, portanto, na relação civilizada. No ganha-ganha. O jogo só destrava quando o telefone toca. É a política do contato direto vencendo a frieza de gabinetes paralisados pelo medo.
Por enquanto, o placar de 15% é muito melhor que os 50% de antes. Os profetas do caos de julho tiveram que guardar as cornetas no armário. Mas a calmaria, como se sabe, é apenas o intervalo entre um post e outro.
Sigamos.


