A corda aperta em torno do pescoço de Ibaneis
O desafio de tentar salvar o BRB e a própria candidatura ao Senado
atualizado
Compartilhar notícia

Como advogado orgulhoso da fortuna que construiu a ponto de falar sobre ela até na frente de estranhos, Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, esperneia para escapar da arapuca em que se meteu. De nada lhe adiantará jogar a culpa nos outros.
Da vez anterior, saiu-se bem. Na tarde do domingo 8 de janeiro de 2023, posto em sossego na mansão que lhe custou 23 milhões de reais (a compra mais cara de uma residência da história de Brasília naquela época), Ibaneis ignorou o que se passava no seu quintal.
Acampados à porta do Quartel-General do Exército, milhares de pessoas marcharam pela Esplanada dos Ministérios na direção da Praça dos Três Poderes. Ibaneis soube por agentes policiais que tudo corria na mais perfeita ordem. Então ele foi dormir.
Acordou com a notícia da invasão dos prédios do Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal. Culpou os que lhe disseram que tudo terminaria em paz – terminou com uma tentativa de golpe. Quando foi dormir outra vez, já não governava.
O Distrito Federal estava sob intervenção, e ele afastado do cargo. Voltou a despachar no dia 16 de março por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Como processar alguém que apenas dormia enquanto se dava um golpe de Estado?
Moraes não é tão mal como pode parecer.
Acontece que agora, embora continue mandando muito, Moraes já não pode dar-se ao luxo de querer mandar em tudo. A liquidação do Banco Master virou uma pedra no sapato do Supremo Tribunal Federal devido ao comportamento do ministro Dias Toffoli.
Ibaneis que se vire sozinho para salvar o Banco Regional de Brasília (BRB), ameaçado de afundar junto com o Master. Ibaneis autorizou o BRB a comprar o Master. Ibaneis sabia que o Master estava para falir. Ibaneis acompanhou tudo de perto, em detalhes.
Os grandes bancos nunca engoliram a operação de compra do Master pelo BRB. O Ministério da Fazenda proibiu os bancos públicos de fazer negócios com o BRB. A eventual federalização do BRB revelaria o tamanho do rombo em suas contas.
Lula não tem e nunca teve a menor simpatia por Ibaneis. Tampouco Bolsonaro e seus familiares amestrados. Ibaneis lançou-se candidato a senador. Bolsonaro anunciou esta semana que apoiará as candidaturas ao Senado de Michelle e Bia Kicis.
Ibaneis tem até o final de março para decidir o que fazer: arriscar-se a largar o cargo para disputar uma vaga de senador? Ou completar o mandato, dando por finda sua curta carreira política?
Só cruzei com ele uma vez na vida, num restaurante. Ele estava em campanha para se eleger governador pela primeira vez. Foi logo me falando sobre a fortuna que acumulara.
Mostrou-me o Rolex que usava no pulso, o carro de luxo que o transportava de comício em comício, e criticou seus assessores que o aconselhavam a não parecer tão rico como era.
“Jamais enganarei o povo”, disse-me em tom solene.


