O que acontece no seu corpo ao comer comida apimentada todos os dias
Segundo um nutricionista, o consumo de comida apimentada todos os dias pode fazer bem para a saúde, dependendo da sua resistência
atualizado
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Comida é algo pessoal. Cada um tem seus gostos e preferências, e muitas pessoas têm necessidades nutricionais específicas e restrições alimentares. Comida apimentada pode transformar qualquer refeição em uma experiência sensorial — dor, prazer, até mesmo suar podem levar os sabores a um novo patamar. Enquanto alguns gostam de comida picante, exagerar na pimenta pode arruinar a refeição para outros.
Quer você adore a sensação picante de uma refeição apimentada ou não suporte o ardor, talvez esteja se perguntando: a comida apimentada traz benefícios à saúde? Ou será que alimentos picantes são arriscados ou até mesmo perigosos, se ingeridos diariamente?

Muitas vezes, o sabor picante dos alimentos se deve à presença da capsaicina, substância responsável pela ardência e por boa parte dos seus efeitos no organismo. “Quando consumida diariamente, a pimenta pode estimular o metabolismo, aumentar levemente o gasto energético, melhorar a circulação sanguínea e ativar receptores ligados à dor e à temperatura”, explica o nutricionista Matheus Maestralli.
Como funciona?
Ao ingerir alimentos picantes, a capsaicina se liga a receptores na boca e na língua chamados TRPV1, e esses receptores enviam sinais de dor ao cérebro. Esses receptores também detectam temperatura e calor. A capsaicina engana o corpo, fazendo-o pensar que está superaquecendo, de acordo com a Cleveland Clinic. Pode haver um leve aumento na temperatura corporal e na frequência cardíaca.
Como resultado, o corpo pode tentar se refrescar, e é por isso que você pode ficar com o rosto vermelho ou começar a suar ao comer alimentos picantes. A capsaicina também pode irritar as membranas que revestem o nariz, o que pode causar coriza ou lacrimejamento.

Além da experiência física, há um componente psicológico: as pessoas podem sentir desconforto ou pânico quando a queimadura acontece. No entanto, a dor também pode desencadear a liberação de endorfinas. A onda desses neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar pode criar uma sensação de alívio, prazer ou euforia.
Benefícios de consumir pimenta
O profissional destaca que há liberação de endorfinas, o que explica a sensação de bem-estar relatada por alguns consumidores habituais. “Em pequenas quantidades, também pode contribuir para controle do apetite e melhora da sensibilidade à insulina.”
Pesquisadores que exploraram os efeitos benéficos dos alimentos picantes frequentemente observam que eles têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Ambas podem ajudar a combater doenças e promover a saúde em geral, portanto, um pouco de pimenta pode agradar mais do que apenas o paladar.
Matheus também detalha que estudos associam o consumo regular e moderado de pimenta a benefícios cardiovasculares.
Cuidados ao comer pimenta
Apesar disso, o nutricionista acrescenta: “Em pessoas saudáveis, o consumo diário não é necessariamente prejudicial. No entanto, em indivíduos com gastrite, refluxo, síndrome do intestino irritável e histórico de úlceras, a pimenta pode agravar sintomas como queimação, dor abdominal, azia e diarreia.”

Ou seja, o nutricionista salienta que os benefícios existem, porém, depende da tolerância individual e do contexto clínico.
Tem limite de consumo de comida apimentada?
Na visão do expert, não existe uma quantidade universal definida como “segura” para todos. “O limite é, principalmente, individual. O corpo costuma sinalizar excessos por meio da ardência persistente no estômago, azia frequente, desconforto intestinal, sudorese excessiva, taquicardia, diarreia ou sensação de irritação gastrointestinal.”
Se esses sinais aparecem de forma recorrente, é um indicativo de que o consumo está acima da capacidade de adaptação do organismo e deve ser reduzido.














