Dieta mediterrânea com aminoácido extra aumenta longevidade em ratos
Pesquisa mostra que o segredo dos benefícios da dieta está no consumo equilibrado de metionina, um aminoácido essencial presente na carne

Uma rotina alimentar baseada em vegetais, pouco teor proteico e consumo equilibrado de metionina, um aminoácido essencial achado em ovos, carne e laticínios, pode ser a receita para viver mais. Em um novo estudo internacional, ratos idosos que seguiram a dieta puderam comer e viver mais e com saúde, em comparação a grupos que seguiram outros planos alimentares.
A descoberta liderada por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, teve os resultados publicados na revista Cell Metabolism em meados de junho.
Em comunicado, Valter Longo, um dos autores do estudo, diz que o segredo dos resultados está no equilíbrio de consumo da metionina e outros aminoácidos essenciais. Em quantidades adequadas, eles desempenham funções vitais no organismo, mas em exagero podem não ser tão benéficos assim.
Os cientistas também compararam os resultados em ratos a dados dietéticos e de saúde de mais de 200 mil pessoas. Indivíduos que consumiram mais proteína animal e, consequentemente, mais metionina, tiveram maior propensão a ter obesidade e desenvolver diabetes tipo 2.
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A rotina alimentar utilizada como base no estudo foi inspirada nas dietas mediterrâneas, baseada no baixo teor proteico e maior consumo de vegetais. Ela é bastante comum em certas regiões da Europa e é conhecida por promover a longevidade.
Apesar de viver mais, populações que consomem a dieta mediterrânea tendem a ser mais frágeis na terceira idade. Como solução, os pesquisadores readequaram o plano alimentar adicionando uma pequena quantidade de metionina e mantendo o cardápio baseado em vegetais.
Para avaliar se a dieta ajudava a dar uma longevidade com saúde, pesquisadores realizaram testes com ratos idosos. Eles receberam quatro tipos de dieta, incluindo a dieta mediterrânea ajustada com baixo teor de proteína e suplementada com metionina (LDMM, na sigla em inglês).
Em comparação aos alimentados com os outros planos alimentares, os ratos que consumiram a LDMM ganharam menos gordura corporal e tiveram uma expectativa de vida saudável mais longa e com menos sinais de fragilidade.
“Esperávamos que dietas diferentes produzissem resultados diferentes, mas o que realmente nos impressionou foi como a modulação de apenas um único aminoácido, a metionina, na dieta da longevidade poderia produzir mudanças metabólicas tão drásticas. Isso aponta para a ideia de que a composição de aminoácidos, e não apenas a quantidade total de proteína, pode ser o alvo de intervenções metabólicas estratégicas”, afirma a primeira autora do estudo, Maura Fanti.
Também foi detectada melhora em marcadores biológicos ligados à saúde cardiometabólica nos ratos. O curioso é que, mesmo comendo mais e ingerindo a mesma quantidade calorias das outras dietas, os animais obtiveram os benefícios.
“Isso desafia o dogma de que a redução de calorias é necessária para perder peso, mas também nos mostra que precisamos ter uma compreensão clara dos mecanismos. A falta de metionina causou fragilidade, mas o excesso da substância anulou os benefícios da dieta”, afirma Longo.
De acordo com os pesquisadores, os resultados apontam que a ingestão de aminoácidos específicos pode ser mais determinante em uma dieta para longevidade do que o consumo total de proteínas. Como próximo passo, os cientistas querem testar a rotina alimentar com humanos para saber se as mesmas vantagens serão obtidas.



