Em dia de alívio com petróleo, dólar cai a R$ 4,95 e Bolsa sobe forte

No último pregão do mês, dólar caiu frente ao real e Bolsa subiu, com baixa do petróleo e repercussão de Copom, Fed, PIB e inflação nos EUA

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Witthaya Prasongsin/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

Em um dia de alívio nos mercados globais diante do recuo nos preços internacionais do petróleo, o dólar terminou a sessão desta quinta-feira (30/4) em queda firme, a R$ 4,95, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3) fechou em forte alta.

Na última sessão do mês de abril, os investidores também repercutiram os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês), a chamada “inflação do consumo” na maior economia do mundo.

No cenário doméstico, o principal destaque do dia foi a divulgação do índice de desemprego pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No exterior, os principais índices das bolsas na Europa fecharam no azul, enquanto as bolsas norte-americanas também tiveram um dia de ganhos sólidos, mesmo com a forte queda das ações de alguns dos gigantes de tecnologia.


Dólar

  • A moeda norte-americana terminou a sessão desta quinta-feira em baixa de 0,99% frente ao real, cotada a R$ 4,952. É o menor valor em mais de 2 anos, desde o dia 7 de março de 2024.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 4,999. A mínima foi de R$ 4,951.
  • No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,00.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 4,41% em abril e de 9,87% em 2026 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, fechou o pregão com valorização de 1,39%, aos 187,3 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou o pregão em queda de 2,05%, aos 184,7 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 0,06% no mês e valorização de 16,05% no ano.

BC corta juros, mas deixa mercado “às cegas”

Nessa quarta-feira (29/4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para 14,5% ao ano, mantendo um ciclo de cortes após descer a taxa a 14,75% na última reunião. Antes disso, a Selic se manteve em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.

O anúncio já era esperado por parte do mercado financeiro, levando em consideração a comunicação do comitê que indicava o início da flexibilização monetária.

O Copom não ofereceu nenhuma indicação ao mercado a respeito de novos cortes da Selic na próxima reunião do órgão, em 16 e 17 de junho. É isso o que mostra o comunicado divulgado pela autoridade monetária.

O trecho do documento destinado a eventuais projeções diz que, no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o “comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”.

A seguir, acrescenta que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros precisam “incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

No comunicado, o Copom ainda destaca como fator de incerteza a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. “O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirma o texto. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”

Em um trecho importante do novo comunicado, o Copom também mudou a projeção de aumento de preços. Ele anota que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5%.

Na despedida de Powell, Fed não mexe nos juros

Na terceira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) em 2026, nessa quarta-feira (29/4), a taxa de juros foi mantida inalterada pela autoridade monetária pela terceira vez consecutiva.

Acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado, a taxa básica de juros da economia norte-americana segue no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

A decisão do BC dos EUA não foi unânime. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan). Foi a votação mais dividida no Fomc em mais de 30 anos, desde 1992.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem o atual presidente do Fed, Jerome Powell, no comando do BC dos EUA. Seu mandato termina em maio.

Powell será sucedido pelo ex-diretor do Fed Kevin Warsh, indicado ao cargo pelo presidente dos EUA, Donald Trump – desafeto do atual chefe do BC dos EUA. O nome de Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado e, agora, será analisado pelo plenário da Casa.

Desemprego no Brasil sobe em março, aponta IBGE

O IBGE divulgou nesta manhã a taxa oficial de desemprego no Brasil em março deste ano, que ficou em 6,1% ao final do primeiro trimestre. O índice cresceu 1 ponto percentual em relação ao último trimestre do ano passado.

Em fevereiro de 2026, o desemprego no Brasil foi de 5,8%. O resultado de março veio em linha com a média das estimativas do mercado, que eram justamente de 6,1%.

De acordo com o IBGE, a população desocupada no país (6,6 milhões) subiu 19,6% (ou mais 1,1 milhão de pessoas) no trimestre, mas caiu 13% (menos 987 mil pessoas) no ano. Já a população ocupada (102 milhões) recuou 1% (ou 1 milhão de pessoas) no trimestre, mas avançou 1,5% (mais 1,5 milhão) no ano.

Dados do PIB e da inflação nos EUA

No front internacional, os investidores repercutiram os dados do PIB dos EUA no primeiro trimestre de 2026 e da chamada “inflação do consumo” (o PCE) em março.

O PIB da maior economia do mundo no primeiro trimestre do ano subiu 2%, acelerando em relação à alta de 0,5% no trimestre anterior, mas abaixo das estimativas do mercado.

Já o PCE ficou em 0,7% em março deste ano, na comparação com o mês anterior. Na base anual, em relação a março de 2025, a inflação do consumo nos EUA ficou em 3,5%.

Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava exatamente índices de 0,7% e 3,5%. Em fevereiro, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,4% (mensal) e 2,8% (anual).

Os dados sobre atividade econômica e inflação estão entre aqueles que são mais levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Fed.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Preço do petróleo cai após bater recorde em 4 anos

Os preços internacionais do petróleo esboçaram um “alívio”, nesta quinta-feira, apesar de permanecerem as tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano, em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Depois de terem atingido, na véspera e nas primeiras horas da sessão desta quinta-feira, o maior valor em quatro anos, os preços do petróleo passaram a operar em baixa.

Por volta das 16h20 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 1,63% e era negociado a US$ 105,14. No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) tinha leve alta de 0,27%, a US$ 110,74.

Mais cedo, a cotação do petróleo atingiu o maior nível desde 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, com o barril do brent superando os US$ 118 e batendo US$ 125 nos contratos futuros.

A sessão de quarta-feira foi a oitava consecutiva de valorização nos preços do petróleo, a maior sequência em quatro anos. Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, o preço do barril do petróleo tipo brent acumula alta de mais de 60%.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “a melhora do humor externo favoreceu moedas emergentes e pressionou a moeda americana”.

“No doméstico, apesar de alguma volatilidade no período da manhã gerada pela rolagem de contratos e pela formação da Ptax (taxa de câmbio oficial do dólar em relação ao real) no fim do mês, a alta do Ibovespa, o dólar mais fraco globalmente e o diferencial de juros sustentaram o real ao longo do dia”, observa. “O resultado foi um dólar em queda, oscilando próximo das mínimas recentes, em um cenário de fluxo favorável a ativos de risco.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?