"Inflação do consumo" nos EUA acelera em março, dentro do esperado
Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 0,7% em março, na comparação mensal, indicando aceleração

Um dos índices monitorados com maior atenção pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 0,7% em março deste ano, na comparação com o mês anterior.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30/4) pelo Departamento de Comércio do governo norte-americano.
Na base anual, em relação a março de 2025, a inflação do consumo nos EUA ficou em 3,5%.
Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava exatamente índices de 0,7% e 3,5%.
Em fevereiro, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,4% (mensal) e 2,8% (anual).
Núcleo de inflação
O núcleo da inflação do consumo, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 0,3% em março. Na base anual, ficou em 3,2%.
O resultado também veio dentro do esperado pelo mercado. No mês anterior, o núcleo do PCE foi de 0,4% (mensal) e 3% (anual).
Dado é observado pelo Fed
O dado sobre a chamada “inflação do consumo” é um daqueles levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Ao fim da terceira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2026, nessa quarta-feira (29/4), o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “o PCE de março veio em linha com as expectativas, mas com uma composição mais desafiadora”.
“O dado reforça um cenário de inflação pressionada por choques macroeconômicos — neste caso, o preço da energia ligado ao conflito no Oriente Médio — enquanto a demanda começa a mostrar sinais mais mistos. Para o Federal Reserve, o quadro segue desconfortável: a inflação permanece acima da meta, com aceleração no índice cheio e com o núcleo ainda persistentemente elevado”, aponta Shahini.
“Somado à incerteza geopolítica e à pressão do petróleo, esse quadro tende a manter o viés conservador do Fed. Em paralelo, o choque atual pode representar o risco de um aperto no consumidor americano à frente — inflação elevada corroendo renda real e diminuindo o consumo das famílias —, o que pode desacelerar a atividade mais adiante, mesmo sem uma resposta imediata do Fed.”

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