Com guerra, inflação nos EUA acelera em março, dentro do esperado

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação nos EUA, ficou em 3,3% em março, na base anual

atualizado

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Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles
1 de 1 Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles - Foto: Getty Images

Com os preços já sob os efeitos da guerra no Oriente Médio, a inflação nos Estados Unidos em março deste ano acelerou em relação ao mês anterior e veio em linha com as estimativas dos analistas do mercado, de acordo com números divulgados nesta sexta-feira (10/4) pelo Departamento do Trabalho.


O que aconteceu

  • O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 3,3% em março, ante 2,4% do último levantamento.
  • Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%, também acima do resultado anterior (0,3%).
  • Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas era de 3,4% (anual) e 1% (mensal).
  • A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Núcleo de inflação

O núcleo da inflação nos EUA, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 2,6% em março, na base anual.

O resultado, que veio dentro do esperado pelo mercado, ficou levemente acima do mês anterior (2,5%).

Na comparação mensal, o núcleo da inflação norte-americana ficou em 0,2%, estável em relação a fevereiro (0,2%).

Dado é observado com atenção pelo Fed

O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “o resultado de março, sozinho, não altera a perspectiva para a política monetária americana”. “Já havia pouco espaço para novos cortes mesmo antes do início do conflito. A aceleração da inflação, juntamente com um ‘payroll’ melhor que o esperado, colocam o Fed em modo ainda mais cauteloso”, avalia.

“Entretanto, com o cessar-fogo, a chance de um impacto inflacionário sustentado diminui, o que permite uma normalização da inflação mais rápido, mas condicionado ao desempenho do mercado de trabalho e ao preço do barril de petróleo não ficar acima dos US$ 100”, explica Valério.

Para o economista, mesmo com o fim do conflito, “a normalização na oferta do petróleo demandará um tempo maior, mantendo o preço do petróleo pressionado”. “Portanto, não vemos o Fed alterando a taxa de juros antes da reunião de junho, mas há espaço para retomada do ciclo de cortes a partir do 2º semestre, com a inflação subjacente americana indicando bom comportamento, mesmo com o choque do petróleo”, conclui.

Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, entend que os números indicam que, apesar do choque externo nas commodities, “a inflação permanece relativamente controlada e com sinais de deflação em setores como cuidados médicos e veículos usados”. “Embora o índice cheio tenha trazido um crescimento significativo, o valor associado ao núcleo pode levar o Fed a dar menos relevância ao pico causado pela variação de preços energia, mantendo o foco na trajetória de longo prazo, dependendo da continuidade ou não do conflito e da normalização da oferta de petróleo. O mercado interpretou positivamente o resultado, com os índices futuros das bolsas americanas operando em leve alta”, afirma.

“A leitura sugere que a inflação núcleo está desacelerando, o que corrobora a sinalização de integrantes do Fed sobre uma possível redução de 0,25 ponto percentual nos juros, embora o ‘timing’ exato continue incerto e o mercado ainda precifique poucas chances de cortes agressivos ao longo de 2026. Este cenário afasta temores de uma espiral inflacionária descontrolada, uma vez que o choque foi concentrado no setor de energia, responsável por quase três quartos da alta mensal”, avalia Lobo.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que, no geral, “os preços de serviços permanecem em patamar elevado, enquanto os preços de bens industriais continuam registrando aumentos acima da média histórica”.

“Os dados do CPI de março sugerem que a inflação americana já começou a sentir os impactos da ofensiva dos EUA e de Israel ao Irã sobre os preços do petróleo. Os preços do segmento de energia, por exemplo, subiram 10,9% no mês, puxados principalmente pelo aumento de 21,2% na gasolina”, observa Moreno.

Para a economista, o aumento de tensões no Oriente Médio “reforçou as preocupações em relação à inflação no mundo todo, e o mercado segue alerta diante das incertezas sobre a evolução do conflito”. “Nesse contexto, acreditamos que há cada vez menos espaço para cortes de juros nos EUA em 2026. Nossa expectativa é de que os juros sejam mantidos no intervalo atual (de 3,5 a 3,75%) na próxima reunião, no final de abril.”

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