Dólar cai com Trump-Irã e inflação no Brasil e EUA. Bolsa bate recorde
Na véspera, dólar terminou sessão em queda de 0,78%, cotado a R$ 5,063, menor valor em 2 anos. Bolsa cravou 195,1 mil pontos e bateu recorde
atualizado
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O dólar operava em baixa, nesta sexta-feira (10/4), dia no qual os mercados globais monitoram o passo a passo das negociações entre Estados Unidos e Irã, cujos representantes se reúnem no Paquistão em busca de um possível acordo pelo fim do conflito no Oriente Médio, que agora parece mais próximo.
No cenário econômico, o principal destaque é a divulgação dos dados de inflação nos EUA em março deste ano. No Brasil, também é divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, no mês passado. É o primeiro dado do IPCA já com os preços sob os efeitos causados pela guerra.
Dólar
- Às 10h47, o dólar caía 0,92%, a R$ 5,016.
- Às 9h34, a moeda norte-americana recuava 0,43% e era negociada a R$ 5,042.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,068. A mínima é de R$ 5,012.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,78%, cotado a R$ 5,063, o menor valor em quase dois anos, desde maio de 2024.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,24% em abril e de 7,76% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no pregão, renovando sua máxima histórica.
- Às 10h50, o Ibovespa avançava 0,87%, aos 196,8 mil pontos.
- Na máxima até aqui, o índice cravou 196.841,15 pontos. batendo novo recorde histórico intradiário.
- No dia anterior, o indicador encerrou o pregão em alta de 1,52%, aos 195.129,25 pontos, novo recorde histórico de fechamento.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,55% no mês e de 19,31% no ano.
Negociações avançam no Paquistão
A mesa de negociações entre EUA e Irã, entre esta sexta-feira e sábado (11/4), ocorre sob forte esquema de segurança em Islamabad, no Paquistão, onde autoridades decretaram feriado e esvaziaram as ruas para viabilizar o encontro.
A capital do Paquistão virou o epicentro da diplomacia global, com delegações iniciando conversas diretas para tentar encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos em escala mundial.
Islamabad foi praticamente isolada para sediar as negociações. Áreas estratégicas, como a Zona Vermelha, foram bloqueadas, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar o encontro. Hóspedes foram retirados e forças de segurança reforçaram o controle de acesso.
A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A presença do vice de Donald Trump é vista como um sinal de maior disposição dos EUA para negociar, diante da desconfiança iraniana em relação a rodadas anteriores conduzidas por outros interlocutores.
“É melhor que parem agora”
Na véspera, o tom foi bem diferente. Na noite dessa quinta-feira, Donald Trump fez um alerta ao Irã após relatos de que o país estaria cobrando taxas de petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz.
“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz. É melhor que não estejam fazendo isso e, se estiverem, é melhor que parem agora!”, escreveu em publicação na Truth Social.
Trump também criticou a atuação iraniana na região, sugerindo que Teerã não está respeitando sua parte no acordo de cessar-fogo. “O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, em sua liberação da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. Isso não é o acordo que temos!”, completou.
“O tempo está se esgotando”
Também na quinta-feira, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “o tempo está se esgotando” no contexto do frágil cessar-fogo envolvendo o Oriente Médio e alertou para respostas “firmes”, caso o acordo seja violado.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Ghalibaf reforçou que o Líbano é parte “inseparável” do cessar-fogo, em linha com a posição defendida por Teerã de que o acordo inclui aliados regionais.
O iraniano também advertiu que violações terão “custos explícitos e respostas fortes”, pedindo que os ataques sejam interrompidos imediatamente.
IPCA no Brasil
Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado da inflação oficial em março, já sob os impactos da guerra entre EUA e Irã.
A inflação no país ficou em 0,88%, acelerando em relação ao mês anterior (0,77%).
No acumulado de 12 meses até março, segundo as projeções, o IPCA avançou para 4,14%, ante 3,81% de fevereiro.
Os resultados vieram acima do esperado pelo mercado. A média das estimativas dos analistas era de uma inflação de 0,77% (na base mensal) e 4% (anual).
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central (BC) para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
O indicador mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.
Inflação nos EUA
Além da inflação brasileira, os investidores repercutem os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que também foram divulgados nesta sexta-feira.
O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 3,3% em março, ante 2,4% do último levantamento.
Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%, também acima do resultado anterior (0,3%).
Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas era de 3,4% (anual) e 1% (mensal). A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.
O índice da inflação ao consumidor é considerado um dos mais importantes pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) para a definição da taxa básica de juros no país.
Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
