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Mundo

EUA e Irã se reúnem no Paquistão para negociar o fim da guerra

Negociações entre EUA e Irã ocorrem em Islamabad sob forte segurança e podem redefinir os rumos da guerra e da diplomacia regional

10/04/2026 02:01
Harun Ozalp/Anadolu via Getty Images
EUA e Irã se reúnem no Paquistão para negociar o fim da guerra

A mesa de negociações entre Estados Unidos e Irã, entre esta sexta-feira (10/4) e sábado (11/4), ocorre sob forte esquema de segurança em Islamabad, no Paquistão, onde autoridades decretaram feriado e esvaziaram as ruas para viabilizar o encontro.

A capital do Paquistão virou o epicentro da diplomacia global, com delegações iniciando conversas diretas para tentar encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos em escala mundial.

Islamabad foi praticamente isolada para sediar as negociações. Áreas estratégicas, como a Zona Vermelha, foram bloqueadas, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar o encontro. Hóspedes foram retirados e forças de segurança reforçaram o controle de acesso.

Quem está na mesa

A delegação norte-americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

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A presença do vice de Donald Trump é vista como um sinal de maior disposição estadunidense para negociar, diante da desconfiança iraniana em relação a rodadas anteriores conduzidas por outros interlocutores.

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Shehbaz Sharif e Donald Trump
Mojtaba Khamenei é o líder supremo do regime islâmico do Irã
JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos
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JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Alex Brandon-Pool/Getty Images
Shehbaz Sharif e Donald Trump
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Shehbaz Sharif e Donald Trump

Harun Ozalp/Anadolu via Getty Images
Mojtaba Khamenei é o líder supremo do regime islâmico do Irã
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Mojtaba Khamenei é o líder supremo do regime islâmico do Irã

Morteza Nikoubazl/NurPhoto via Getty Images

Paquistão como mediador desde o início

Desde os primeiros momentos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o Paquistão vinha se posicionando como um dos principais articuladores de uma solução diplomática.

Em meio à intensificação das hostilidades, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif chegou a anunciar um entendimento inicial entre as partes. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que os envolvidos haviam concordado com uma trégua imediata “em todos os lugares”, incluindo o Líbano e outras frentes do conflito.

“Com a maior humildade, tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, com efeito imediato”, escreveu.

Sharif também destacou o que chamou de postura “sábia” das lideranças envolvidas e passou a atuar diretamente para manter o diálogo ativo.


Cessar-fogo sob pressão

  • O cessar-fogo mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã entra em vigor sob forte instabilidade e com sinais imediatos de fragilidade.
  • A principal tensão está na interpretação do alcance do acordo, especialmente sobre a inclusão de outras frentes do conflito, como o Líbano.
  • O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que as partes haviam concordado com uma trégua “em todos os lugares”, incluindo o território libanês e demais frentes regionais.
  • A declaração, no entanto, foi contestada por autoridades dos EUA e de Israel, que negam a extensão automática do cessar-fogo.
  • A divergência aumentou após a continuidade de ataques israelenses no Líbano, vista por Teerã como violação do espírito do acordo.
  • Os fortes ataques comandados pelo premier Benjamin Netanyahu já deixaram mais de 300 mortos em Beirute.
  • O governo iraniano passou a alertar que a escalada pode comprometer o processo diplomático ainda em fase inicial.

Impasses e desconfiança

Apesar da retomada do diálogo, os entraves são significativos. O Irã defende um plano que inclui maior controle sobre o Estreito de Ormuz e mudanças na presença militar dos EUA na região, enquanto o governo de Donald Trump pressiona por restrições ao programa nuclear iraniano.

Outro ponto crítico envolve o “fator Líbano”. Teerã sustenta que o cessar-fogo deve abranger aliados regionais, os EUA e Israel afirmam que a trégua se limita ao confronto direto entre americanos e iranianos.

Os ataques israelenses em território libanês, que continuam mesmo após o anúncio do cessar-fogo, elevam o risco de colapso das negociações.

No meio de toda essa construção, o Estreito de Ormuz segue fechado e com intenso congestionamento de embarcações. Na noite dessa quinta-feira (9/4), o presidente Donald Trump teceu críticas à forma como o regime de Mojtaba Khamenei tem lidado com a principal via marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Trump chegou a afirmar que “o Irã está fazendo um péssimo trabalho, desonroso, diriam alguns, ao não permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz”, aquecendo o clima pré-negociações presenciais entre as delegações iraniana e norte-americana.