EUA e Irã se reúnem no Paquistão para negociar o fim da guerra
Negociações entre EUA e Irã ocorrem em Islamabad sob forte segurança e podem redefinir os rumos da guerra e da diplomacia regional
atualizado
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A mesa de negociações entre Estados Unidos e Irã, entre esta sexta-feira (10/4) e sábado (11/4), ocorre sob forte esquema de segurança em Islamabad, no Paquistão, onde autoridades decretaram feriado e esvaziaram as ruas para viabilizar o encontro.
A capital do Paquistão virou o epicentro da diplomacia global, com delegações iniciando conversas diretas para tentar encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos em escala mundial.
Islamabad foi praticamente isolada para sediar as negociações. Áreas estratégicas, como a Zona Vermelha, foram bloqueadas, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar o encontro. Hóspedes foram retirados e forças de segurança reforçaram o controle de acesso.
Quem está na mesa
A delegação norte-americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A presença do vice de Donald Trump é vista como um sinal de maior disposição estadunidense para negociar, diante da desconfiança iraniana em relação a rodadas anteriores conduzidas por outros interlocutores.
Paquistão como mediador desde o início
Desde os primeiros momentos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, o Paquistão vinha se posicionando como um dos principais articuladores de uma solução diplomática.
Em meio à intensificação das hostilidades, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif chegou a anunciar um entendimento inicial entre as partes. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que os envolvidos haviam concordado com uma trégua imediata “em todos os lugares”, incluindo o Líbano e outras frentes do conflito.
Sharif também destacou o que chamou de postura “sábia” das lideranças envolvidas e passou a atuar diretamente para manter o diálogo ativo.
Cessar-fogo sob pressão
- O cessar-fogo mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã entra em vigor sob forte instabilidade e com sinais imediatos de fragilidade.
- A principal tensão está na interpretação do alcance do acordo, especialmente sobre a inclusão de outras frentes do conflito, como o Líbano.
- O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que as partes haviam concordado com uma trégua “em todos os lugares”, incluindo o território libanês e demais frentes regionais.
- A declaração, no entanto, foi contestada por autoridades dos EUA e de Israel, que negam a extensão automática do cessar-fogo.
- A divergência aumentou após a continuidade de ataques israelenses no Líbano, vista por Teerã como violação do espírito do acordo.
- Os fortes ataques comandados pelo premier Benjamin Netanyahu já deixaram mais de 300 mortos em Beirute.
- O governo iraniano passou a alertar que a escalada pode comprometer o processo diplomático ainda em fase inicial.
Impasses e desconfiança
Apesar da retomada do diálogo, os entraves são significativos. O Irã defende um plano que inclui maior controle sobre o Estreito de Ormuz e mudanças na presença militar dos EUA na região, enquanto o governo de Donald Trump pressiona por restrições ao programa nuclear iraniano.
Os ataques israelenses em território libanês, que continuam mesmo após o anúncio do cessar-fogo, elevam o risco de colapso das negociações.
No meio de toda essa construção, o Estreito de Ormuz segue fechado e com intenso congestionamento de embarcações. Na noite dessa quinta-feira (9/4), o presidente Donald Trump teceu críticas à forma como o regime de Mojtaba Khamenei tem lidado com a principal via marítima, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
Trump chegou a afirmar que “o Irã está fazendo um péssimo trabalho, desonroso, diriam alguns, ao não permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz”, aquecendo o clima pré-negociações presenciais entre as delegações iraniana e norte-americana.








