Sob impacto da guerra, combustíveis puxam inflação de março para 0,88%

Índice da inflação foi divulgado nesta quinta-feira (12/3) pelo IBGE. Valor indica resultado abaixo do teto da meta

atualizado

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1 de 1 imagem colorida bomba de combustíveis - Foto: Breno Esaki/Metrópoles

Os preços de bens e serviços do país subiram 0,88% em março, após acelerarem 0,70% em fevereiro deste ano. Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, divulgado nesta sexta-feira (10/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta da inflação foi puxada, principalmente, pelos grupos transportes, que inclui combustíveis, e alimentação e bebidas, com elevações de 1,64% e 1,56%, respectivamente.

Nos últimos 12 meses, a inflação acumula alta de 4,14%, acima do centro da meta (3%), mas dentro do teto (4,5%). No mesmo mês de 2025, a variação foi de 0,56%. No ano, ou seja, no acumulado de janeiro a março do IPCA, a elevação corresponde a 1,92%.

A inflação de março no patamar de 0,88% veio acima do esperado pelos bancos e outras instituições financeiras, que apostavam no índice perto de 0,70%.

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


O que é IPCA

  • O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é usado pelo Banco Central para ajustar a taxa básica de juros, a Selic.
  • Ele mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.
  • O IPCA mensura dados nas cidades, de forma a englobar 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no país.
  • O índice pesquisa preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário, artigos de residência, entre outros.

O IBGE pesquisa a inflação dividida em nove grupos distintos. O peso para cada grupo no IPCA é diferente, pois o instituto considera que alguns itens representam partes maiores nos orçamentos familiares.

O impacto dos grupos transportes e alimentação e bebidas na inflação de março correspondeu a 76% do índice. A contribuição individual dos grupos foi, respectivamente, de: 0,34 e 0,33 ponto percentual (p.p.).

Dentro do grupo de transportes a gasolina, que havia recuado 0,61%, em março subiu 4,59%, sendo o principal impacto individual (0,23 p.p.) no índice do mês.

O diesel foi o item com a maior alta do grupo transportes: 13,90%. O etanol subiu 0,93% e o gás veicular recuou 0,98%.

As passagens aéreas continuaram a subir, mas em ritmo menor na comparação com fevereiro. No mês passado a alta foi de 11,40% e em março, 6,08%.

Os combustíveis têm impacto direto da guerra no Oriente Médio, que passa por um cessar-fogo, mas foi iniciada em 28 de fevereiro, fazendo que o índice de março captasse toda variação correspondente a este fator.

O gerente do IPCA do IBGE, Fernando Gonçalves, considera que “em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”.

Por causa da guerra, o preço do barril do petróleo tipo brent – que é referência no mercado internacional – chegou a bater os US$ 120 no período. Antes do conflito, o item variava perto de US$ 70. Na manhã desta sexta, o barril era negociado a US$ 95,46.

Alimentação

O grupo alimentação e bebidas acelerou de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março, fazendo dele o de segunda maior alta e também vice-líder no impacto para o índice total.

A alimentação no domicílio subiu 1,94%, acima do mês anterior (0,23%). A influência veio dos itens:

  • tomate (20,31%);
  • cebola (17,25%);
  • batata-inglesa (12,17%);
  • leite longa vida (11,74%); e
  • carnes (1,73%).

Também houve quedas, casos da maçã (-5,79%) e do café moído (-1,28%).

Veja a variação do IPCA por grupos:

  • Alimentação e bebidas: 1,56%;
  • Habitação: 0,22%;
  • Artigos de residência: 0,51%;
  • Vestuário: 0,46%;
  • Transportes: 1,64%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,42%;
  • Despesas pessoais: 0,65%;
  • Educação: 0,02%
  • Comunicação: 0,19%;

INPC tem variação de  0,91%

A inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,91%. Nos últimos 12 meses até março, o INPC acumula alta de 3,77%.

O índice serve de referência para o reajuste do salário mínimo e de benefícios sociais.

O INPC é um indicador que mede a variação média dos preços de um conjunto específico de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos mensais.

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