Galípolo diz que temos uma “sociedade que não tolera mais inflação”

Presidente do Banco Central explicou que contexto do país mudou e que sociedade não aceita mais índices elevados para inflação

atualizado

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Breno Esaki / Metrópoles
Gabriel Galípolo Banco Central
1 de 1 Gabriel Galípolo Banco Central - Foto: Breno Esaki / Metrópoles

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (6/4) que, diferentemente do passado, o Brasil tem hoje uma sociedade que “não tolera” mais índices elevados de inflação.

A afirmação de Galípolo foi feita na abertura do XII Seminário Anual de Política Monetária, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) no Centro Cultural FGV Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, nesta tarde.

“As pesquisas e todos os tipos de informação que a gente tem mostram que esta é uma sociedade que não tolera mais inflação”, frisou.

Galípolo fez a afirmação após citar que o Brasil era tido como um país conhecido por conviver com inflação perto dos 8% ao ano, mas que o contexto hoje é outro. O presidente da autoridade monetária acrescentou ainda que isto é positivo.

“Não tem nada melhor para um banqueiro central do que essa incorporação de uma vigilância contra a inflação dentro da sociedade”, pontuou.

O presidente do BC ainda fez um comentário sobre a percepção da sociedade a respeito da economia em momentos como o que estamos passando, ou seja, um “choque de oferta” por causa da guerra no Oriente Médio.

“Você pode estar tendo uma inflação baixa, mas conviver com as duas coisas simultaneamente: uma inflação baixa com um nível de preço relativo, especialmente porque a receita e a renda das pessoas não cresceram na mesma velocidade que esses degraus que a gente assistiu de pancada a partir de cada um desses choques de oferta”,  afirmou.

A inflação tem dado sinais de alta desde o começo da guerra no Oriente Médio, iniciada no dia 28 de fevereiro deste ano. O conflito desencadeou uma elevação nos preços do petróleo o que tem levado inflação para praticamente todo o mundo.

No Brasil, um dos principais termômetros é o diesel, que teve altas superiores a 22%. Os efeitos se espalham para a economia que assistiu a prévia da inflação, o IPCA-15, de março vir com valor acima das projeções iniciais.

A inflação oficial de março está com divulgação marcada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a próxima sexta-feira (10/4). Em 2025, o índice fechou em 4,26%. Para este ano, as projeções estavam abaixo dos 4%, mas já há perspectivas na faixa dos 4,3%.

Juros

O controle da inflação é um dos principais objetivos do Banco Central. O mecanismo central para administrar os preços é a taxa básica de juros da economia, a Selic. O índice está em 14,75% ao ano.

O Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelos diretores do BC, é o responsável por definir a Selic. O colegiado, que tem Galípolo como um dos membros, se reúne no fim deste mês para decidir se reduz, mantém ou eleva o índice.

Na FGV, Galípolo não deu qualquer sinal sobre o futuro dos juros no Brasil. Ele apenas defendeu a política mais restritiva adotada pelo Copom anteriormente.

“Foi dessa cautela que a gente vem se beneficiando recentemente. As medidas que foram tomada ao longo das últimas reuniões do Copom foram mais cautelosas e permitiram a gente a gente enfrentar um choque numa situação mais favorável”, destacou.

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