Galípolo: “É normal que o BC esteja mais para o lado conservador”

“O Banco Central sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, afirmou Gabriel Galípolo, presidente do BC, em seminário em SP

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Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
1 de 1 Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central - Foto: Reprodução/YouTube

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu, nesta segunda-feira (30/3), a atuação da autoridade monetária diante de um cenário marcado por uma série de incertezas econômicas, agravadas pela deflagração da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.

Galípolo participou de um seminário promovido pelo Banco Safra, em São Paulo, e voltou a afirmar que a autoridade monetária atua “de forma serena de parcimoniosa” para analisar a conjuntura e os dados macroeconômicos e definir a taxa básica de juros, a Selic – atualmente em 14,75% ao ano, após uma redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), há duas semanas.

“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, disse Galípolo.

“É normal que o BC esteja sempre um pouquinho mais para o lado conservador. Mas temos toda uma governança justamente para aparar as pontas, para que não tenhamos posições mais extremadas. É por isso que é um colegiado.”

O presidente do BC chamou a atenção para o fato de o caminho trilhado pelo Copom não ter sido alterado por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre os preços internacionais do petróleo – e diante do risco de aumento da inflação global.

“Gradativamente, a posição de manutenção de 15% por um período mais prolongado foi ganhando confiança dentro do mercado. Depois começa um debate sobre quando deveria cortar. E iniciamos o ciclo de cortes por 25 pontos-base. Mesmo diante de novos fatos, eles não alteraram a conjuntura como um todo, à luz do que vem acontecendo, para que a gente alterasse a nossa trajetória. Decidimos seguir com a trajetória e começar o ciclo de calibragem da política monetária”, explicou Galípolo.

BC é “mais transatlântico do que jet ski”

Para o chefe da autoridade monetária, o BC é “mais um transatlântico do que um jet ski” e evita “fazer movimentos bruscos ou extremados” mesmo em momentos teoricamente mais turbulentos.

“Em um momento como este, de choque de oferta, fica claro que a política monetária vem surtindo seu efeito. Também ressaltamos que, para o nível de restrição que tem a política monetária no Brasil, era esperado um efeito ainda mais agudo. Mas tivemos uma desaceleração e um crescimento menor em 2025”, observou Galípolo.

Apesar das preocupações com o impacto da guerra, o presidente do BC apontou que o Brasil está em posição relativamente mais favorável do que outros países. “Tudo está sendo acessado e discutido. Mas, se compararmos o que está acontecendo com outros países da Ásia e até mesmo com pares nossos aqui mais próximos, o Brasil se beneficia de ser um exportador líquido de petróleo. Isso nos coloca em uma situação mais favorável. E também o diferencial de juros, o fato de estarmos em um patamar mais contracionista”, avalia.

Questão fiscal

Durante sua participação no evento do Banco Safra, Gabriel Galípolo também foi questionado sobre a grande preocupação do mercado em relação à questão fiscal no Brasil.

Segundo o presidente do BC, o tema também vem sendo tratado com atenção pela autoridade monetária. “Temos falado bastante sobre a questão fiscal desde a Covid. Tivemos um processo de gastos que elevou o endividamento dos países avançados, que gastaram mais do que os países emergentes e de baixa renda”, afirmou. “Mas o Brasil, relativamente aos seus pares, parece estar em uma posição mais favorável”, completou Galípolo.

Copom

Em seu último comunicado, no dia 18, o Copom afirmou que o cenário criado pelo conflito no Oriente Médio resultou em “forte aumento da incerteza” na economia global. Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.

“O comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse o órgão.

Ainda em função do conflito, o Copom afirmou que o ambiente externo se tornou mais incerto, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, apontou o texto.

Na semana seguinte, quando divulgou a ata da reunião do Copom, o BC foi mais enfático e demonstrou maior preocupação com o impacto do conflito sobre a economia brasileira. “O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz trecho da ata.

Ao fim do documento, o Copom afirmou que o cenário atual exige uma restrição monetária maior – ou seja, sinal de que os juros possam vir a ficar em um patamar mais elevado por mais tempo. Em janeiro, o Copom sinalizou claramente a tendência pelo corte de juros em março. No entanto, na última ata, não há esse apontamento.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o documento.

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