Dólar opera estável e Bolsa sobe com Galípolo, petróleo e guerra

Além da escalada do conflito entre EUA e Irã, que mexe com preços do petróleo, mercado monitora falas do presidente do BC, Gabriel Galípolo

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar norte-americano - Metrópoles - Foto: Yevgen Romanenko/Getty Images

O dólar passou a operar perto da estabilidade, nesta segunda-feira (30/3), abrindo mais uma semana na qual os mercados acompanham o passo a passo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que se reflete nos preços internacionais do petróleo.


Dólar

  • Às 12h16, o dólar subia 0,09%, a R$ 5,247, praticamente estável.
  • Mais cedo, às 11h05, a moeda norte-americana avançava 0,02% e era negociada a R$ 5,242.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,251. A mínima é de R$ 5,224.
  • Na sessão da última sexta-feira (27/3), o dólar terminou em baixa de 0,28%, cotado a R$ 5,241.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 2,09% frente ao real em março e perdas de 4,51% no ano.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no pregão.
  • Às 12h20, o Ibovespa avançava 1,22%, aos 183,7 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o indicador recuou 0,64%, aos 181,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 3,83% em março e valorização de 12,68% em 2026.

Petróleo em alta e escalada da guerra

O principal fator de influência sobre a cotação do dólar e o movimento da Bolsa de Valores continua sendo o conflito entre EUA, Israel e Irã, que vem afetando os preços do petróleo no mercado internacional e causando uma onda de preocupação em todo o mundo.

Por volta das 9h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 1,72% e era negociado a US$ 10,35.

No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 2,3%, também superando a marca dos US$ 100 (US$ 107,74).

Nesta segunda-feira, um ataque de mísseis iraniano atingiu uma refinaria de petróleo de Haifa, em Israel, causando um incêndio de grande proporção no local. Imagens divulgadas pela imprensa israelense mostraram uma grande fumaça no local após o impacto. Ainda não está claro se os danos foram causados pela colisão direta de um míssil ou pela queda de destroços.

Equipes de emergência foram acionadas para conter as chamas, enquanto sirenes de alerta soaram em diversas regiões do país. Até o momento, não há confirmação de vítimas.

Segundo o Corpo de Bombeiros de Israel, “13 equipes de bombeiros e resgate do Distrito Costeiro, Estação Kiryat, estão atuando no local das refinarias de Haifa, onde fragmentos de uma interceptação foram identificados após o último bombardeio”.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês), mísseis vindos do território iraniano foram identificados. Os militares informaram ainda que “cinco mísseis antitanque, que seriam lançados contra o território israelense, foram destruídos”.

Ainda nesta segunda, a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Alireza Tangsiri, anunciada pelo governo norte-americano e pelo Exército de Israel, foi confirmada pelo Irã. Ele foi morto em bombardeios israelenses. Segundo comunicado da Guarda Revolucionária, Tangsiri não resistiu a ferimentos graves após o ataque de Israel.

A morte do comandante foi reivindicada por Israel em 26 de março. “Em uma operação precisa e letal, as Forças de Defesa de Israel eliminaram o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, Tangsiri, juntamente com altos oficiais do comando naval”, informou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.

Segundo o Exército israelense, o chefe de Inteligência da Marinha da Guarda iraniana também morreu no ataque. O Exército israelense detalhou, em comunicado, que Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, importante via marítima por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, “e supervisionou ações no domínio marítimo contra países do Oriente Médio”.

O canal está bloqueado há quase um mês por causa da guerra contra os EUA e Israel.

Galípolo em São Paulo

No cenario doméstico, as atenções dos investidores se voltam para a participação do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em um seminário promovido pelo Banco Safra, em São Paulo. O mercado aguarda eventuais sinalizações a respeito da trajetória da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,75% ao ano.

Galípolo voltou a afirmar que a autoridade monetária atua “de forma serena de parcimoniosa” para analisar a conjuntura e os dados macroeconômicos e definir a taxa básica de juros, a Selic – atualmente em 14,75% ao ano, após uma redução de 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), há duas semanas.

“Agora, mais do que nunca, temos de separar o ruído do sinal. Isso será ainda mais importante para guiar as reações que o BC deve ter. O BC sempre vai continuar agindo de forma serena e parcimoniosa”, disse Galípolo.

“É normal que o BC esteja sempre um pouquinho mais para o lado conservador. Mas temos toda uma governança justamente para aparar as pontas, para que não tenhamos posições mais extremadas. É por isso que é um colegiado.”

O presidente do BC chamou atenção para o fato de o caminho trilhado pelo Copom não ter sido alterado por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre os preços internacionais do petróleo – e diante do risco de aumento da inflação global.

“Gradativamente, a posição de manutenção de 15% por um período mais prolongado foi ganhando confiança dentro do mercado. Depois começa um debate sobre quando deveria cortar. E iniciamos o ciclo de cortes por 25 pontos-base. Mesmo diante de novos fatos, eles não alteraram a conjuntura como um todo, à luz do que vem acontecendo, para que a gente alterasse a nossa trajetória. Decidimos seguir com a trajetória e começar o ciclo de calibragem da política monetária”, explicou Galípolo.

Para o chefe da autoridade monetária, o BC é “mais um transatlântico do que um jet ski” e evita “fazer movimentos bruscos ou extremados” mesmo em momentos teoricamente mais turbulentos.

Em seu último comunicado, no dia 18, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) afirmou que o cenário criado pelo conflito no Oriente Médio resultou em “forte aumento da incerteza” na economia global. Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.

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