Com guerra, Copom desiste de projetar novo corte de juros no Brasil

Órgão do Banco Central considera que eclosão do conflito no Oriente Médio trouxe “forte aumento da incerteza” para a economia mundial

atualizado

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Raphael Ribeiro/ Banco Central
Imagem colorida de membros do Copom do BC em 2025 - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de membros do Copom do BC em 2025 - Metrópoles - Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), não deu novas indicações sobre a perspectiva de cortes de juros no Brasil, no comunicado divulgado nesta quarta-feira (18/3), no qual anunciou a redução da taxa básica, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano.

O principal motivo da ausência de uma estimativa foi a eclosão da guerra no Oriente Médio, envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã.

No comunicado, o Copom afirma que o cenário criado pelo conflito resultou num “forte aumento da incerteza” na economia global. Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.

Diz o órgão do BC: “O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

Mudança de tom

A nota divulgada depois da última reunião do Copom, no dia 28 de janeiro, foi redigida noutro tom. Na ocasião, os integrantes da cúpula do BC anteviam, em se confirmando o cenário esperado, “iniciar a flexibilização da política monetária no próximo encontro”. De fato, o corte de 0,25 ponto percentual foi feito, mas as chances de novas projeções foram comprometidas pela guerra.

Ainda em função do conflito, o Copom diz no comunicado que o ambiente externo se tornou mais incerto, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, aponta o texto.

Projeções em alta

Na comparação entre as notas divulgadas em janeiro e nesta quarta-feira, houve piora nas projeções sobre a elevação dos preços no mercado nacional. As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus (levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado) permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8% respectivamente. Em janeiro, elas estavam em 4,0% e 3,8%.

Mais importante foi a mudança da projeção de inflação feita pelo próprio do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária. Ela era de 3,2% e passou para 3,3%. A mudança numérica é pequena, o problema é o sentido de alta da estimativa.

Note-se que o mencionado “horizonte relevante” é o período que o BC define para que suas decisões sobre juros, quer elevações, quer cortes, tenham efeito real e máximo na inflação.

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