Inflação supera previsões e vai afetar juros do Copom, dizem analistas

IPCA de fevereiro subiu 0,70%, ante expectativa de 0,64%. Com isso, apostas já se concentram em corte menor, ou mesmo, manutenção da Selic

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1 de 1 Imagem colorida, um homem avaliando um produto dentro de um mercado - Metrópoles - Foto: GettyImages

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,70% em fevereiro, acima das projeções do mercado, que previam 0,64%. Para analistas, essa diferença terá efeito negativo na definição do novo patamar de juros do país, que será fixado na próxima quarta-feira (18/3) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).

Pablo Spyer, economista e conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (Ancord), a principal pressão do índice veio do setor de serviços, com aumentos em itens como cursos, passagens aéreas e seguros. “Isso mostra que a inflação mais ligada à atividade doméstica ainda apresenta resistência”, diz.

Ele observa que houve algum alívio nos combustíveis depois do corte de preços promovido pela Petrobras nas refinarias no fim de janeiro.  “Mas esses números não capturam a recente disparada do petróleo no mercado internacional, que voltou a rondar os US$ 100 por barril, diante das tensões no Oriente Médio”, afirma.

Spyer conclui: “Nesse contexto, um IPCA de fevereiro acima do previsto e as dúvidas sobre a evolução dos preços dos combustíveis devem levar o Copom a adotar uma postura mais cautelosa na reunião da próxima quarta, reduzindo o corte inicial da taxa básica para apenas 0,25 ponto percentual”.

Núcleos fortes

Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, concorda que a pressão sobre o índice se concentrou em serviços. E ele nota que os núcleos (que desconsideram os tópicos mais voláteis, como alimentos e energia) “rodaram todos acima do que prevíamos”.

“Pelo lado positivo, itens mais conectados aos fundamentos econômicos, como serviços intensivos em trabalho e alimentação fora do domicílio, vieram dentro do esperado”, afirma. “Além disso, o grupo de alimentos trouxe um qualitativo melhor, com surpresas baixistas em carnes, leite e café compensando a pressão observada em produtos industrializados.”

Para ele, a “composição do índice deve chamar a atenção do Copom, uma vez que o avanço dos núcleos e a resiliência de serviços reforçam um cenário de maior cautela”. “O número fortalece as apostas em uma redução do ritmo de flexibilização dos juros para um corte de 0,25 ponto percentual, em detrimento de um corte de 0,50 ponto percentual (que era a aposta predileta do mercado).

Manutenção

Para o Banco Daycoval, o Copom pode até optar por não reduzir os juros, diante do quadro inflacionário. “Por ora, nossa expectativa para o corte da taxa de juros em março é de 0,25 ponto percentual”, afirma a equipe de economistas da instituição. “ Contudo, o conflito no Oriente Médio com impacto sobre petróleo e este IPCA mais pressionado impõem um viés de manutenção da taxa.”

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